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Seu Godofredo: saiba quem é o boêmio dançarino da noite de Belém

Com elegância e ginga, Godô mantém os salões movimentados

Bruna Lima

Quem já chegou cedo pra dançar com seu Godofredo? Quantas já não entraram na fila para alguns segundos de embalos e holofotes na pista? Seu Godô é uma das figuras mais festejadas (e disputadas) da noite paraense e já ganhou até música do guitarrista Félix Robatto. Nesta edição da série "personagens da noite" de O Liberal, vamos conhecer Godofredo Elleres, 69, mais um ícone da noite de Belém.

Godofredo chega aos lugares sempre cheio de disposição e acompanhado do inseparável chapéu Panamá (Marcio Nagano/O Liberal)

 

Cheio de disposição e de seu inseparável chapéu Panamá, seu Godô é conhecido pelas festas da capital por ser um bailador de damas. De forma elegante e cheio de ginga, é disputado nos salões. Com andar suave, geralmente chega sozinho nos lugares, mas o que não falta é companhia para aproveitar uma noite de dança, uma paixão a qual ele atribui seu apreço pela vida noturna.

"Eu gosto de dançar desde garoto, eu tinha 12 anos. Essa influência é do meu pai, pois ele gostava muito de dançar e a minha mãe nem tanto. Então ele dançava com a minha irmã mais velha. A gente ia para festas paroquiais, para os bailes e foi nesses espaços que fui nutrindo ainda mais esse amor pela dança", explica Godô.

O personagem dançarino diz que dançar lhe proporciona alegria, satisfação e lhe possibilita interagir com pessoas de diferentes realidades. Ao pisar nos bailes, sempre encontra algum conhecido. "Quando eu chego nas festas, já escuto 'olha o seu Godô'. E isso é muito legal, pois é muito bom conversar com as pessoas e dividir momentos agradáveis", completa. E como bom cavalheiro, costuma levar camisas extras no carro que troca quando está muito suado para que a parceira de dança fique mais à vontade.

Godofredo Elleres é conhecido por ser uma grande bailador da noite belenense (Marcio Nagano/O Liberal)

Agenda movimentada

Sua agenda é agitada e predominantemente vai a locais onde pode desfrutar do prazer da dança. As saídas começam às segundas, quando vai a um bar próximo de sua casa apenas para beber algo e escutar uma boa música. Às terças, o ritmo segue tranquilo e procura visitar espaços culturais. Às quartas, já começa a esquentar e marca presença na festa Quartas Tropicais e às quintas, é presença confirmada nos shows de Félix Robatto, eventos realizados no Espaço Cultural Apoena. Aliás, foi na "Quintarrada", festa criada pelo músico, que Godô passou a ter mais evidência especialmente para turma mais jovem. A festa mudou de nome, passou a se chamar "Lambateria", já passou por alguns lugares, mas em todos e até hoje, seu Godô é uma atração à parte. É possível contar nos dedos as edições em que ele não esteve presente.

Elegante e cheio de ginga, "seu Godô" é disputado nos salões (Marcio Nagano/O Liberal)

Não à toa, ganhou uma música do guitarrista que dedica um momento de seu show para cantar "Seu Godofredo", quando formam uma roda no salão com fila para dançar com Godô. Aos sábados, marca ponto no restaurante Na Maré. Sextas e domingos também são dias de festa e a agenda fica por conta do que está em cartaz. Muitas vezes, a noite começa em um espaço e termina com uma peregrinação por vários outros, que geralmente acaba no Lobo´s Bar ou The Beatles.

Godô diz que se sente honrado com a música feita por Félix Robatto, pois foi algo que surgiu de forma despretensiosa e natural.

“Como eu disse, passei a frequentar a Quintarrada pela música e pelo amor pela dança e daí quando ele mudou de espaço, eu permaneci. Toda essa convivência e presença assídua acabou gerando uma aproximação e observação por parte do Félix, que teve a sensibilidade de fazer a música. Eu realmente me sinto muito feliz”, revelou o dançarino.

A presença do dançarino é tão marcante que chegou a ser tema de baile na cidade: no último mês de fevereiro, mês do carnaval, ele recebeu uma homenagem com o “Baile do Seu Godô”, no Espaço Cultural Apoena. O evento contou com marchinha, samba, guitarrada e brega paraense, gêneros que embalam o boêmio.

Vitalidade aos 69 anos

Mas quem pensa que a vida boêmia é assegurada pela aposentadoria de alguns anos se engana. Foi só no dia 29 de abril de 2022 que o técnico de Telecomunicações Godofredo Elleres se aposentou da operadora de telefone onde trabalhou por décadas e foi, durante muitos anos, membro do Sindicato dos Trabalhadores das Telecomunicações.

Elegante e cheio de ginga, "seu Godô" é disputado nos salões (Marcio Nagano/O Liberal)

Este apaixonado por Samba e música paraense, é casado, há 44 anos, com Coaracy Luana, e diz que gosta da vida e se sente ainda mais vivo no salão. Com três filhos que eventualmente lhe acompanham nas festas, tem quatro netos. As mais novas, Maria Luiza e Maria Júlia, ele sempre leva para os locais com programação cultural cedo. Será que elas manterão vivo o legado do avô?

E se alguém quiser dançar com Godô, é só seguir a música do Félix: "Chega cedo se tu quer dançar com seu Godofredo, não vacila, pega tua senha e entra na fila, o cara é requisitado, com ele o salão não fica parado, estilo respeitador, chapeu Panamá, jeito de vovô, no copo é profissional, ele fica legal, mas não perde a moral, é o Godô".

Cultura
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