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Salomão Habib celebra 128 anos de Tó Teixeira

O violonista negro e pobre, da Belém do início do Séc XX, consolidou a música popular urbana da época.

Enize Vidigal

Neste domingo, 13, se completam 128 anos do nascimento de Tó Teixeira, o compositor, violonista e professor que foi referência na música da Amazônia. Negro, Antônio Teixeira do Nascimento Filho tocava o instrumento reservado à classe pobre da época, o violão, mas com seu talento arrancou aplausos da elite paraense. Para homenageá-lo, o violonista, professor e pesquisador Salomão Habib realiza a live “Tributo a Tó Teixeira – 128 anos de Música Amazônica”, com transmissão gratuita a partir das 19 horas pelo perfil do artista no Instagram @salomaohabib_.

“O Tó Teixeira foi o primeiro professor de violão da região Amazônica. O grande diferencial dele era que ele dava aulas na casa dele sem nunca ter sentado num banco de escola. Ele aprendeu a ler e a escrever através do ofício de encadernador que ele tinha junto com Bruno de Menezes (aproveitava para ler os livros que encadernavam)”, conta Habib.

“Todas as músicas que ele fazia, ele dava para os alunos, que ficavam com os originais”, conta Habib, que elaborou uma profunda pesquisa de resgate dessas composições junto a filhos e netos desses antigos alunos e conseguiu reunir 250 delas, quase todas inéditas, entre canções e peças instrumentais para violão solo e para banda. Ao final desse trabalho, Habib publicou um livro de cifras e outro biográfico, além de quatro CDs e um DVD com cerca de 80 dessas canções.

“Ele compôs valsas, chulas, ladainhas, carimbós, e, inclusive, bambiá, que é um ritmo anterior ao carimbó, que ele recolheu material da madrinha e da avó dele, que tinham sido escravas, e colocou o violão (musicou). A importância dele é muito grande para gênese da música paraense e a história da nossa música”, descreve. Por 30 anos Salomão Habib se dedicou à pesquisa e ao resgate das músicas de Tó Teixeira.

História

Tó Teixeira nasceu em 1893, em Belém. Ele cresceu no bairro do Umarizal, onde ficavam as chamadas “rocinhas”, locais de moradia dos negros que trabalhavam nas casas dos senhores brancos e ricos.  Nas rocinhas aconteciam os folguedos, teatro de revista e conjuntos de pau e corda. O pai, Antônio Teixeira do Nascimento, era flautista, dono de conjuntos de pau e corda e também ferreiro.

Naquela época, na Amazônia, tocar violão não era profissão exercida pelas pessoas brancas. “Uma curiosidade é que apesar da vihuela (instrumento que precedeu o violão) ter vindo da Espanha, foi utilizada para catequizar escravos e indígenas e, até os anos 1950, grande parte dos violonistas da região eram negros, como Artemiro Ponte e Souza (conhecido como Bem-Bem), Mestre Martinho e Raimundo Canela”, conta Habib.

Tó cresceu entre o racismo, a discriminação ao músico popular e a pobreza. Foi o primeiro homem negro a realizar uma apresentação na forma de concerto em Belém, em 1919. Lecionou na humilde casa da Rua Domingos Marreiros, 370, onde formou gerações de músicos, entre pobres e ricos. E fazia questão de afirmar que era um homem feliz, mesmo nessas condições. Ele deixou somente um único disco gravado, um compacto, por insistência do produtor e pesquisador Vicente Sales. Faleceu em 1982.

Música
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