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Gaby Amarantos canta com Elza Soares, Dona Onete, Alcione e mais em novo disco, 'Purakê'; ouça

Apresentando uma Amazônia elétrica do futuro, artista reinventa sonoridades e promove encontros em uma celebração pela arte

Lucas Costa

Se Gaby Amarantos dominou o país com um álbum de tecnobrega quase uma década atrás, tornando um título praticamente literal e botando todo mundo para tremer, desta vez ela volta ao circuito de álbuns ainda mais elétrica. Fazendo metáfora com uma representação de eletricidade natural da Amazônia, Gaby apresenta ao mundo o álbum “Purakê”, pronto para descarregar mais de 800 volts na música do país.

O novo disco de Gaby chegou às plataformas na noite de quinta-feira, 2, enfatizando a eletricidade natural que ela considera uma característica de toda sua força e representatividade como mulher e cantora brasileira.

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“O impacto que eu quero que o ‘Purakê’ cause é mostrar pras pessoas que somos muito mais do que elas imaginam. As pessoas conhecem o calypso, conhecem o tecnobrega, muita gente sabe o que é o carimbo. Mas o ‘Purakê’, ele quer mostrar para além disso tudo: o que mais que o povo dessa região é, em que lugares essas pessoas estão conectadas, ao que elas estão conectadas; e firmar também essa coisa da música da periferia e do tecnobrega, que são muito importantes pra mim”, descreveu Gaby sobre o novo disco, durante entrevista coletiva em que O Liberal participou.

O single “Amor Pra Recordar”, um feat com Liniker, faz parte deste novo disco e foi lançado recentemente com um clipe cinematográfico, recheado de emoção e fazendo uma homenagem para as mulheres ribeirinhas do Norte do Brasil, um uníssono que faz a alma marejar.

Outras duas faixas do álbum também já foram apresentadas anteriormente como “Vênus Em Escorpião”, um brega punk lançado em novembro de 2020, com participação de Ney Matogrosso e Urias; e “Tchau”, nas plataformas de streaming desde fevereiro, e que contou com Jaloo, que assina a produção musical de “Purakê”.

Com um total de 13 músicas, Gaby entrega um trabalho ímpar, totalmente visual - cada faixa conta com um conteúdo animado conhecido pelo conceito de clipelizer, e produzido por profissionais como o paraense Lucas Gouvêa e Luan Zumbi - com mais feats surpreendentes e uma sonoridade na melhor versão de Gaby Amarantos.

“Temos logo na faixa de abertura, uma canção chamada ‘Última Lágrima’ com parceria de Elza Soares, Dona Onete e Alcione. Já dá até para imaginar a grandiosidade dessa união de vozes", adianta Gaby sobre o time de participações logo na abertura do disco.

Esse feat foi pilotado pelo produtor mineiro independente Baka, junto com Rafael Ramos e Jaloo. Gaby complementa: "O álbum tem desde músicas que são mais românticas e lentas para você se deitar, refletir e ouvir, até aquelas que são extremamente dançantes. Vai ser uma mistura de sonoridades de uma Amazônia do futuro, tenho certeza de que o público irá amar”.

Ainda sobre “Última Lágrima”, a cantora destaca que a faixa é a benção abre do trabalho que faz referência ao poder da decisão de se derramar a última lágrima.

Já em “Opará”, feat com a cantora baiana Luedji Luna, considera-se a representação da sereia do asfalto que existe dentro de cada mulher. “Amor Fake”, a terceira faixa do trabalho, é um brega que vem acompanhado com um som de saudade que se faz atual ao declarar guerra contra tudo que é fake.

E para falar de amor da maneira mais atual possível, Gaby traz “Sangrando”, um feat com Potyguara Bardo. A canção é uma “sofrência” moderna onde Romeu é uma drag queen e Julieta uma mulher preta. “Embraza” é um convite para todos se imaginarem no solstício tropical colocando o pé na água doce da praia de rio. Na música “Rio”, Gaby leva todos para a visualização do Norte do Brasil no mapa do mundo.

Na nona faixa intitulada “Selfie”, a cantora brinca que se trata de um brega que Reginaldo Rossi cantaria nos dias de hoje. Em “Rolha”, o público vai poder apreciar uma cumbia eletrônica, ritmo bastante popular na América Latina.

Com “Iniciação”, Gaby quer enfatizar a vivência de uma paraense que decidiu aproveitar o carnaval na Bahia e “Arreda”, feat com Leona Vingativa e Viviane Batidão, trata-se de um tecno brega afro punk, para ninguém ficar parado literalmente.

“É um feat muito poderoso com a Viviane Batidão e Leona Vingativa, ‘Arreda’. Sssim como Caetano Veloso falou que a bossa nova é foda, a gente tá faaldno: ‘arreda, que isso é tecnobrega. abre a roda, tecnobrega e foda. explode, explode, isso aqui é som do norte’. Então a gente é tecnobrega mas a gente é música do futuro. Então a mensagem principal do ‘Purakê’ é essa: nós da Amazônia, estamos pensando música no futuro, propondo coisas que ninguém ainda propôs”, diz Gaby, entusiasmada.

Sobre a produção e o processo criativo de “Purakê”, Gaby ressalta sua vontade de trazer mensagens que pudessem mostrar as características de um país mais profundo e todas as suas facetas.

“Em muitas partes do Brasil, ainda vemos pessoas com pouca infraestrutura e passando por muitas dificuldades, seres humanos quase invisíveis, mas que possuem muita história de garra e determinação. Trago neste trabalho muito do olhar aos ribeirinhos e minha essência e vivência tanto no âmbito pessoal quanto espiritual. Jaloo me ajudou a casar toda essa criatividade em uma sonoridade que conversa com a natureza e traz uma eletricidade natural em cada faixa”, conclui.

"Purakê” é um lançamento da Amarantos Eleva com distribuição da gravadora Deck. Fato curioso é que todo o processo de composição e produção musical aconteceu a bordo de um barco no Rio Tapajós, na Amazônia. O disco está disponível em todas as plataformas de música, com todas as faixas acompanhadas de conteúdos em vídeo.

Gaby Amarantos (Rodolfo Magalhães/Divulgação)

A visualidade, inclusive, é um dos elementos que complementa a sonoridade de “Purakê”. Grande parte dessa identidade foi criada em parceria com artistas paraenses que têm despontado na representação da contemporaneidade da criatividade amazônica: Lucas Gouveia, Wellington Romario e Labo Young.

“São artistas que, para mim, são o movimento mais importante que está acontecendo em nosso estado. De toda essa concepção, desde a parte do figurino de ‘Vênus em Escorpião', onde a gente usa aquelas roupas com folhagens. O Labo está em várias revistas internacionais, bombando, fazendo coisas para marcas internacionais de moda. O Lucas está desenvolvendo com a gente todo o conceito visual do álbum, então tudo o que eu faço, tudo o que eu respiro em visual, esses meninos estão envolvidos[...]. Esses artistas são incríveis, gente para estar expondo na Alemanha, no mundo inteiro, e pra mim eles representam a  essência do ‘Purakê’. Porque não dá para falar de ‘Purakê’, de Amazônia do futuro, sem falar dessa galera da periferia que está produzindo todo esse conteúdo maravilhoso”, defende Gaby.

Palavras-chave

Música
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