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Estúdios especializados em Belém transformam atividade física em serviço de saúde e bem-estar

Pilates e ioga fortalecem o empreendedorismo em saúde e ampliam serviços personalizados

Thaline Silva*

O mercado de atividades físicas passa por uma transformação marcada pela valorização do cuidado integral com o corpo e a mente e pela busca por experiências mais personalizadas do que as oferecidas pelas academias tradicionais. Em vez de treinos padronizados e foco exclusivo em estética ou desempenho, cresce a procura por serviços voltados à prevenção de dores, reabilitação, bem-estar emocional e acompanhamento individual. Esse movimento impulsiona o surgimento de estúdios especializados que combinam conhecimento técnico e atendimento humanizado.


Em Belém, essa tendência reflete nas trajetórias das empreendedoras Juliana Moura e Renata Mello, que estruturaram seus estúdios com objetivos semelhantes: oferecer atendimento individualizado, estimular a saúde preventiva e transformar a prática de exercícios em cuidado contínuo com a qualidade de vida.

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Origem dos empreedimentos 

O estúdio de Juliana surgiu da própria vivência como fisioterapeuta, aliada à experiência administrativa do sócio Daryl Maltez. Segundo ela, a observação do comportamento dos alunos foi decisiva para a criação do projeto.

“Percebemos que muitas pessoas buscavam algo além da estética ou do treino intenso das academias tradicionais. Elas queriam saúde, prevenção de dores, qualidade de vida e um atendimento mais humanizado e personalizado”, afirma. A escolha pelo pilates ocorreu por reunir características alinhadas a essa proposta. “É uma prática segura, adaptável para todas as idades e condições físicas, desde jovens até idosos, gestantes e pessoas em reabilitação. Empreender nesse modelo foi uma forma de oferecer um serviço mais próximo, personalizado e focado em bem-estar integral”, explica.

A trajetória de Renata começou décadas antes, na musculação. Formada em Educação Física e atuando como personal trainer desde o fim dos anos 1990, ela conheceu o Pilates em 2003 e iniciou formação no ano seguinte. A aplicação dos princípios do método (postura, respiração e execução precisa) transformou sua forma de treinar.

“Passei a treinar musculação com mais atenção na postura, na respiração e na execução correta de cada exercício. Tive que reduzir mais de 50% das cargas para executar corretamente, mas o resultado foi uma definição muscular jamais vista em pouco tempo. Então pensei: vou utilizar com meus alunos”, relata.

Funcionamento dos estúdios

Os dois estúdios trabalham com turmas reduzidas, geralmente com até quatro alunos por horário, permitindo correções constantes e acompanhamento individual da evolução. O atendimento inclui avaliação inicial, horários agendados e adaptação dos exercícios às necessidades específicas de cada aluno.

Juliana oferece planos mensais, trimestrais e semestrais, além de aulas individuais. Renata organiza pacotes mensais equivalentes a oito ou doze aulas, normalmente com frequência semanal de duas ou três vezes.

Em alguns casos, o treinamento pode ser combinado com musculação, ampliando as possibilidades de fortalecimento e funcionalidade do corpo. O atendimento personalizado é apontado como principal diferencial em relação às academias tradicionais, com ajustes contínuos durante a execução dos exercícios e acompanhamento da evolução física.

Perfil do público e mudanças na demanda

Os estúdios atendem públicos variados, mas com predominância de pessoas que buscam alívio de dores e fortalecimento muscular.

Juliana relata maior presença de mulheres adultas, além de jovens, idosos e gestantes. As principais demandas envolvem melhora da postura, prevenção de lesões, redução do estresse e qualidade de vida. Muitos alunos chegam após não se adaptarem às academias convencionais.

Renata atende um público ainda mais amplo em termos etários, com alunos entre 14 e 93 anos, mas predominância de pessoas acima dos 50 anos. O objetivo principal é reduzir dores e melhorar a funcionalidade do corpo.

Após a pandemia, ambas observaram mudanças no comportamento dos clientes. Houve maior valorização do autocuidado, da saúde preventiva e de ambientes com menor número de pessoas. Também se intensificou a permanência de alunos que iniciaram a prática nesse período.

Mensalidades e estrutura de atendimento

O espaço de Juliana atende atualmente 93 alunos ativos e é dedicado exclusivamente à prática de pilates. A limitação de vagas integra a estratégia de manter a qualidade do serviço oferecido. Entre os clientes, os planos semestrais são os mais procurados, com valores que variam conforme a frequência das aulas e o tipo de atendimento, resultando em mensalidades entre R$ 215 e R$ 525. O estúdio também disponibiliza aula experimental gratuita para novos interessados.

Já o estúdio de Renata reúne 78 alunos ativos e oferece tanto planos de pilates quanto pacotes combinados que incluem musculação. Os preços são definidos de acordo com a frequência semanal das atividades: pilates duas vezes por semana custa R$ 350, enquanto três vezes por semana sai por R$ 450. Nos planos combinados, o pacote de pilates e musculação duas vezes por semana custa R$ 240, e três vezes por semana, R$ 350.

Rentabilidade e desafios do setor

A rentabilidade depende principalmente da ocupação das turmas e da permanência dos alunos ao longo do tempo. Juliana destaca o peso da gestão financeira. “Os custos operacionais são elevados e a sazonalidade influencia bastante. Férias, viagens e mudanças de rotina impactam diretamente a frequência e o faturamento.”

Ela considera que o maior desafio é a fidelização. “Se você consegue fidelizar o cliente, independentemente da sazonalidade, ele pode até parar por um tempo, mas logo volta.”

A qualificação profissional também representa investimento contínuo. “Estamos lidando com saúde, não apenas com exercício físico”, afirma Juliana.

Estratégias de crescimento e perspectivas do mercado

As redes sociais são uma das principais ferramentas de divulgação, mas o relacionamento direto com os alunos segue essencial. “O Instagram mostra a rotina do estúdio, resultados e conteúdos educativos. Mas o boca a boca ainda é muito forte”, afirma Juliana. Ela também destaca ações externas, como aulas ao ar livre.

Renata aposta na experiência inicial do aluno. “Uso a estratégia da aula experimental gratuita e 99% das pessoas que fazem fecham comigo.” Quanto ao mercado, as avaliações são diferentes, mas complementares. Juliana vê expansão do setor. “O nicho de bem-estar não é uma moda, é uma necessidade da sociedade atual.”

Renata acredita que o crescimento depende do profissional. “Espaço tem para quem quer se dedicar e fazer um bom trabalho, mas para se manter precisa ter diferencial, não pode ser mais um.”

Apesar das visões distintas, ambas concordam que o futuro do segmento está ligado à qualidade do atendimento e ao compromisso com a saúde integral dos alunos, um modelo que vai além do exercício físico e se consolida como parte da rotina de cuidado com o bem-estar.

*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Hamilton Braga, coordenador do núcleo de Política e Economia