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Chico e Bethânia: a potência poética brasileira celebra aniversário neste final de semana

Artistas paraenses falam da inspiração de Maria Bethânia, que chega aos 75 nesta sexta-feira,18; abrindo a festa para Chico Buarque, que completa 77 no sábado, 19

Lucas Costa

A música do Brasil - aquela da interpretação visceral e também das letras carregadas de emoções que atravessam o tempo - está em festa neste final de semana. Maria Bethânia completa 75 anos nesta sexta-feira, 18, sendo mais de 50 desses dedicados à música. No dia seguinte, a festa é de Chico Buarque, que escreveu o país em suas composições interpretadas até hoje por sua atemporalidade. Chico completa 77 anos no sábado, 19.

Com uma discografia longa e marcada pela força poética de sua interpretação, Maria Bethânia segue ativa e influenciando artistas da música brasileira através do tempo. Para celebrar o aniversário, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), divulgou o ranking das músicas mais gravadas pela artista ao longo da carreira: o compositor favorito é o amigo geminiano que por pouco não divide o aniversário, Chico Buarque; mas uma canção de Gonzaguinha foi a mais gravada por ela.

Bethânia tem 1.931 canções registradas no órgão, e a que figura no topo da lista é “O Que É, O Que É”, de Gonzaguinha. A faixa é seguida por “Sonho Meu”, de Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho; “Viramundo”, de Capinam e Gilberto Gil; “Negue”, de Enzo de Almeida Passos e Adelino Moreira; e “Rosa dos Ventos”, de Chico Buarque.

Mas não é só na lista de Bethânia que Buarque aparece. Ele é considerado por muitos o maior compositor da história do país, e a história de seu trabalho se mistura com a do Brasil. Chico é o compositor de “Cálice”, escrita em 1973 em parceria com Gilberto Gil. A canção se tornou um dos mais famosos hinos de resistência ao regime militar, já que a letra usa metáforas e duplos sentidos para protestar contra a repressão e violência ao governo autoritário.

Mas Chico também cantou o amor, e assim como Bethânia, influenciou diversas gerações de artistas pelo país. No Pará, esse time é imenso, incluindo nomes como Lucinnha Bastos, uma das grandes vozes da música popular paraense que também traz os dois na bagagem de influências.

“Maria Betânia é pra mim uma das maiores intérpretes desse país. Ela é visceral, diz cada palavra com muita força. Chama atenção do público para a mensagem do autor”, declara Lucinnha sobre a artista baiana. “Chico Buarque, além de excelente compositor, consegue, não imagino como, falar do universo feminino de uma maneira impressionante. Ele escreve com conhecimento, sensibilidade e riqueza do cotidiano feminino, que é o que mais admiro”, completa.

A dupla geminiana também é referência para outras grandes vozes, como Gigi Furtado, também conhecida pela interpretação marcante. “Ter nascido em um país onde temos Chico Buarque a Maria Bethânia é realmente uma imensa sorte, um grande prazer. Chico, por toda sua genialidade em suas letras, toda sua delicadeza, e toda a força de Bethânia para interpretá-las”, conta Gigi.

“Bethânia vai além de uma referência. Ela me vem como uma grande inspiração, por sua delicadeza, por sua força ao mesmo tempo, por todo esse seu ar poético. Bethânia realmente é inspiradora, e eu só desejo vida longa a esses dois monstros da nossa música. Sou feliz em poder cantá-los. Feliz em poder ter vindo como intérprete e abraçar esses dois grandes nomes”, completa a cantora, que revela ainda uma novidade em homenagem à sua estrela. Gigi diz que prepara, junto a sua banda, um show intitulado “Os Filhos de Canô - Bethânia e Caetano”. Trata-se de uma homenagem aos irmãos, e será lançado no YouTube.

Anderson Moysés, intérprete de música brasileira e francesa, divide com Chico não apenas o amor pela música, mas também a data de aniversário. “O primeiro show que fiz em 2009 foi cantando Chico Buarque em piano e voz. Interpretar Chico pra mim é sacerdócio”, conta.

“Chico e Bethânia sempre estiveram presentes com sua voz na minha vida, desde criança ouvia Chico e suas canções até hoje me atravessam[...]. Maria Bethânia eu ouvia por influência dos meus avós, dos meus tios e a voz dela é uma coisa única, interpretações extraordinárias. Tenho todos os 58 discos e álbuns dela, e faço um show chamado ‘Alteza’, em homenagem a esse baluarte da música brasileira que aos 75 anos continua cantando com uma voz mais jovem do que a minha. Até hoje eles me influenciam em questão de performance, escolha de repertório e elegância na finesse musical”, declara Anderson.

A intérprete Cacau Novais também é atravessada pela música de Chico e Bethânia, mas por seus encontros com outros artistas, “Posso dizer que minha relação com o trabalho do Chico e Maria Bethânia vem muito das parcerias de trabalho, que os dois tiveram ao longo de suas carreiras. Artistas como Edu Lobo, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Caetano Veloso, Gilberto Gil e outros, são alguns dos que me influenciam diretamente, e que têm composições maravilhosas com Chico, ou que foram gravadas por Bethânia. A Elis Regina, também uma das grandes intérpretes de Chico, e foi tema de um dos meus shows, e algumas das canções que mais marcaram sua carreira foram compostas por ele”, conta.

Shows gratuitos

Para estender as comemorações para as casas de cada brasileiro, uma dica é assistir aos shows de Bethânia e Chico disponíveis gratuitamente no canal Biscoito Fino, no YouTube. Shows completos de Chico como "Carioca", "Na Carreira" e "Caravanas Ao Vivo; assim como "Carta de Amor", "Amor Festa Devoção" e "Dentro do Mar Tem Rio", de Bethânia, estão disponíveis por lá.

Música
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