Acordo entre Mercosul e União Europeia pode abrir novos mercados e atrair investimentos ao Pará
Economista paraense avalia impactos ao Estado após o fechamento do tratado histórico entre os dois blocos econômicos
O acordo histórico firmado entre o Mercosul e a União Europeia, na sexta-feira (6), após 25 anos de negociações, deve promover a redução de barreiras comerciais e abrir novas oportunidades, tanto em escala nacional quanto regional, e pode ser considerado como um marco com potencial transformador para a economia do Brasil e do Pará, conforme analisa o paraense economista e doutor em desenvolvimento econômico André Cutrim.
O tratado entre os blocos define que 91% das importações originárias da UE sejam isentas de taxação sobre o bloco sul-americano, além de assegurar que os fornecedores de bens e serviços sejam tratados como domésticos.
O tratado de livre comércio entre os blocos abre um dos mercados mais exigentes e robustos para produtos nacionais e regionais. “Com a eliminação progressiva de tarifas sobre produtos agrícolas, extrativistas e industriais, o Estado Pará tem a chance de expandir sua pauta de exportações para além de commodities minerais, atualmente predominantes”, aponta o economista.
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O fortalecimento das relações com o comércio internacional pode refletir positivamente na balança comercial paraense, impulsionar o Produto Interno Bruto do Estado e atrair novos investimentos em setores estratégicos da região.
“Produtos típicos da Amazônia, como óleos vegetais, castanha-do-pará, açaí e pescados, poderão acessar o mercado europeu com maior competitividade, ampliando suas cadeias produtivas e gerando emprego e renda para a economia local”, acrescenta o pesquisador.
Impactos em setores estratégicos
Em contrapartida, os padrões elevados de sustentabilidade ambiental e rastreabilidade criam desafios ao Estado, assim como a logística de escoamento das exportações e a inclusão de pequenos agricultores.
“O crescimento das exportações exigirá melhorias nos portos de Belém, Vila do Conde e Santarém, além da integração eficiente com as regiões produtoras. No plano social, a inclusão de pequenos produtores e comunidades tradicionais nas cadeias globais pode reduzir desigualdades e gerar impactos positivos em municípios com menor desenvolvimento econômico do nosso Estado”, explica Cutrim.
De acordo com o pesquisador, os setores com maior potencial de crescimento resultante do tratado são o agropecuário e o extrativista.“A agroindústria local, focada em produtos de valor agregado como sucos, polpas e derivados de castanha, pode crescer significativamente ao acessar novos mercados com tarifas reduzidas. A produção de itens ligados à sociobiodiversidade, como o cacau amazônico, também pode se consolidar como um diferencial competitivo, dado o interesse europeu em produtos sustentáveis”, completa.
Apesar do otimismo em alguns setores com o potencial do acordo, para o Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral), ainda é cedo para avaliar os impactos que o tratado pode trazer ao Estado.
“A indústria da mineração e, mais precisamente o Pará, não sofrerão impactos a curto prazo com o novo acordo firmado entre Mercosul e União Europeia, pois neste momento não afeta diretamente este comércio. O resultado da indústria da mineração reflete diretamente no desempenho da economia brasileira, portanto precisamos analisar como a economia e as exportações responderão às diretrizes do acordo para depois termos uma análise mais precisa”, avalia Anderson Baranov, Presidente do Simineral.
Tópicos abordados no acordo:
- Comércio de Bens
- Regras de Origem
- Facilitação de Comércio
- Apoio a.Pequenas e Médias Empresas (MPMEs)
- Propriedade Intelectual
- Não discriminação a prestadores de serviço
- Compras Governamentais
- Empresas Estatais
- Solução de Controvérsias
- Comércio e Desenvolvimento Sustentável
- Barreiras Técnicas ao Comércio
- Setor Automotivo
- Defesa Comercial e Salvaguardas Bilaterais
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