Whey ou proteína natural? Veja como manter uma dieta econômica e saudável
Preços altos fortalecem a busca por proteínas naturais e exigem planejamento para manter a dieta sem gastar mais
Em meio à alta dos alimentos e à popularização dos produtos proteicos, a velha dúvida volta ao centro das discussões domésticas: vale mais a pena investir no pote de whey protein ou montar uma dieta baseada em carnes, ovos e leguminosas? A resposta passa não só pela nutrição, mas pelo orçamento.
O whey continua sendo o suplemento mais buscado por quem treina, segundo Mirelly Silveira, gestora de uma loja especializada. “Ele é versátil, fácil de usar e atende muita gente. A preferência vem dessa praticidade e da segurança como fonte de proteína de qualidade”, afirma. Mesmo com oscilações de preço ao longo do ano, a procura não diminuiu. “Quem já usa acaba ajustando a marca ou o tamanho da embalagem, mas não deixa de consumir. O público está mais seletivo, mas continua buscando proteína.”
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Com embalagens que podem variar de R$ 46,00 a R$ 829, a suplementação exige estratégia para não pesar no bolso. Para manter as vendas, lojas apostam em promoções, programas de fidelidade e uma maior variedade de marcas. “O cliente busca custo-benefício, mas é preciso cuidado. Na internet, aparece suplemento barato demais — e isso precisa ser um sinal de alerta. Trabalhamos apenas com marcas seguras”, reforça Mirelly.
Entre os consumidores, o preço do whey já tem levado a adaptações. O Desenvolvedor Back-End, Ezequiel Trindade, que utiliza o suplemento, afirma que repensou totalmente o custo-benefício. “Com o preço bem elevado, as pessoas traçam metas diferentes. Às vezes, é mais vantagem comprar frango, ovo e montar a dieta. O whey é prático, mas não associado à alimentação você não bate a meta proteica diária”, diz.
Segundo ele, a mudança para alimentos naturais teve impacto direto no orçamento: “Quando eu substituí o whey por alimentos naturais, o impacto econômico foi muito positivo. O whey acaba sendo um gasto alto e recorrente, porque dependendo da marca, um pote dura poucas semanas e custa entre R$ 100 e R$ 200. Quando coloco na ponta do lápis, percebo que consigo bater minha meta proteica usando alimentos naturais gastando bem menos. Ovos, frango, feijão, iogurte natural e picadinho têm um custo por grama de proteína muito menor. Com a mesma quantia que eu gastava em um pote de whey, hoje compro proteína suficiente para quase o mês inteiro. No geral, economizo de 30% a 50% do valor que gastava antes. Além disso, a proteína de verdade vem junto com outros nutrientes importantes, então acabo economizando também em outros suplementos.”
Alimentos x suplemento: quem entrega mais por real?
Para a nutricionista comportamental Giulia Priante, a comparação não deve ser apenas financeira, mas também nutricional. “O whey é prático e de rápida absorção, mas os alimentos ricos em proteína entregam vitaminas, minerais, fibras e gorduras boas que o suplemento não oferece. Eles são mais completos e fazem parte de um padrão alimentar saudável.”
Na conta do custo por grama de proteína, o whey pode ser competitivo dependendo da marca. Porém, alimentos como ovos, frango, leite e leguminosas continuam fortes no quesito custo-benefício — especialmente quando comprados em maior quantidade ou aproveitando promoções.
Giulia reforça que o suplemento é útil para quem tem rotina corrida ou dificuldade de atingir a meta proteica com comida, mas não é indispensável. “É totalmente possível atingir as necessidades com alimentos, mas exige organização. O suplemento entra como facilitador, não como regra.”
Como não gastar muito — e comer melhor
Com o orçamento apertado, muitos brasileiros têm recorrido ao planejamento para manter a dieta equilibrada. “Percebo que os pacientes compram mais comida de verdade, planejam melhor as refeições e aproveitam mais o que têm em casa”, afirma Giulia. O problema é quando a economia vira restrição alimentar: “Algumas pessoas começam a pular refeições ou a substituir proteínas por carboidratos baratos, o que reduz a saciedade.”
Para equilibrar bolso e prato, a nutricionista recomenda estratégias simples:
• montar lista de compras antes de ir ao mercado;
• priorizar alimentos acessíveis e proteínas como ovos, frango, sardinha, feijão, soja, leite e iogurte;
• escolher frutas e hortaliças da estação;
• preparar refeições em maior quantidade e armazenar corretamente;
• buscar combinações práticas e sustentáveis, sem rigidez alimentar.
Economia que cabe no prato
Ao final, o que pesa mais é a rotina de cada pessoa. O suplemento segue sendo um recurso prático e valorizado por quem treina, mas a chamada “comida de verdade” continua sendo a base mais completa — e, na maioria das vezes, mais econômica.
Para quem busca atingir entre 90 g e 130 g de proteína por dia, mesclar fontes é o caminho mais viável. O pote de whey pode ajudar quando o tempo é curto, mas o planejamento alimentar ainda é o melhor aliado na hora de economizar sem abrir mão da qualidade nutricional.
Proteínas e alimentos acessíveis (R$)
• Ovos: de R$ 20 a R$ 30 a dúzia (Dieese/PA)
• Peito de frango: de R$ 14 a R$ 26
• Sardinha: R$ 6 a R$ 13
• Feijão: R$ 5,45 (kg) (Dieese/PA)
• Soja: R$ 12 a R$ 18
• Leite: R$ 8,21 (Dieese/PA)
• Iogurte: R$ 4 a R$ 16,50
• Frutas e hortaliças da estação: variam conforme safra e mês
*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia
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