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Até R$ 130: preço do gás de cozinha sobe no Pará após leilões da Petrobras e acende alerta no setor

Distribuidoras já reajustaram valores; sindicato aponta risco de novos aumentos, enquanto revendedores dizem que impacto ainda não chegou totalmente ao consumidor

Jéssica Nascimento

O preço do gás de cozinha no Pará já registra aumentos após os leilões realizados pela Petrobras no fim de março, e o setor não descarta novos reajustes nas próximas semanas. Embora a estatal afirme que a medida não deveria impactar o valor do botijão, distribuidoras já repassaram custos mais altos, o que preocupa revendedores e consumidores.

Em leilões realizados na última terça-feira (31/03), a Petrobras comercializou gás de cozinha a valores significativamente superiores aos praticados por refinarias. Em um dos lotes, distribuidoras chegaram a pagar mais do que o dobro do preço habitual. Ao todo, a estatal ofertou um volume equivalente a 11% das vendas nacionais previstas para abril, com entregas distribuídas em sete localidades.

A estatal afirma que os leilões têm como objetivo atender parte da demanda dos segmentos comercial e industrial, e sustenta que a operação não deveria impactar o preço dos botijões destinados ao consumidor final. No entanto, atualmente não há diferenciação legal de preços conforme o tipo de uso do produto.

Na última quinta-feira (2/04), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou ter iniciado uma ação de fiscalização para apurar informações relacionadas aos leilões de GLP realizados pela Petrobras em 31 de março. Segundo o órgão regulador, a medida foi motivada por suspeitas de prática de preços com ágios elevados, possivelmente acima dos níveis estabelecidos pelos Preços de Paridade de Importação (PPI).

image (Foto: Igor Mota)

Distribuidoras elevam preços no estado

Levantamento do Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás Liquefeito de Petróleo do Pará (Sergarp-PA) confirma que houve aumento recente nos preços praticados pelas distribuidoras no estado.

Segundo o presidente da entidade, Francinaldo Oliveira, os reajustes começaram logo após os leilões.

“Houve aumento recente no preço do gás de cozinha no Pará após esses leilões”, afirmou.

Entre os aumentos registrados estão:

  • Ultragaz: R$ 7,11 (desde 6 de abril)
  • Supergas: R$ 6,52 (desde 8 de abril)
  • Copa Energia: R$ 4,58 (desde 6 de abril)
  • Liquigás: R$ 6,50 (desde 1º de abril)
  • Paragás: R$ 5,05 (desde 8 de abril)

Preço ao consumidor varia até R$ 130

Atualmente, o preço médio do botijão no Pará gira em torno de R$ 115 na retirada direta e entre R$ 125 e R$ 130 na entrega em domicílio.

Em um ponto de venda no bairro do Umarizal, em Belém, o responsável administrativo Fredson Guimarães confirma esses valores. 

“O cliente vindo comprar aqui com a gente é R$ 115. Para nós entregarmos pro cliente na casa dele, é R$ 130”, explicou.

Ele destaca que o último reajuste sentido diretamente pelo revendedor ocorreu no início do ano. “Teve um aumento, mas foi um aumento pequeno. Depois dos leilões da Petrobras, em relação a eles, isso não chega até nós”, disse.

image Fredson Guimarães. (Foto: Igor Mota)

Impacto ainda não é uniforme

Apesar dos aumentos nas distribuidoras, nem todos os consumidores perceberam mudanças recentes. O administrador Eberth Wanghon relata estabilidade: “Estou pagando hoje R$ 115 pelo gás de cozinha.”

Já a dona de casa Helena Gaspar Viana afirma que ainda não precisou comprar novamente desde o início do ano. “Comprei gás no início do ano por R$ 120. Até agora não troquei ainda”, declarou.

Por outro lado, há casos de reajustes já percebidos na ponta. A enfermeira Keila Vale relata aumento significativo. “Hoje tô comprando gás de cozinha por R$ 148. Era R$ 136. A vendedora disse que teve reajuste devido às mudanças dos leilões da Petrobras”, disse.

image (Foto: Igor Mota)

Repasse pode ser imediato

Segundo os revendedores, o repasse ao consumidor depende diretamente do custo de aquisição.

“Se o custo aumentar, o repasse é feito de forma imediata. Chegou o aumento pra nós, a gente tem que repassar para o nosso cliente”, afirmou Fredson Guimarães.

Ele explica que o pagamento do produto é feito no ato da entrega, o que pressiona a margem de lucro e acelera o repasse.

Há risco de novos aumentos?

Para o Sergarp-PA, o risco existe, mas depende de novos reajustes das distribuidoras. “Sim, desde que as distribuidoras voltem a aumentar seus preços”, afirmou Francinaldo Oliveira.

Ele ressalta que não é possível prever até onde os preços podem chegar. “Não há como avaliar, há diversas variáveis que podem influenciar, principalmente o cenário de guerra”, disse.

image (Foto: Igor Mota)

Preço do botijão de gás sobe no Pará e Belém registra alta de 4,7% em uma semana, segundo Dieese

Levantamento exclusivo divulgado pelo Dieese/PA (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) ao Grupo Liberal, com base em dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), aponta aumento nos valores do GLP (botijão de 13 kg) na comparação entre as semanas de 1º a 7 de março e 29 de março a 4 de abril de 2026.

De acordo com a análise, o preço médio do produto no estado passou de R$ 113,15 para R$ 114,08, uma alta de R$ 0,93, o que representa variação de 0,8% no período. 

Já na capital paraense, o reajuste foi mais expressivo: o valor médio subiu de R$ 113,58 para R$ 118,88, com aumento nominal de R$ 5,30, equivalente a 4,7%.

Em Belém, o preço médio registrado ficou acima da média nacional, estimada em R$ 110,52, e também superior à média estadual, evidenciando maior impacto para os consumidores da capital.









 

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