Com carimbó e tambor marajoara, Pará se destaca em delegação do Norte no Festival do Folclore
Estado será representado pela Associação Sabor Marajoara, de Belém, e pelo estreante Eco Marajoara, de Soure, em programação que reúne expressões de Roraima e Tocantins no interior paulista
O Pará ganha destaque na delegação do Norte do Brasil durante a 62ª edição do Festival do Folclore de Olímpia (FEFOL), em São Paulo, que ocorre em agosto. O estado será representado por duas frentes que destacam a diversidade rítmica e a longevidade da pesquisa cultural paraense: a Associação Cultural Sabor Marajoara, de Belém, e o Grupo Cultural e Parafolclórico Eco Marajoara, vindo de Soure, na Ilha de Marajó, que realiza sua estreia no evento. Junto a expressões de Roraima e Tocantins, os paraenses formam o bloco nortista da programação, compartilhando o palco com manifestações que englobam desde a suça afrodescendente até as coreografias de matriz indígena e cabocla.
Sediada na capital paraense e fundada em 1989, a Associação Cultural Sabor Marajoara retorna ao circuito de Olímpia consolidada como Ponto de Cultura. Com uma trajetória de mais de três décadas focada na pesquisa e difusão das tradições do estado, a instituição estrutura suas apresentações a partir do carimbó e de vertentes da música popular e da dança amazônica, tendo um histórico de circulação por festivals nacionais.
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Já a representação marajoara fica a cargo do Eco Marajoara, grupo parafolclórico criado em 1988 no município de Soure. Originado de uma iniciativa de educação ambiental vinculada à Universidade Federal do Pará (UFPA), o projeto completa 37 anos de atividade unindo o batuque do tambor marajoara, elementos teatrais e coreográficos. O repertório do grupo fundamenta-se na identidade do habitante da Ilha de Marajó, na biodiversidade da região e no cotidiano das comunidades ribeirinhas.
A delegação da Região Norte ganha o reforço do Grupo Folclórico Tribo Waiká, que realiza sua estreia no circuito do Festival do Folclore de Olímpia (FEFOL). Fundado em Roraima no ano de 2020 com o suporte de fomento da Lei Aldir Blanc, o coletivo traz um nome inspirado nas populações ancestrais da bacia do Rio Branco, tendo sua origem conceitual ligada às dinâmicas do Festival das Tribos de Juruti, no Pará. As apresentações integradas de dança, música e artes cênicas são estruturadas com foco na salvaguarda de mitos, personagens e ritmos tradicionais que constituem as matrizes indígena e cabocla da identidade roraimense.
Em paralelo, a representação do Tocantins fica a cargo do Grupo de Suça “Tia Benvinda”, vindo do município de Natividade, localidade de herança histórica ligada ao ciclo do ouro e reconhecida como Patrimônio Cultural Nacional. Criado em 2017 a partir de um projeto escolar, o coletivo atua na preservação da suça, uma manifestação coreográfica e musical de matriz afrodescendente. Coordenado pela professora Verônica Tavares com o suporte de mestres locais, o grupo mobiliza cerca de 50 jovens, homenageando em seu nome uma das precursoras na transmissão dessa tradição às novas gerações durante a década de 1990. A performance destaca-se pela presença de tambores, violas e cantos nas festividades do catolicismo popular e folias regionais.
Juntos, os grupos da Região Norte levam ao FEFOL manifestações que expressam a riqueza cultural da Amazônia brasileira. Entre ritmos, narrativas, matrizes indígenas e caboclas, influências afrodescendentes e saberes transmitidos geração após geração, as apresentações revelam a diversidade de povos e territórios que ajudam a formar a identidade cultural do país.
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