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Reiner usa videoclipe como tema de uma série de lives sobre solidão e racismo

Artista paraense recebe no seu canal do Instagram vários convidados para debater os temas e lança videoclipe da música 'Fica Mais Um Pouquinho'

Para que serve a música? Reiner acredita que a resposta dessa pergunta implica mais que a audição de um trabalho sonoro e sim, os debates que ele gera. Pensando nisso, o músico e produtor paraense recebe no seu canal do Instagram vários convidados para discutir “solidão”, tema de seu último lançamento, o videoclipe da música “Fica Mais Um Pouquinho” que chegou ao YouTube no final de julho.

As lives serão realizadas em seu canal do Instagram toda terça-feira, a partir deste 11 de agosto, até o final do mês, sempre às 20h.

Com imagens que trazem o artista em cenas de reflexão, o videoclipe recém-lançado inspirou Reiner a compartilhar as angústias que sentia e que o período de isolamento social fez crescer. Tanto o sentir-se sozinho pela falta de fortes conexões afetuosas, como a percepção de que, enquanto artista de pele negra clara na cena indie de música, ele também sentia solidão no mercado foram reflexões que serviram de temas de postagens em suas redes sociais nas últimas semanas.

Os testemunhos vieram do próprio músico e de outros artistas e profissionais paraenses que se reconheceram na mesma situação que Reiner: de serem pretos demais pra cena indie do centro de Belém e “brancos demais” pra cena de música preta da periferia.

“Essa coisa da solidão vem também do fato de me ver como uma pessoa negra clara que sempre esteve rodeada de pessoas brancas mas nunca fui considerado um deles. Sempre joguei de um lado que nunca me favoreceu em nada. Perceber isso é muito doloroso e me faz questionar todo o meu caminho até aqui. Acho que o clipe expressa exatamente esse sentimento de solidão e de reflexão pelo qual eu to passando agora”, declara Reiner.

A discussão, que teve ponto de partida com o lançamento do videoclipe no dia 23 de julho, vai ganhar outras vozes a partir de diferentes lugares de fala sobre o mesmo tema. Os convidados são o publicitário Jonas Amador, o jornalista Kadu Alvorada, a publicitária e modelo Sinara Assunção e a psicóloga Anna Carolina Melo que, a cada semana, falam sobre racismo em suas profissões, gordofobia e solidão da mulher negra.

“Nós somos frutos de uma miscigenação muito forte e romantizada. Isso faz com que muitas vezes a gente anule alguns traços ou não consiga identificar nossos fenótipos. A importância de falar sobre esses temas é: saber quem somos, de onde viemos e nos empoderar de cada característica física [que temos]”, defende o jornalista Kadu Alvorada, que também discute racismo e colorismo na Amazônia com seus seguidores do Instagram.

Ampliando o debate sobre o tema que surgiu das reflexões de sua própria música, Reiner explica que o objetivo das lives é de “mostrar que esse sentimento não é só meu que é algo que também afeta várias pessoas, de gêneros diferentes e de realidades até opostas”, e que agregando outras pontos de vista para o debate, “é uma oportunidade de ouvir e aprender”.

Conectando visões parecidas e costurando uma rede de debates sobre como a cor da pele interfere nas relações sociais, no mercado de trabalho e na produção de artes, Reiner percebe que refletir sobre a sua própria solidão e compartilhar suas angústias foi importante pra entender que existem muitas possibilidades de trocas a partir desse tema.

“Tenho visto que várias pessoas passam pela mesma coisa, seja na música, no jornalismo, ou no meio acadêmico. Acho que no final das contas esse trabalho veio pra me mostrar que, na real, não tô sozinho, eu só precisava desse grito pra encontrar pessoas que sejam meus semelhantes e estreitar os laços com essas pessoas”, conclui.

O calendário de lives sobre “Solidão” tem início no dia 11 de agosto com Jonas Amador, 18/08 com Kadu Alvorada, 25/08 com Sinara Assunção e 28 de agosto, na última sexta-feira do mês, com Anna Carolina Melo. As lives são realizadas no instagram do artista, @yurireiner.

Palavras-chave

Música
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