Thais Badu aposta no pop em 'Mama System', seu álbum de estreia

“Nada é em Vão”, single que precede o lançamento de Mama System, será apresentado para o público no dia 15 de janeiro

Caio Oliveira

Nada é em vão. Além de uma mantra, esse é o título da faixa que abre “Mama System”, álbum de estreia da cantora e compositora Thaís Badu, e parece resumir a trajetória da paraense que, após muita luta para se encontrar artisticamente, vai realizar um sonho antigo e lançar um disco com uma atmosfera mais pop. O trabalho será apresentado ao público no dia 29 de janeiro em uma live no Youtube, e será um pouco diferente do EP “Sou Preta”, trabalho que projetou Thaís na cena musical, onde ela falava sobre a mulher poderosa que existe dentro de todas e abordou temas como preconceito, racismo e homofobia por meio da poesia do rap.


“Tem uma diferença que eu identifico. O ‘Sou Preta’ foi um desabafo, pra mim, na fala, na escrita da música. Eu acho que a letra no EP foi muito importante, o ato de falar, e nesse álbum novo, a gente tá vindo em uma pegada mais pop, então as letras tão vindo mais leves”, explica Thaís, reforçando que não abandonou a defesa das bandeiras que ela acredita. “A gente continua com isso na nossa figura, no que a Thaís Badu representa, o visual que ela traz nos clipes, falando de representatividade, segregação, racismo, mas não tanto nas letras. O álbum tá mais pop, com mais hit, mais coreografias, mais dança”, contou.


Antes de seguir na entrevista com O Liberal, a artista teve que explicar porque ela fala de Thaís Badu na terceira pessoa. “Eu sou um pouco nerd, na minha essência [risos]. Eu uso óculos, gosto de ler mangá, ler livros, ver séries… A Thaís Badu montada é uma mulher super poderosa, e eu me transformo. Não é mais só a Thaís, é uma potência. Eu boto lace, maquiagem, figurino, e a Thais geralmente não é assim, então, eu sempre uso essa persona, que me dá mais coragem, desenvoltura”, disse a artista sobre seu alter-ego. Essa mulher que ela incorpora vem para levantar a bandeira de igualdade entre os seres humanos, e ser a encarnação da mulher preta amazônica brasileira.


Voltando para o Mama System, o álbum conta com patrocínio da Natura Musical e do Banco da Amazônia, com oito faixas que trazem o conceito de um sistema de som maternal, feminino, que não segrega ninguém, mas sim agrega a diversidade e tudo que o sistema opressor tenta destruir. O Mama System é sobre força, coragem e incentivo para realizar seus sonhos. Nesse mesmo sentido, a “Nada é em Vão”, faixa de abertura, será apresentada para o público no dia 15 de janeiro. A canção fala sobre nunca desistir de seus sonhos e o videoclipe foi gravado no Conservatório Carlos Gomes, onde Thais estudou canto lírico e violão clássico por cinco anos. Ela contou que a escolha do cenário simboliza um retorno a suas origens, voltando ao local onde ela se formou para declarar que tudo que ela queria alcançar, foi conquistado.


“Com o ano tão difícil que passamos em 2020, quis começar o ano e meu primeiro álbum agradecendo pelas conquistas e por estar onde estou, me sentindo realizada e pronta para realizar novos sonhos, voando cada vez mais alto”, diz Thais. “Por isso, quis passar essa mensagem para meus fãs e todos que acompanham meu trabalho: vamos começar 2021 com o pé direito, cheios de esperança e foco”, explicou a mãe do Mama System. 

 

O álbum ganhou um teaser nesta quinta-feira (08), com um vídeo que mostra Thaís Badu saindo das águas de uma praia, como se tivesse caído de um navio negreiro. Com correntes arrebentadas, ela fala da luta de seus ancestrais e de tudo que ela teve que enfrentar para ser a mulher que é hoje. “Sou filha da terra, do vento, do ar, do mar, dos sons da mata e do cantar. Dos rios que me banham. Eu sou daqui, e também sou de lá. Mama System veio pra ficar”, declama a Thaís Badu no teaser que prepara as pessoas para tudo aquilo que está por vir.


Ao longo do ano de 2021, a cantora e compositora paraense vai apresentar para o público os clipes de todas as faixas do álbum, que conta com diversas participações especiais, entre elas Tchelinho (Heavy Baile), Luisa Nascim (Luisa e os Alquimistas), Bruna BG, Keila e Leona Vingativa. Toda essa mistura que resultou nesse trabalho veio das vivências de Thaís, que, sempre eclética, já cantou reggae, rock, mpb e hip hop. 


“Quando eu era criança, eu ouvia de 'É O Tchan' a Tina Turner. A gente tinha muito disco em casa. Eu tenho uma irmã mais velha, e a gente passava 24 horas por dia na MTV, ouvindo Beach Boys, Britney Spears, coisas da minha época, do pop. Eu sempre quis ir por esse caminho, mas quando fiz o EP, imaginava que talvez as pessoas não iam gostar. Fiquei muito insegura, pensando ‘Poxa, eu sou mais velha. Posso fazer um álbum de dança mesmo, de pop?’. São essas coisas que batem quando a gente demora a se encontrar como artista, por dificuldades financeiras e oportunidades que somos negados, então, foi tudo meio tardio. Esse álbum é a realização de um sonho de infância e adolescência”, encerrou Thaís, dizendo novamente, em outras palavras, que nada é em vão.

Música
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