Reajustes das mensalidades escolares em Belém para 2026 ultrapassam 20%, diz Dieese
Para 2026, a Educação Infantil apresenta mensalidades entre R$ 745,92 e R$ 2.641,00
Os reajustes das mensalidades escolares em Belém para 2026 devem ultrapassar 20%, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira (27) pelo Dieese. O levantamento, realizado em cerca de 40 escolas da capital, confirma que os aumentos superam a inflação acumulada dos últimos 12 meses e reforça a preocupação de pais e responsáveis diante da elevação contínua nos custos da educação privada.
Nos últimos anos, os reajustes aplicados por instituições de ensino no país têm ficado acima da inflação. Para 2026, estimativas nacionais apontam aumentos superiores ao dobro do IPCA, atualmente em torno de 4,60%. Em diversas capitais, os percentuais variam entre 8% e mais de 10%.
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Panorama em Belém
No Pará, o Dieese acompanha historicamente a evolução do custo da educação privada. Em Belém, a nova pesquisa avaliou mensalidades previstas para o primeiro semestre de 2026 em 15 bairros da cidade, incluindo Batista Campos, Guamá, Marambaia, Marco e Pedreira. Foram analisados valores da Educação Infantil, Ensino Fundamental (I e II) e Ensino Médio.
Segundo o levantamento, as mensalidades variam amplamente, influenciadas por fatores como estrutura física das escolas, metodologia de ensino, serviços oferecidos e uso de plataformas digitais. Para 2026, a Educação Infantil registra preços entre R$ 745,92 e R$ 2.641,00. No Ensino Fundamental I, os valores vão de R$ 483,54 a R$ 2.319,00. No Fundamental II, variam entre R$ 488,37 e R$ 2.656,00, enquanto o Ensino Médio apresenta mensalidades entre R$ 493,38 e R$ 2.495,00.
Fatores que influenciam no aumento
Os reajustes encontrados na comparação entre 2025 e 2026 superam a inflação e, em muitos casos, ultrapassam 20%. Para o Dieese, fatores internos de cada instituição — como número de alunos, histórico financeiro das famílias e oferta de materiais didáticos ou plataformas digitais — têm impacto direto sobre o tamanho dos aumentos.
As escolas costumam divulgar seus novos valores entre outubro e dezembro do ano corrente, período em que também oferecem promoções na matrícula ou rematrícula. É neste intervalo que o Dieese realiza os levantamentos comparativos, usando preços informados pelas próprias instituições.
Direitos das famílias
Embora a legislação permita reajustes anuais, a Lei nº 9.870/1999 obriga as escolas a detalhar os critérios utilizados para definir as mensalidades. As instituições devem apresentar planilhas de custos com, no mínimo, 45 dias de antecedência e divulgar os novos valores em local acessível antes do prazo final de matrícula.
Caso identifiquem aumentos considerados abusivos, pais e responsáveis podem buscar orientação nos órgãos de defesa do consumidor. O Dieese reforça a importância do planejamento financeiro das famílias diante dos reajustes que seguem acima da inflação e pressionam o orçamento doméstico.
Exagerado
O economista paraense Nélio Bordalo destaca que os 20% a mais sobre mensalidades supera muito à inflação estimada pelo boletim focus, em 4,18%, e avalia um cenário mais complexo aos pais, já que o percentual recai sobre a mensalidade apenas, sem considerar gastos paralelos, como o material escolar. Um dos primeiros impactos que prevê e a busca por opções de escolas mais baratas ou até gratuitas, seguido da necessidade de cortar gastos em outras áreas do orçamento familiar.
“As famílias já estão com seus orçamentos já apertados, e qualquer tipo de aumento, principalmente de aumento elevado realmente desequilibra financeiramente a família, então eu não achava, não tinha nem ideia de que realmente iria ser esse percentual”, afirma Bordalo com surpresa.
Segundo ele, isso se concretiza, em especial, porque mesmo o reajuste do salário base pago a média dos brasileiros não alcança esse percentual. O caminho provável é de que os pais pressionem as escolas por descontos ou novos reajustes mais alinhados com a realidade financeira. Ele não descarta que as instituições também lidem com aumentos em gastos estruturais e de manutenção, entretanto, isso deve ser apresentado aos pagadores para justificar o aumento.
*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia
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