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‘Te Dou Um Norte’: público entra na festa do novo álbum do Mestre Manoel Cordeiro

Trabalho autoral dialoga com ritmos diversos e envolve parcerias de nomes da música brasileira, chega às plataformas digitais nesta sexta (22)

Eduardo Rocha
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“Te Dou Um Norte”. O título do terceiro álbum solo do multi- instrumentista paraense Manoel Cordeiro, 70 anos, 59 de carreira artística, remete quem o contempla a um gesto de carinho, de acolhimento, como a sugerir uma boa trilha na vida. E o disco tem esse sentido mesmo. Afinal, Manoel dispensa apresentações como compositor e músico histórico na música paraense e que a cada dia torna-se mais conhecido do público brasileiro e de fora do país – ele e o filho Felipe Cordeiro acabam de regressar de apresentações na China. Pois bem, esse novo trabalho autoral de Manoel Cordeiro tem lançamento nesta sexta-feira (22) nas plataformas digitais, ou seja, a partir de agora, o público já pode curtir a festa do novo disco desse mestre da guitarrada e de outros ritmos amazônicos.

Não poderia ser melhor o clima para o lançamento de “Te Dou Um Norte”. Manoel conta que “a impressão mais nítida da capacidade, da potência da música da Amazônia, foi essa experiência em Xangai, na China”.

“Fiz o masterclass de música popular brasileira feita na Amazônia e a métrica da guitarrada paraense. Fizemos essas intervenções com duas intérpretes, e o interesse da juventude do povo chinês pela música que a gente estava mostrando, pela música que a gente estava falando, foi fantástico. E para a surpresa da gente, no show, quando a gente fez o show, um dia depois, tinha muita gente, superlotado, e umas interações fantásticas”, relata Manoel.

“O povo quer entender a dança, o povo perguntando ainda sobre técnicas de guitarras. Então, eu percebi que a nossa música é muito empática, ela é muito carismática, e que a gente pode fazer dessa música um instrumento de sustentação, geração de emprego, renda, e que a gente possa ser uma referência. Nós devemos ser uma referência para a música brasileira e para a música mundial”, enfatiza o músico.

Com a expertise de quem já produziu cerca de mil álbuns de vários artistas e teve sua obra reconhecida como patrimônio cultural e imaterial do Pará, em 2025 (Lei 11.180), Manoel Cordeiro assina a produção do álbum juntamente com Gustavo Ruiz. Álbum totalmente conectado com as sonoridades da Amazônia, com ritmos como carimbó, lambada, brega e zouk, em arranjos sofisticados para equilibrar tradição popular e linguagem contemporânea. A guitarra de Mestre Manoel conduz o disco como fio narrativo e assinatura estética.

Esse compositor e músico de mão cheia se revela em dez faixas, entre inéditas e outras reencontradas pelo multi-instrumentista. E tudo em muito boa companhia no álbum: Lia Sophia, Patrícia Bastos, Keila, Emília Monteiro, Fernando Catatau, Igor Capela, Luiz Pardal e o coletivo Lambada de Serpente.

“Para compor esse Norte que a gente pretende oferecer neste disco”, Manoel Cordeiro convidou, por exemplo, a cantora e compositora Lia Sophia. Os dois fizeram ‘Oh Sorte’, em que fala da importância da guitarra como fio condutor da composição, da música da gente aqui”.

“Uma outra música foi uma parceria que eu fiz com o Joãozinho Gomes sobre essa questão da Amazônia. Eu acredito que a Amazônia deve ser uma referência do Planeta Terra, porque nós temos tudo aqui, inclusive, inteligência no sentido de que a gente tem ancestralidade, as águas doces, salgadas, florestas, rios, parteiras, ribeirinhos. É uma sabedoria que remonta antes do descobrimento disso tudo aqui. Bom, então, essa música chama-se ‘Floresta em Pé’, e trata dessa questão de a gente cuidar da floresta, da nossa floresta, da nossa região. A cantora Patrícia Bastos (AP) canta esse carimbo, que tem Felipe Cordeiro na programação de bateria percussão.

Cordeiro fez a lambada flamenca “Pocoroco” com Leandro Dias, “um garoto genial que morreu muito precocemente e que a gente se encontrou uma vez em São Paulo e aí combinamos de fazer uma lambada”.

Mestre-aprendiz

Manoel Cordeiro diz que “uma das coisas que mais me deixa feliz é poder estar em contato com o que está acontecendo de novo”. “Eu acho que eu já estou tendo contato com a terceira ou quarta geração de artistas, desde quando eu comecei lá atrás, eu estou com 70 anos. Isso é uma coisa assim muito fresca na minha cabeça, muito recorrente, eu sempre quero estar entendendo, aprendendo com as pessoas mais jovens que estão chegando e tal”.

Com a cantora Keila Gentil (ex-Gang do Eletro), “uma cantora potentíssima, uma garota talentosa, Manoel construiu um zouk love: “Chuva de Foguinho”. Manoel conta que ele e o guitarrista Igor Capela fizeram um cacicó poderoso, “Kassaviando”, que abre o disco. E como brega marcante, o Mestre gravou “Fim de Festa”, uma releitura. “Tinha uma música minha de 1986, eu convidei o Fernando Catatau, que deu um toque, uma pitada de rock fantástica, e a gente ficou muito feliz de ver um brega marcante, com cheiro de rock e swing latino”.

“E uma música muito especial para mim, muito afetiva, é o ‘Boizinho dos Caetés’. É um boi, com referência de Bragança, uma homenagem a meu pai (Raimundo Cordeiro) que era cearense, mas morou muitos anos em Bragança, e era apaixonado pelo município, assim como eu também sou apaixonado por Bragança. Então eu fiz esse boizinho (em que ele recita uma poesia de Ronaldo Silva), o ‘Boizinho dos Caetés’, e convidei um dos músicos mais geniais dessa terra, o Luiz Pardal, para tocar a rabeca bragantina. Eu fiz um dueto de piano com ele”.  Em “Zouk Serpente”, Manoel dialoga com a nova geração em participação da banda Lambada de Serpente, de Brasília, que fez os beats. A música é do mestre, que assumiu os teclados e a guitarra solo.

“Te Dou Um Norte” surgiu primeiramente como “Patrulheiro da Costa Norte”, como relata Manoel Cordeiro, na ideia de se prestar atenção no que ocorre no Norte do Brasil, de cuidar de onde se vive. A música é um marabaixo eletrônico misturado com timbres psicodélicos de teclados.

“E que tem essa função de dar ao norte o sentido de rumo, de tomarmos o rumo, de dar um rumo, um rumo interessante, principalmente um rumo inteligente, inteligente, inclusive, emocional, ou talvez principalmente emocional, no momento em que está todo mundo doido nesse planeta, em que esses governantes das grandes nações parecem que desaprenderam tudo o que aconteceu. Estão fazendo uma coisa louca atrás da outra. Eu acho que a gente deve se acalmar e se centrar na sabedoria do povo da Amazônia, o que é uma grande saída, uma saída inteligente”.Como se vê, Manoel Cordeiro vem com tudo no novo trabalho solo que o público confere a partir desta sexta (22).

 

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