Ocupação da Feira do Açaí celebra 8 anos de resistência e carimbó em Belém
O evento gratuito contará com cinco horas de programação, reunindo mestres e grupos de carimbó para fortalecer a identidade amazônica e promover o encontro entre gerações no Centro Histórico
A Ocupação da Feira do Açaí completa oito anos de atividade no dia 12 de abril de 2026, com programação gratuita a partir das 17h. O projeto teve início em 2018, durante um cortejo de carnaval organizado pelo Coletivo Cidade Tambor e o Coletivo Ideias Aí, estabelecendo-se como uma ação cultural dominical no local. A iniciativa é gerida por Gabiru Cigano, Ronaldo Nunes e Almir Santos, funcionando por meio de contribuições voluntárias e apoios para custear a estrutura e o pagamento dos artistas.
O palco aberto, como na Feira do Açaí, promove o escoamento da produção de carimbó em Belém com a chegada de mais admiradores e adeptos, além de valorizar a cultura.
“A gente percebe a presença da juventude, porque tem muito na cabeça que o carimbó é música de ancestral, já que no interior, quem fazia o carimbó eram os mestres, os idosos, as senhoras. O carimbó também é um culto, ele parte de uma premissa de uma religião, de um credo, de um povo que foi escravizado, depois se mistura. O carimbó é exatamente essa luta; se a gente não trabalhar com esse aspecto de atrair as novas gerações, aí fica muito difícil a gente manter essa cultura, essa tradição”, disse Cuite Marambaia, mestre, artista plástico e produtor cultural.
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De acordo com ele, o conceito de tradição não se limita ao que é antigo, mas se define como o princípio de uma cultura e de uma identificação que necessita de renovação constante para sobreviver. Para aqueles que detêm o título de mestre, seja pela idade ou pelo tempo de dedicação cultural, a aceitação do novo é fundamental, pois, sem esse processo de renovação, as manifestações culturais correm o risco de desaparecer.
“Eu tenho um carimbó que fiz com um grupo que se chamou Os Moleques do Carimbó, que diz o seguinte: ‘o carimbó não morreu, renasce assim, feito flor, o carimbó nunca morre, porque tem moleque tocando tambor’. Moleque no sentido de juventude, de novo, de criança, não no sentido pejorativo, mas no sentido de ressignificando a palavra”, acrescenta.
A edição de aniversário terá cinco horas de duração e contará com apresentações de Mestre Dimmi Paixão, Uirandê Gomes, Cuite Marambaia, Maiara Almeida, DJ Lia Gloss, Gabiru Cigano e Tommil Paixão. Também participam os grupos Carimbó Volta ao Mundo, Carimbó Selvagem e o Coletivo Cidade Tambor. Além das apresentações musicais, o evento terá uma feira criativa com artesãos locais, uma roda de conversa sobre a ocupação de espaços públicos e o registro para um documentário sobre a história do projeto.
A organização estima um público entre 150 e 200 pessoas para a celebração, que inicia o planejamento para o aniversário de dez anos em 2028. De acordo com a produção, a ocupação atua como um instrumento de "fortalecimento da identidade amazônica" e se mantém como um "símbolo de resistência cultural" em Belém, tendo operado continuamente desde a sua fundação, inclusive durante o período da pandemia.
“A gente está ali porque tem todo um patrimônio. A gente coloca coisas móveis para o dia do carimbó, mas depois a paisagem volta a retornar ao que ela é, e isso é um conceito muito interessante. Para a gente, como já é uma agenda da cultura de Belém hoje, com todas as dificuldades, sem apoio e sem nada, sem ainda ter uma institucionalidade, de certa forma, a não ser pelos nossos recursos, nossas buscas, cada artista, cada grupo e o coletivo buscando sempre para poder fazer esse fomento através de coleta, ali é muito sofrível; ali a gente não consegue pagar a caixinha de artista, a não ser a ida e a volta. Mas a gente insiste, porque a gente sabe que a nossa cultura do Pará só vai ter esse reconhecimento a partir de uma insistência e de uma divulgação. Então, a gente sempre pede para quem vai lá, que bote em suas festas o nosso carimbó, porque o carimbó é a música verdadeira do Pará”, finaliza Cuite Marambaia.
Agende-se
Data: domingo, 12
Hora: 17h
Local: Feira do Açaí - Tv. Marquês de Pombal, 44 - Campina, Belém
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