Mariza Black lança "Samba Parauara" com show no Theatro da Paz

Em entrevista ao #LibCult ela apresenta as canções do primeiro álbum da carreira

Enize Vidigal

Uma das vozes femininas mais respeitadas do samba no Pará, Mariza Black, lança o primeiro álbum da carreira "Samba Parauara" nesta quinta-feira, 25, com show no Theatro da Paz, às 20 horas. Ela fala sobre o projeto com exclusividade para o #LibCult, no portal OLiberal.com e também canta algumas das músicas que estarão no álbum.

O tom grave da negra sorridente cantando "Olê, olá, Belém/ Olê, olá, Belém/ Velha namorada/ que me trai também", da canção "Janelas de Belém", de Alcyr Guimarães, é um convite à nostalgia. O disco traz também uma releitura de "Senhora do Mar", do paraense Toninho Nascimento, intérprete da Portela e autor de grandes sucessos de Clara Nunes (como "Conto de Areia"), numa parceria com Lúcio Mariano; além de inéditas da nova geração de compositores da terra, como Diego Xavier, que assina "Ogum Megê" com Carla Cabral, e "Só Deus" com Rodrigo Meireles.

Samba Parauara é, como diz o nome, uma compilação de composições de artistas paraenses bambas. Mariza gravou também os clássicos "Aquarela do Brasil", de Yuri Guedelha; "Tua Presença", de Alcyr; "Ei, Esse Bamba Sou Eu" e "Conselhos para Malandro", de Neno Freitas; e "Lágrimas", do Alfred de Moraes e Erlan Melo.

Outras inéditas do disco são "Ê Que Bamba", de Dely do Cavaco; "Fé Batuqueiro", de Raoni Corrêa e Paulinho Lobato; e "Salop Francês", de MG Calibre, Dito, Muka de Souza e Valdenir. Samba Parauara chega às plataformas digitais na mesma data do show.

Confira a entrevista de Mariza Black no #LibCult, na qual apresenta algumas canções do disco acompanhada do violonista Paulo Robson:

"Eu sou uma intérprete de samba enredo e de samba de raiz também, sou uma intérprete da música popular brasileira", descreve Mariza, que em 16 anos de estrada veste a camisa do ritmo de periferia nascido na Bahia e projetado para o mundo através do Rio de Janeiro, mas que encontra em Belém um profícuo celeiro de criação à base do cavaquinho, pandeiro e tamborim. "Eu tô muito feliz com o lançamento do meu disco. O Theatro da Paz é um templo maravilhoso, onde eu sonhei pisar. Estou realizando um grande sonho", celebra.

No palco, Mariza será acompanhada pelos músicos Paulo Robson (violão), Jorge Nascimento (cavaquinho), Mário Jorge Garcia (contrabaixo), Marleson William e Marcinho do Império (percussão), Bruno Mendes (bateria), Yoseff Neto (teclado), Felipe Saef (viola), Nathalia Vidal e Rebeca Bertazo (violinos) e Geovvana Bertazo (violoncelo).

"O CD traz um quarteto de cordas maravilhoso, que deu um glamour para o samba, o resultado ficou maravilhoso. A cada ensaio cresce a ansiedade de apresentar esse novo trabalho para o nosso público". A direção musical do show é de Juninho NT, com produção de Joelma Klaudia, Carlos Guthierres e Daniel Bastos. Enquanto Diego Xavier assina a direção do disco e compartilha os arranjos com Paulo Robson, com exceção da música "Só Deus".

Mariza Black é reconhecida intérprete também de Samba Enredo no Carnaval de Belém (Fernando Sette/ Divulgação)

Trajetória

O primeiro disco de Mariza Black, "Samba Parauara", é o passaporte que a cantora precisava para se lançar em carreira nacional. "Eu estava aguardando esse CD para usar como cartão de visita para tentar uma carreira a nível nacional. Falam que o CD está saindo de moda devido a era digital, mas muita gente ainda valoriza. Estou com projeto de fazer Rio e São Paulo no próximo semestre", antecipa.

"Tenho o sonho de ser reconhecida a nível nacional, seja no Rio de Janeiro, principal celeiro, ou em São Paulo, onde fervilha a produção cultural do país. Seria uma realização enquanto artista. Venho plantando essa sementinha aqui no nosso maravilhoso estado. Não é fácil, a luta tem sido árdua, mas eu tô com esse sonho guardado aqui no meu coração e eu não sou de desistir tão fácil".

A cantora sabe que, apesar da valorização dos compositores paraenses na cena carioca e nacional, ainda não existem intérpretes paraenses femininas nesse espaço. No entanto, conhece a força do próprio talento, uma potência parauara que já dividiu palco com artistas consagrados, como Dominguinhos do Estácio, Neguinho da Beija Flor, Leci Brandão e Dudu Nobre, e que já abriu os shows de celebridades, como Elza Soares, Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Jorge Aragão e Fundo de Quintal, entre outros.

"Uma pessoa que marcou a minha vida, porque foi a primeira apresentação a nível nacional que fiz a abertura (do show), foi da nossa diva Elza Soares, no ano de 2005. Posso dizer que passeei bastante no celeiro dos bambas. Sou recebida com muito carinho. Acredito que as portas se abrem para quem tem amor e dedicação".

Mariza Black cresceu ouvindo os vinis que os pais botavam para tocar em casa. "Sempre tive um lado artístico, desde pequenina. Eu fugia do meu pai para ir ao videokê, ainda adolescente, o que me ajudou a ter experiência de palco. Comecei a cantar profissionalmente a partir do Festival de Música que participei na Escola Estadual Augusto Meira, no ano 2000. Eu cantei 'Bem que se quis', da Marisa Monte, acompanhada do professor Hideraldo, que tocava violão. A minha mãe me incentivou a participar e tive a felicidade de ganhar, o que me impulsionou a abraçar a carreira de cantora", recorda.

Entre as referências musicais da cantora estão Alcione, Beth Carvalho, Jovelina Pérola Negra, Clara Nunes e, principalmente, Dona Ivone Lara, pioneira da ala de compositores de escolas de samba no Rio. "Elas são as nossas guerreiras do samba. Eu iniciei cantando uma obra da Dona Ivone Lara, que é 'Bodas de Ouro', que ela canta assim: 'Com o samba eu casei. Quanto tempo faz? Com ele eu vivi a minha vida em paz. Do samba eu guardei só momentos bons. Nossos corações não separam mais'. Isso me representa. O samba está na minha veia e no meu coração. A cada obra que eu escolho para interpretar, pode ter certeza que ela fala um pouco de mim".

A trajetória de Mariza abraça o samba de raiz tanto quanto desfila pela avenida do samba enredo. Foi nos bailes de carnaval oferecidos pela família aos idosos do antigo Asilo Dom Macedo Costa, que a pequena Mariza se encantou pelas marchinhas. "O meu tio era enfermeiro naquela época. Ele botava os idosos numa kombi e levava para a nossa casa. Eles acabavam sendo a nossa família também . Ali eu comecei a mergulhar no mundo do samba." Há 15 anos, ela estreou como intérprete de samba enredo na "Caprichosos da Cidade Nova" e também se tornou cantora oficial da "Piratas da Batucada" e da "Unidos da Pedreira". Em 2018, ela puxou o samba de nada mais nada menos do que sete agremiações de samba da Região Metropolitana.

Agende-se:

Show de lançamento do CD "Samba Parauara", de Mariza Black
Data: quinta-feira, 25, às 20h
Local: Theatro da Paz
Ingressos a R$ 30 (plateia e camarote 1ª ordem ), R$ 20 (varanda, frisa, galeria e camarote 2ª ordem) e R$ 10 (paraíso). Todos os valores têm meia entrada.À venda na bilheteria do Theatro da Paz e através do ticketfacil.com.br
No local também estará à venda o CD a R$ 15
Informações (91) 98902-3609 e (91) 99163-8020

Música
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