LibTalks debate a ‘ameaça’ da Inteligência Artificial para a mão de obra humana
Empresários de diferentes ramos relatam ganhos de produtividade, bem-estar e novas formas de conexão com o público
A Inteligência Artificial (IA) tem deixado de ser apenas uma promessa tecnológica para se tornar parte concreta da rotina de empresas e profissionais criativos, o que trouxe o medo dessas tecnologias roubarem empregos e substituírem os humanos. Esse foi o tema central do LibTalks, da tarde desta quinta-feira (29), conduzido por Ney Messias, diretor de entretenimento e rádio web do Grupo Liberal, com os empreendedores Jorge Auad, CEO do Grupo VanguardIA, e Luciene Lobo, produtora a frente da Loba Criativa. Segundo eles, a IA deve ser absorvida pelo mercado como ferramenta, considerando seu potencial de beneficiar negócios e melhorar a produtividade humana.
No caso do grupo comandado pelo diretor-executivo e empreendedor Jorge Aaud, a IA passou a integrar o dia a dia de forma integral e orgânica, antes mesmo de ser vista como um produto ou oportunidade de mercado. Segundo ele, a tecnologia foi incorporada inicialmente aos processos internos e, aos poucos, transformou-se em um diferencial estratégico. O movimento resultou na consolidação do grupo como referência na aplicação prática da inteligência artificial, com foco na combinação entre inteligência humana e tecnológica. “A IA funciona como um amplificador das capacidades humanas”, afirma.
Os impactos mencionados vão além da eficiência operacional. O uso da tecnologia trouxe ganhos diretos para as pessoas envolvidas no negócio, como maior autoconhecimento, processos mais leves e economia de tempo, estimada por ele entre 30% e 50%. Esse ganho refletiu tanto no bem-estar da equipe, formada por cerca de 40 pessoas, quanto no crescimento do faturamento e da margem líquida da empresa.
Na área criativa, a produtora de audiovisual e criadora de conteúdo Luciene Lobo também vê a inteligência artificial como uma aliada, não como substituta. Atuando com produção de conteúdo e marketing digital, ela utiliza a tecnologia como ferramenta de apoio, especialmente para potencializar conexões com o público.
Para a produtora, a IA auxilia, mas não ocupa o lugar do olhar humano. “A sensibilidade do áudio, a escuta e a percepção continuam sendo humanas”, destaca. Ela afirma não ver a atual transformação tecnológica com receio, mas como uma oportunidade de evolução. “É uma virada importante. A inteligência artificial vem para ajudar o ser humano a avançar, não para ser substituído por ela.”
“O medo que as pessoas tinham de serem trocados por uma máquina antigamente. Era outro mundo e a tecnologia nem se compara a hoje, mas tanto os medos quanto a sensibilidade humana seguem as mesas, apesar de ser um mundo completamente novo”, destaca a empreendedora.
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Insubstituíveis
Os dois empresários concordam que a transformação do mercado está observando uma troca da mão de obra, que naturalmente aconteceria. Mas, nesse caso, em vez de substituição, demanda muito mais aperfeiçoamento de profissões, tanto as pré-existentes que absorveram o uso de IA, quanto as novas profissões que se originaram essencialmente dessa nova tecnologia.
“Tem sempre alguém que vai dar o comando na IA e quem faz isso são os seres humanos. Então, nesse ponto, não vai substituir o ser humano, porque sempre vai depender de nós”, defende a produtora.
O empresário amplia o discurso da produtora, mas enfatiza que o processo natural do mercado envolve modificações da estrutura de empregos. Segundo ele exemplifica, atividades manuais antigas, embora mecanizadas no decorrer dos anos, continuam existindo e necessitando da mão de obra humana para manusear as novas ferramentas. “É impossível que não haja uma quantidade de pessoas que antes aravam, que antes eram substituíveis pela ferramenta que usavam, mas não pelo ato de arar”, exemplifica o empresário.
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