Jogo Político: Após crise, bolsonaristas querem trégua 'para valer' entre Flávio e Michelle
Os vídeos publicados por Michelle caíram como uma nova bomba sobre sua campanha
Por Marcelo de Moraes
Brasília, 25/06/2026 - Integrantes da cúpula do PL e políticos próximos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) passaram a atuar desde ontem como bombeiros para reduzir os danos causados pela mais recente crise na principal pré-candidatura presidencial da oposição. Os vídeos publicados por Michelle nas suas redes sociais, acusando Flávio de a humilhar, desrespeitar e lhe dar uma "punhalada", não levando em conta suas posições políticas, caíram como uma nova bomba sobre a campanha do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. No momento em que tenta amenizar o desgaste pela revelação do áudio pedindo recursos para o ex-sócio do banco Master Daniel Vorcaro e lida com as acusações de ter ajudado a insuflar o tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, Flávio sofre um baque na sua aproximação com o eleitorado feminino, um ponto fraco do bolsonarismo. A cúpula do PL, incluído o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e líderes bolsonaristas, articularam uma espécie de trégua entre os dois lados. Mas tentam, agora, garantir que a trégua será duradoura e "para valer", sob pena do comprometimento definitivo da campanha presidencial.
Sinais - O primeiro resultado dessa negociação foi uma nota de Flávio, divulgada no fim da noite, dizendo que não tinha ofendido Michelle, mas que pedia desculpas se o tivesse feito. Pela manhã, Michelle também avisou pelas suas redes sociais que "não queria briga" e que não tinha raiva de ninguém. Também convergiu com o pregado pela cúpula do PL dizendo que o objetivo comum era a vitória contra o governo do PT.
Antigo - Segundo integrantes do bolsonarismo, a crise entre Michelle e Flávio era uma bomba-relógio, já que havia forte descontentamento dela com seu escanteamento em relação à campanha presidencial e também à montagem das alianças estaduais. Michelle se sentiu particularmente contrariada com a situação do Ceará, por conta do acordo fechado em torno da pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) e decidiu gravar seus vídeos.
Avisou - Michelle avisara publicamente, na segunda-feira, que tinha gravado um vídeo "explicando o que aconteceu no Ceará". Na ocasião, a ex-primeira-dama usou suas redes sociais para informar que publicaria a gravação "em breve", o que acabou ocorrendo ontem.
Explicação - Junto com o aviso, Michelle publicou nas redes um trecho de uma entrevista de Ciro para a revista Veja na qual afirmava que Jair Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva eram iguais. Na mesma postagem, a ex-primeira-dama comentou: Nunca foi ?para tirar o PT' e sim por projetos de poder. Já gravei um vídeo explicando o que aconteceu no Ceará e vou publicá-lo em breve", anunciou, reforçando: "Em breve no Instagram".
Avisado - Segundo interlocutores do senador, ele foi avisado que a situação estava saindo do controle. Aliados comuns tentaram interceder, sem sucesso e a publicação do vídeo aconteceu poucos minutos antes da partida do Brasil contra a Escócia pela Copa do Mundo.
Sem clima - Havia uma tentativa de se organizar na próxima semana uma reunião entre Flávio e Michelle, com representantes da ala feminina do bolsonarismo numa tentativa de demonstração de unidade. Segundo interlocutores dos dois lados, até o momento, não há clima ainda para esse encontro.
Árbitro - Mesmo em prisão domiciliar, integrantes do PL acreditam que somente Jair Bolsonaro terá a capacidade de estabelecer algum tipo de controle na desavença.
Gol contra - Integrantes do PL lamentam que a crise ainda serviu para que a própria direita ofuscasse a repercussão da saída do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Rifado do cargo "em comum acordo" com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Wagner anunciou sua saída e pôde mergulhar, após se desgastar por quase uma semana, depois de ser alvo de uma ação de busca e apreensão da Polícia Federal em seus endereços por supostamente receber vantagens para atuar a favor do Master.
Acerto - Integrantes da bancada governista no Congresso consideraram acertada a saída do senador Jaques Wagner da liderança do governo. "As suspeitas são graves e ele deve ter a chance de se explicar, mas deve fazê-lo fora deste cargo. A investigação do banco Master deve prosseguir de forma independente até o fim, doa a quem doer", afirma a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP).
Segue o jogo - "Jaques Wagner deixou, afinal, a liderança do governo. Melhor para ele, que terá mais tempo para se defender das acusações; melhor para o governo, que continua livre de qualquer ?contaminação'. E melhor para a Justiça e para a PF, que devem continuar indo fundo na fraude Master", defende o deputado federal Chico Alencar (Psol-RJ).
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