Duas artistas paraenses vencem o 8º Prêmio Tomie Ohtake em São Paulo

As obras ficarão expostas no Instituto Tomie Ohtake até fevereiro de 2023

Emanuele Corrêa
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O Instituto Tomie Ohtake realizou a abertura da exposição resultante do "8° Prêmio Artes Tomie Ohtake". Com quase 2 mil inscrições enviadas por artistas de 25 estados brasileiros, apenas 10 artistas foram selecionadas, entre elas, as duas paraenses Maria José Batista e Moara Tupinambá. As obras estão expostas desde o último dia 19 e ficam em cartaz em São Paulo até o dia 5 de fevereiro de 2023.

Maria José Batista trabalha desde a década de 1990 com mostras coletivas e individuais no estado do Pará, mas também em outros estados brasileiros e fora do Brasil. Apesar de estar acostumada com as premiações, esta em particular a deixou sem palavras, contou. "Desde 1997 venho participando de mostras coletivas e individuais com algumas premiações: Prêmio de reconhecimento, Aldir Blanc - Fotoativa -, em 2005 Prêmio Aquisição - Arte Pará. Tenho obras em acervos de colecionadores, repartição pública e obras em outros estados e fora do Brasil... Recebi a notícia [da premiação] através de uma das curadoras do Prêmio Tomie Ohtake. Senti uma emoção tão forte que não sabia se falava ou chorava", relembrou.

Para a artista, ser selecionada entre quase 2 mil outras artistas de todo o Brasil, é indescritível. E relembrou como foi a cerimônia de abertura em São Paulo. "As obras que foram escolhidas para participar do evento foram nove. Obras que participei na exposição individual 'Outubro em cores'. A abertura foi maravilhosa. Conheci as artistas premiadas e as curadoras de equipes que estiveram envolvidas no evento. Fomos muito bem acolhidas", pontuou.

image A artista Maria José Batista trabalha com alguns de seus quadros expostos em São Paulo. (Reprodução / Divulgação)

Emocionada, dedicou essa conquista às mulheres artistas do estado e disse se sentir honrada em representar o Pará e a Amazônia com a sua arte. "Poder estar representando meu estado do Pará. Estava ali comigo outras mulheres também representando cada uma seu estado. Dedico esta premiação para cada artista mulher do meu estado, pois sei o quanto é difícil nos mantermos firmes fazendo nossas artes. Cada uma com seu estilo, mas com o mesmo objetivo de mostrar o seu talento, atravessando as barreiras e obstáculos que enfrentamos", concluiu.

Para o futuro, Maria José planeja continuar pintando o cotidiano da periferia por meio da arte e continuar levando-a aos vários lugares do mundo. "Seguindo em frente com os pés firmes no chão e com muito trabalho e dedicação para mostrar através da Arte o cotidiano da periferia onde eu moro e vivencio o dia dia traduzido na minha pintura. A mensagem que deixo é de que nunca devemos empinar o nariz, pois isso vai nos impedir de olhar nos olhos e dizer para o outro: 'você é especial, você pode. Assim como aconteceu comigo, vai acontecer com você e chegar a sua vez'. Agradeço ao Instituto por essa rica oportunidade", arguiu.

image Moara Tupinambá é uma das paraenses premiadas. Sua obra ficará exposta até fevereiro, em São Paulo. (Reprodução / Divulgação)

Já Moara Tupinambá conta que é artista desde 2004, quando começou a pintar roupas e desde então, nunca parou. Estar com uma obra exposta no Prêmio Tomie, para ela é uma honra, pois há várias artistas que admira. "Eu me sinto honrada em ser premiada por uma das maiores instituições de arte do Brasil, ser reconhecida nos meus quase 40 anos ao lado de artistas que admiro muito. A obra exposta é um mural 'Museu da Silva: Diagramas da memória imaginada'. É um retrato da minha avó Maria Fortunata, que era farinheira, benzedeira, rezadeira, uma senhora humilde que cuidou de seus filhos na comunidade de Cucurunã no Tapajós. E que a partir da memória de meu pai eu vou reconstruindo memórias também que nos foram apagadas pelo etnocídio", destacou.

A artista planeja fazer uma exposição em São Paulo ou em outros estados brasileiros e continuar deixando o seu legado com o muralismo. "O muralismo é uma técnica muito utilizada por indígenas e tenho uma influência de parentes do México", finalizou.

Aos paraenses que moram em São Paulo, a artista deixou o convite para que dediquem um tempo para prestigiar as obras que ficarão expostas até fevereiro de 2023.

 

Serviço

Evento: 8º PRÊMIO ARTES TOMIE OHTAKE

Em cartaz: até 05 de fevereiro de 2023.

Local: Instituto Tomie Ohtake, avenida Faria Lima 201 (Entrada pela Rua Coropés 88) - Pinheiros, em São Paulo (SP). Metrô mais próximo - Estação Faria Lima/Linha 4 - amarela

Horário: De terça a domingo, das 11h às 20h

Mais informações: 11 2245-1900

Cultura
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