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É hora de celebrar o legado de Gilberto Gil em show de despedida na Amazônia

Será no dia 21, no Hangar, a partir das h, com direito a uma playlist com grandes sucessos desse artista que, aos anos, se despede dos palcos

Eduardo Rocha
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O cantor e compositor baiano Gilberto Gil, 83 anos, faz show em Belém no próximo sábado (21) Hangar - Convenções e Feiras da Amazônia. Até aqui, parece algo comum: show de um artista conhecido com sua banda e tudo o mais. Tem gente que vai perguntar sobre quem é Gilberto Gil. Mas, é muito mais que isso. É uma apresentação de um dos maiores nomes da música brasileira de todos os tempos, um verdadeiro camaleão sonora que mostrou suas próprias composições, dialogou com grandes compositores nacionais e internacionais, como Luiz Gonzaga, Lupicínio Rodrigues, Dorival Caymmi, The Beatles, Stevie Wonder, Bob Marley e outros e  transitou por um sem número de ritmos, para compor um universo de canções. É esse tropicalista arretado que vem, agora, a Belém, em plena Amazônia, celebrar com o público sua despedida dos palcos.

Trata-se do penúltimo show da turnê  “Tempo Rei”, iniciada em 2025 e que terminará em São Paulo em 28 deste mês de março. O público em Belém iria conferir essa apresentação em 9 de agosto de 2025, mas com o falecimento de Preta Gil, filha de Gilberto Gil, em 20 de julho de 2025, os shows tiveram que ser remarcados. Mas, agora, chegou a hora. Gil vai tocar em Belém, e isso é motivo para muita gente das cidades vizinhas e não tão próximas a Belém já se preparar para esse encontro com o autor de gemas como “Domingo no Parque”, “Não Chores Mais”, “Vamos fugir”, “Palco”, “Se eu quiser falar com Deus”, “Tempo Rei” e “Toda Menina Baiana” e tantos outros sucessos.

Então, vem gente de tudo que é lugar - do Norte do Brasil, de outras regiões do país e do exterior.  Gente como o casal Caroline Araújo, 40 anos, social media, e Weldon Luciano, 35 anos, jornalista, nascido em Santarém, onde eles residem. 

"Em 2000, quando vim morar em Santarém, eu me aproximei de um tio (tio Pedro), e ele me apresentou o CD do Gil, o ‘Kaya N´Gan Daya” (2002), em que o Gil canta as músicas do Bob Marley e é um disco lindo, fantástico, gravado no Brasil e na Jamaica. E eu me lembro de a gente analisar os encartes do álbum, ouvindo muito o CD e eu querendo aprender inglês para cantar certinho as músicas do Marley pelo Gil, que fez uma releitura para as músicas, e aí tem um pouco de forró, de xote. Assim começou a minha relação com o Gil", destaca Caroline Araújo.

Para Carol, Gil transmite paz. "Gilberto Gil é sinônimo de paz. Eu até sonhei com a música 'Drão' e acordei tranquila. Foi um bom sonho. No sonho, tocava a música ‘Drão’. Então, é sinônimo de paz. Tem um pouco de Tropicalismo, um pouco de festa e um pouco dessa paz, essa mensagem de paz".

Essa fã revela estar na maior expectativa para o show, para "poder cantar a plenos pulmões as músicas". "Antes de mais nada, ver ele de perto, ver ele cantando ali ao vivo. Para quem é fã, não tem coisa mais legal. É o ápice da relação fã e artista", diz Carol. Ela lembra que no ano passado Gil não pôde fazer o show em Belém por causa da morte da filha Preta Gil. No mesmo período, Carol teve problemas particulares e diz que não poderia conferir a apresentação em Belém. Mas, agora, ela está confiante de que tudo vai dar certo. 

Ela vai com o marido Weldon e mais uma amiga do casal. "E, com certeza, a gente vai encontrar muitos outros santarenos no show", declara a fã Caroline. Assistir a um show de Gil estava no quadro dos sonhos dela. "Drão" é a música de Gil predileta de Carol, porque, mesmo falando de uma separação, inspira paz a essa fã. 

Tradição e modernidade

A capacidade que Gilberto Gil tem de misturar tradição e modernidade é o grande atrativo na obra desse artista, na avaliação do jornalista Weldon Luciano, 35 anos, nascido em Santarém, casado com Caroline Araújo. "Ele dialoga com ritmos brasileiros, com a música africana, com o reggae, com o pop, e ao mesmo tempo mantém uma poesia muito profunda nas letras. As canções são obras memoráveis e atemporais, estão presentes nas nossas playlists, nas nossas memórias e nas nossas vidas", diz.   

Para Weldon, durante sua gestão como ministro da Cultura, Gil ampliou o acesso às políticas culturais e valorizou a diversidade cultural brasileira, defendeu a cultura como direito e instrumento de desenvolvimento social. "Sua atuação marcou uma visão moderna e inclusiva para a política cultural do país". Weldon conheceu a arte de Gil a partir do fato de ter sido criado em uma família em que eram apreciadas músicas de grandes nomes da música brasileira, entre eles, Gilberto Gil. "Com o tempo, fui entendendo que o Gil não é só um cantor, ele é um pensador da cultura brasileira".

Weldon espera um show emocionante em Belém, "porque o Gil é um artista histórico da música brasileira". "Assistir a um show dele é quase como presenciar um pedaço vivo da história da nossa cultura, de uma manifestação artística que enfrentou a Ditadura, que permanece viva e nos alimenta de esperança, liberdade, representatividade e democracia para o Brasil", ressalta Weldon, que pela primeira vez irá conferir uma apresentação de Gil. Ele diz que o casal comprou ingressos em fevereiro para estar em Belém "para esse grande momento".

Legado eterno

Em Belém, o casal Luiz Carlos Silva (Lula), 62 anos, economista, e Claudia Albuquerque, nutricionista, estão prontos de malas e cuias para o show de Gil. Eles compraram os ingressos em 2025 e têm a expectativa de "muita emoção e recordações de várias fases de nossas vidas", como diz Lula. 

"Eu, particularmente, peguei gosto pela música do Gil desde os tempos dos festivais. Sou de uma família que adora música, o rádio era muito presente na minha infância e nesse tempo 80% das músicas tocadas eram músicas nacionais. Pra mim, o Gil faz parte da trindade da música brasileira junto com o Chico e o Caetano. Enfrentou, com coragem, o período duro da Ditadura e ajudou a formar uma geração que consegue enxergar a dura realidade desse país".

Já Claudia Albuquerque está plenamente no clima do show. "Estou ansiosa. Com certeza, vou me emocionar, principalmente quando ele cantar 'Drão' ", destaca, pontuando que este será o primeiro show de Gil que ela vai conferir presencialmente. 

Como se trata de um show de despedida do cantor, Claudia não esconde que já sente um pouco de tristeza. "Com certeza, já bate uma saudade, mas o guerreiro tem que descansar. O legado será eterno, a família vai seguir os passos e isso traz um certo conforto', afirma a fã.

 

Serviço:

Show ‘Gil Tempo Rei em Belém’

Em 21 de março de 2026

No Hangar  - Centro de Convenções

Abertura dos portões: 18h

Início do show: 21h

Ingressos disponíveis somente para  setor pista, 

à venda no site Eventim e na loja Link Store - 

no Boulevard Shopping (Piso 2)



 

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