Thiago Thiago de Mello dá voz à memória em show e livro em Belém
Autor e compositor apresenta o show “Nada Vai Sumir” e lança o livro “Uma varanda no meio do rio” no Núcleo de Conexões Na Figueiredo, nesta quarta (14), às 20h
A memória consegue perpetuar momentos, saberes e, de forma mais abrangente, a identidade de uma pessoa e de um povo. Filho de uma das vozes da Amazônia, o poeta, tradutor e jornalista amazonense Thiago de Mello (1926-2022), o escritor e compositor Thiago Thiago de Mello apresenta em Belém o show “Nada Vai Sumir” (álbum de 2025), às 20h desta quarta-feira (14), no Núcleo de Conexões Na Figueiredo, com entrada franca. Na mesma ocasião, ele lança seu primeiro livro “Uma varanda no meio do rio”, em que revela ao público textos, poemas e letras de música reunidos a cartas, e-mails, bilhetes e fotos de seus antepassados. O show marca o começo das comemorações do centenário do poeta Thiago de Mello.
Esse cantador, professor e compositor nasceu no Rio e foi criado na Amazônia e mantém uma relação umbilical com o Rio Andirá que banha a Cidade de Barreirinha (AM), onde nasceu o pai dele.
“Vai ser uma celebração de música e poesia, que é como eu sinto Belém, também. Eu sou apaixonado por Belém, é uma das cidades mais fantásticas em que eu já estive. E me interessa muito o lado cancionista de Belém. Eu sou um cancionista e sempre fiquei encantado pelo cancioneiro amazônida feito na cidade. Isso sempre me influenciou, desde quando eu era adolescente, escutando os discos do Nilson Chaves. O Nilson é uma figura muito importante na minha trajetória como compositor”, ressalta Thiago. Ele menciona o trabalho do Arraial do Pavulagem, de Ronaldo Silva e Allan Carvalho. O show de Thiago terá a participação muito especial de Nilson Chaves e Allan Carvalho.
No meio dos rios
Thiago diz que o álbum e o livro são obras-irmãs. “Uma varanda no meio do rio” (2023) é por enquanto o único livro dele, “um livro de memória em canções, textos em prosa, poemas e muitas histórias sobre a minha família, uma família amazônica”.
O livro tem um tom expressivo de memória, “e memória me interessa muito como assunto”, como diz Thiago. “E o disco ‘Nada Vai Sumir’ aprofunda isso, no lado da canção, no lado musical. O próprio título que dá nome a uma canção do disco eu acho que é um desejo, porque a gente sabe que as coisas desaparecem, vão embora, mas muita coisa fica, também. Então, me interessa muito essa dialética entre o que some, o que desaparece e aquilo que permanece”, pontua o escritor.
Além de “Nada Vai Sumir”, celebrando a natureza e a identidade amazônica e reunindo composições em homenagem ao pai, o compositor Thiago Thiago de Mello lançou os álbuns “Amazônia underground" (2017) e “Amazônia Subterrânea" (2020).
Antes mesmo de tocar algum instrumento musical, Thiago sempre se viu como um compositor. E esse processo foi ficando cada vez mais caudaloso, como diz. “Sempre fazendo canções, canções em parceria. Eu adoro fazer canções em parceria, porque parceria abre caminho, conecta mundos, cria soluções inusitadas. O mundo precisa disso”, salienta.
Ele diz ser bem interessante ouvir a composição de um autor cantada por outra pessoa, “para que a música possa viajar e conectar outras pessoas, outros mundos”. Thiago observa que a canção apresenta-se como uma utopia, algo que só existe quando se escuta”. “Sem canção não existe mundo, né?”, assinala o compositor.
No mergulho que fez na sua própria memória e nas investigações sobre o mundo, Thiago Thiago de Mello percebeu “desde sempre que a Amazônia faz parte da minha constituição como ser, como compositor”. E isso se fundamenta no elo entre o Rio de Janeiro onde mora e o Rio Andirá, na Cidade de Barreirinha (AM), no Distrito de Freguesia do Andirá, região que banha a memória dele. Lá o poeta vai todos os anos e onde desenvolve ações sociais permeadas pela arte. Para ele, cantar a Amazônia é fundamental para que as pessoas possam se conectar com esse bioma, “coração do mundo e nossa casa-mãe”, como frisa. Essa conexão entre o mundo urbano e o mundo das matas, dos rios, dos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos se expressa na vida e na obra de Thiago Thiago de Mello, como o público poderá conferir na apresentação em Belém. E como diz o próprio Thiago que caminhar em parceria por meio de canções é muito melhor em todos os sentidos, o rio da memória não para de seguir como uma varanda sobre as águas a dizer a todos que “nada vai sumir’. Mas, sim, ecoar no tempo.
Serviço:
Show ‘Nada Vai sSumir’ e lançamento do livro
‘Uma varanda no meio do rio”
De Thiago Thiago de Mello
Em 14 de janeiro de 2026, às 20h
No Núcleo de Conexões Na Figueiredo,
na avenida Gentil Bittencourt, 449, na
esquina com a Benjamin Constant, bairro
Nazaré - Belém (PA)
Entrada franca
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