Com quinto aumento seguido no ano, feijão ficou 57,29% mais caro em Belém
Preço do produto disparou de janeiro a maio deste ano, segundo levantamento do Dieese-PA
Pesquisas realizadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE/PA) indicam que o feijão, um dos principais componentes da alimentação das famílias paraenses, acumulou alta de 57,29% nos cinco primeiros meses de 2026, uma variação quase cinco vezes superior ao aumento médio da cesta básica no período.
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Segundo o levantamento, o custo da Cesta Básica de Alimentos dos paraenses apresentou forte elevação de janeiro a maio deste ano. Em Belém, o valor médio da alimentação básica alcançou R$ 755,24 no mês passado, com alta acumulada de 13,30% entre janeiro e maio, percentual superior à inflação do período, estimada em 2,7% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse também foi o quinto aumento consecutivo no ano, mantendo os preços dos alimentos básicos em patamares elevados.
No caso do feijão, os dados analisados apontam um cenário de expressiva carestia ao longo dos últimos meses. Em maio de 2025, o quilo do produto era comercializado, em média, a R$ 5,57. Ao final daquele ano (dezembro de 2025), o preço médio registrou leve recuo para R$ 5,50.
Contudo, já no início de 2026, o produto voltou a apresentar elevação, sendo comercializado a R$ 5,69 em janeiro. Em abril, o valor subiu para R$ 8,52 e atingiu R$ 8,65 em maio. Essa trajetória comparativa de preços revela aumentos significativos de 1,54% em maio de 2026 em relação a abril e, nos balanços acumulados entre janeiro e maio de 2026, a alta chega a 57,29%. No comparativo dos últimos 12 meses (maio de 2025 a maio de 2026), o reajuste atinge 55,29%.
Esses percentuais de reajustes no preço do feijãosuperam em mais que o dobro a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que foi de 4,72% para os últimos 12 meses.
Na avaliação do Dieese/PA, as elevações observadas no preço do feijão decorrem da combinação de fatores estruturais e conjunturais. O produto vem de valorização no mercado, reflexo da restrição de oferta e das incertezas climáticas, sobretudo no Sul do país. Soma-se a isso o encarecimento do transporte e da logística, influenciado pelas oscilações nos preços dos combustíveis, fatores que contribuem para a manutenção dos preços em níveis elevados.
Para este mês de junho, as pesquisas mais recentes do Dieese/PA indicam a possibilidade de novos reajustes, visto que os novos preços coletados não só se mantêm elevados, como também, em alguns casos, estão mais altos.