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Thiago Lacerda fala sobre rótulo de galã, paternidade e volta às novelas: 'me sinto em casa'

Segundo o ator, a ausência começou a ser mais percebida pelos espectadores especialmente no último ano e meio

Estadão Conteúdo
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Thiago Lacerda retorna à TV Globo após um hiato de três anos, marcando sua volta à televisão aberta com a nova novela "Por Você". Durante o afastamento, o ator se dedicou ao teatro e a projetos como a minissérie "Ângela Diniz: Assassinada e Condenada", da HBO Max.

Em entrevista ao Estadão, Lacerda descreve o período como um afastamento "circunstancial" e natural. Ele afirma que sua carreira começou na televisão, sentindo saudade do veículo e tendo orgulho de sua trajetória na TV Globo.

O ator encarou o convite para o novo folhetim, assinado por Dino Cantelli e Juliana Peres, com naturalidade. Para ele, é um prazer retornar à TV, à TV Globo, um lugar onde se sente em casa, após um período de maturação "muito saudável, muito bonito".

O reencontro com o público

A volta à televisão aberta também significa o reencontro com um público que passou a cobrar sua presença nas novelas. Segundo Lacerda, a ausência foi mais percebida pelos espectadores nos últimos um ano e meio.

Ele relata que as pessoas começaram a perguntar "Quando é que você volta? Cadê?" com frequência, achando curioso ver essa relação com o público.

O personagem Gabriel e a paternidade

Na nova novela, Thiago Lacerda interpreta o advogado Gabriel, um homem que cresceu em uma casa de acolhimento após ser abandonado. Ele tem uma relação valiosa com a filha Leandra, vivida por Giovana Grigio.

A experiência de dar vida a um personagem com história tão diferente da sua o levou a refletir sobre sua própria relação com a paternidade.

Lacerda pontua que "trazer essa perspectiva para a relação com a filha em cena" é revisitar sua maneira de se relacionar com os filhos. Ele vê o exercício humano da profissão como algo transformador.

Gabriel também reencontra Bela (Sheron Menezzes), com quem viveu um grande amor na juventude. Para o ator, a possibilidade de imaginar o que poderia ter acontecido e as mudanças do tempo tornam a história interessante.

Ele expressa interesse em investigar "essa ideia do que poderia ter sido" se as escolhas fossem outras, e o que ocorre após o reencontro dessas pessoas. Para Lacerda, o personagem é um dos motivos de sua felicidade com o retorno. Ele considera Gabriel "muito delicado", com profundidades, e sente-se feliz ao ir gravar.

Uma nova fase na carreira

Durante os três anos afastado das novelas, Thiago Lacerda, de 48 anos, dedicou-se ao teatro, cinema e streaming. A interrupção do vínculo com a TV o fez refletir sobre os próximos capítulos de sua carreira.

Ele afirma que a mudança de percepção veio com a interrupção do vínculo com a TV, algo simbolicamente significativo. Sua relação com a empresa, de mais de 25 anos, já previa o estabelecimento de um novo tipo de vínculo.

A distância o fez pensar sobre como seria a segunda metade de sua carreira sem a televisão como eixo. Ele considerou o período muito interessante, com muitas coisas acontecendo.

Nesse período, o teatro ganhou espaço em sua trajetória, com encenações como "A Peste" e "Quem Está Aí? Monólogos de Shakespeare". O retorno às novelas é visto como parte de uma transformação profissional mais ampla.

Lacerda destaca o foco no teatro e no trabalho para o audiovisual fora da TV. Ele vê o retorno à TV como um aspecto dessa transformação, sentindo-se em um "momento lindo" com pessoas que o interessam.

A paixão pelo ofício e a experiência

Quase 30 anos após o início da carreira, em "Malhação" (1997), Lacerda reconhece no jovem a curiosidade, força e determinação. A paixão pelo trabalho e a "fome daquele menino" ainda estão presentes.

O que mudou, segundo ele, foi o acúmulo de experiências e o tempo. Lacerda afirma que seus personagens e seu ofício o transformaram completamente.

Apesar das mudanças, o ator mantém a inquietação do início da carreira. Ele possui mais possibilidades agora, mas o "tesão, a determinação, a curiosidade" permanecem, gerando prazer pelos próximos personagens.

O rótulo de galã

A trajetória de Thiago Lacerda foi marcada pela imagem de galã, mas ele nunca deixou que o rótulo determinasse suas escolhas. Lacerda afirma nunca ter se preocupado com isso, pois tinha "mais coisa pra fazer".

Ele entende o rótulo como parte da cultura, mas nunca o incorporou à sua maneira de se relacionar com o trabalho.

A escolha de um personagem nunca esteve ligada ao fato de ser mocinho, galã ou herói. O que sempre o interessou foi o "humano para comunicar" e como fazer isso chegar ao público.

Hoje, Lacerda diz não se importar com a classificação do público (galã, ex-galã, maduro). O que o envaidece é a relação de seus personagens com a plateia, a conexão com a história.

Paternidade: desafios e ensinamentos

A paternidade é outro aspecto importante na vida do ator, pai de três filhos: Gael (18), Cora (16) e Pilar (11), frutos do casamento com a atriz Vanessa Lóes. Ele afirma que a convivência com as crianças o confronta diariamente com suas limitações.

A paternidade traz a consciência da fragilidade e contradições humanas, provocando no lugar do "quem somos nós". Lacerda destaca que as crianças o ensinam cotidianamente.

Ao falar dos filhos, Lacerda se emociona, lembrando de um momento com Gael. Ele agradeceu ao filho por ensiná-lo a não se conformar, buscando ser mais honesto, verdadeiro e responsável.

Para ele, a conexão construída com os filhos é um dos maiores privilégios da paternidade, algo "maravilhoso".

O desafio do próximo personagem

Após quase três décadas de carreira, o que continua provocando Thiago Lacerda é o que vem pela frente. Cada novo personagem traz de volta a insegurança e a vontade de descobrir até onde consegue chegar.

O ator afirma que o desafio é sempre o próximo personagem, como acessá-lo e como se colocar a serviço de provocar a reflexão no público. Ele ainda sente "frio na barriga" e questiona se conseguirá alcançar o objetivo.

Lacerda fala com entusiasmo sobre "Por Você", que remete à memória afetiva da televisão brasileira. Ele considera a novela "linda", com texto ótimo e personagens interessantes.

O ator destaca o "frescor" e a "carioquice" da trama, que evoca uma "memória do Manoel Carlos", autor de sucessos como "Páginas da Vida" (2006) e "Viver a Vida" (2009), nos quais ele atuou.

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