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Vitor Ramil transforma música e palavra em imagens poéticas no palco em Belém

Cantor e compositor faz dois shows na capital paraense, nesta sexta (10) e no sábado (11), na Teatro Estação Gasômetro, no bairro de São Brás

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Desde cedo, o cantor e compositor gaúcho Vitor Ramil, natural de Pelotas (RS), irmão caçula da dupla Kleiton e Kledir, mantém uma relação profunda com a música e a literatura, ou seja, com a palavra escrita, cantada, enfim, sentida. A partir desse encontro, Vitor construiu uma carreira artística ímpar. Tornou-se um menestrel de versos e melodias que contam muito além dos pampas, falam da poética que existe em toda pessoa e em todo lugar. Construiu amigos e plateias, como as de Belém do Pará. Por isso, nesta sexta-feira (10) e no sábado (11), às 19h30, no Teatro Estação Gasômetro, na capital paraense, Vitor vai se reencontrar com o público em um show que servirá para ele compartilhar as imagens de canções que contam sua trajetória no tempo. Para isso, vai se valer de palavras e sons e ainda terá a participação especialíssima de uma amiga, a cantora paraense Simone Almeida.

Vitor Ramil está na maior expectativa por esse reencontro com os fãs e o público em geral na capital paraense. “Belém é um dos meus públicos favoritos, é um lugar onde eu tenho uma identidade assim, com o público, extremamente forte, afetiva. Eu acho o público daí muito musical, eu me sinto integrado com a plateia. Então, é a minha expectativa de sempre, assim, de uma noite de muito prazer musical”. 

O cantor conta que, na formatação do show a ser apresentado ao público em Belém, existe algo peculiar. “Aí, em Belém, tem uma coisa interessante que é essa canção ‘Assim Assim’. Eu praticamente só toco aí, né? Agora, essa história de Belém com essa música tem me feito voltar cada vez mais a essa canção”. 

“É algo bem interessante, tanto que fiz uma leitura dela no violão, à minha maneira atual de tocar. Então, eu devo encarar um pouco esse show como uma volta a essa canção. Talvez até eu passe a tocar ela em outros shows, em outros lugares também.Tudo graças a Belém, né?”, diz. 

“Assim Assim” está no primeiro álbum de Vitor Ramil (“Estrela Estrela”, 1981). Como ele revela, compôs essa canção com 18 anos de idade, e a letra é do Kledir, irmão dele, com dez anos a mais que Vitor, ou seja, com uma vivência que Ramil não tinha na época. “Então eu nunca me senti muito dentro do que essa canção falava, sabe? Embora eu sempre gostasse muito da música dela e tudo. Eu gosto da letra também, mas a letra tem uma vivência que eu nunca tive naquela idade, não tinha aquela idade, né?”.

A repercussão de “Assim Assim” em Belém denota a importância da rádio para possibilitar a proximidade do trabalho desse artista com o público em solo belenense. “Isso  demonstra assim o potencial radiofônico de muitas canções minhas que rádios de outros lugares nunca acreditaram, apostaram nisso, nem mesmo as gravadoras apostaram nisso, né?”, ressalta o compositor.

Vida na arte

“Sempre fui tratado como um compositor assim de elite, difícil e que eu sempre achei uma bobagem isso, um erro muito grande, e Belém me mostrou isso aí assim. Mas claro é que eu reconheço também que  Belém tem uma música, uma musicalidade assim, um tom acima. É um lugar realmente muito sensível à boa música e tudo mais. Muito musical”, pontua.

Adianta que no show em Belém vai estar bem acompanhado do violão para “tocar minhas canções de várias épocas”. Isso inclui canções do álbum “Mantra Concreto”, de 2024, todo ele feito em cima de poemas do curitibano Paulo Leminski (1944-1989), além de sucessos como “Estrela, Estrela”, “Loucos de Cara”, “À Beça” e “Joquim”.

Vitor conta que, antes de sair o álbum “Tango”, de 1987, com a faixa “Joquim”, uma versão de “Joey”, de Bob Dylan (disco “Desire’, que faz 50 anos em 2026), uma pessoa na gravadora questionou se essa canção iria tocar nas rádios. E a música é há muito tempo uma daquelas que não podem faltar nos shows do artista.  

Vitor conta que conhece a cantora paraense Simone Almeida há anos, “e aí combinamos de cantar”. O fruto dessa parceria musical o público confere no show deste final de semana em Belém. Ele acaba de completar 64 anos de idade na terça-feira (7). 

Gravou o primeiro disco aos 18 anos, mas a primeira canção foi composta com 14. No caso, “Mina de Prata”, gravada pela cantora Zizi Possi em 1980. A partir desta música até hoje, feita aos 14 anos de idade, são 50 anos de estrada de Vitor na música.  Vitor Ramil tem composições gravadas por diversos intérpretes da música brasileira. 

Esses anos todos de convívio com a música e a literatura expressam a essência desse artista. Vitor conta que mora hoje na casa em que praticamente nasceu, em Pelotas (RS), “onde tudo começou para mim, com relação a fazer música, a ler, a fazer tudo o que eu faço”. Ramil diz que a arte da música e a arte da literatura compõem a sua “maneira de ver as coisas”.

“Eu tenho um olhar bem de compositor, assim, de fazedor de síntese. Nunca passei períodos da minha vida sem estar tocando, compondo, cantando”. 

“Na minha família isso era antes de mim e depois de mim filhos e até os netos já estão cantando e tocando, né? Então é uma família metida na música mesmo”, diz Vitor. Sobre o seu processo criativo, Vitor destaca: “A gente mais ou menos percebe quando vai compor algo. Tu tem uma sensibilização meio súbita assim. Então, tu às vezes tá burilando um instrumento e quando tu vê tu foca num caminho harmônico, numa melodia, ou percebe às vezes que vai sair alguma coisa. Às vezes, tu tá andando na rua e vem algo. Hoje em dia, o que eu faço muito é gravar logo que eu começo a ter alguma ideia”. “Claro, tu pode sentar e compor algo, mas as canções fortes, elas meio que se impõem a ti, né?”.

Desde garoto, ao lado dos irmãos, ele tomou consciência da construção poética e musical, desenvolvendo um grande gosto por escrever. “Quando eu tô escrevendo um ensaio ou um texto em prosa, por exemplo, a música tá sempre presente na minha cabeça, né? A frase tem um ritmo, né? Tem um cuidado na escolha das palavras, no fato de evitar rimas, por exemplo, numa prosa; tudo isso é uma espécie de consciência”, destaca. 

“E, com o tempo, o violão também passou a adquirir essa característica (integração de música e letra). A maneira de tocar o violão, de construir os acordes, passou a fazer parte da canção mesmo”. E isso tudo gera imagens poéticas que o público vai conferir agora no Teatro Estação Gasômetro.

 

Serviço:

Show Vitor Ramil

Em 10 e 11 de abril de 2026

Às 19h30

No Teatro Estação Gasômetro,

na av. Governador Magalhães Barata, 830, 

no bairro de São Brás, em Belém (PA)

Ingressos antecipados:

www.sympla.com.br

Ponto físico: Loja Outer – Boulevard Shopping, 2º piso

Informações: (91) 98510-5190

 

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