Coluna do Estadão: Governo quer revanche no Congresso em clima eleitoral e aposta no fim da 6x1
.A oposição sabe que não pega bem votar contra mais direitos para trabalhadores em ano eleitoral e que o governo tem maioria para aprovar a proposta do fim da escala 6x1
O governo Lula aposta em uma revanche com a oposição após duas derrotas sucessivas esta semana. Superadas a indicação de Jorge Messias ao STF e a derrubada do veto do projeto da Dosimetria, que beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), governistas vão concentrar esforços na aprovação do fim da escala trabalhista de 6x1 na Câmara dos Deputados, pauta que pressiona seus adversários e é uma das principais bandeiras eleitorais de Lula. A oposição sabe que não pega bem votar contra mais direitos para trabalhadores em ano eleitoral e que o governo tem maioria para aprovar a proposta. Por isso, já precisou alinhar o discurso e votou pela admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.
CARTAS... Cientes de que o tema é espinhoso, oposicionistas querem descaracterizar o texto do governo na comissão especial que vai debater o assunto. A Frente Parlamentar do Empreendedorismo já tem em mãos 4 emendas prontas para apresentar nos próximos dias.
...NA MANGA. O grupo, coordenado pelo deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), fala em transformar o texto em uma "reforma trabalhista 2.0". As emendas sugerem incluir na Constituição que vale o acordado sobre o legislado e submeter ao Congresso a aprovação de normas de segurança para trabalhadores que oneram as empresas.
LEQUE. Passarinho afirmou à Coluna ser preciso apresentar um "cardápio" de medidas que alivie as companhias. "A gente quer discutir qualquer compensação para as empresas, e a ideia é falar em segurança jurídica para sair da mesmice", defendeu.
BOA. Políticos da base do governo Lula demonstraram satisfação com a decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de escolher o deputado Leo Prates (Republicanos-BA) para relatar a PEC da 6x1 na comissão criada na semana passada.
DOS NOSSOS. Governistas queriam um relator do PT, mas veem o nome de Prates como alguém com boa interlocução com o Executivo. "Não é dos mais agressivos contra o governo", disse um petista. A passagem do deputado pelo PDT também ajuda nessa avaliação.
VEJA MAIS
CUIDADO. Parlamentares do Centrão, por outro lado, preferiam o nome de Paulo Azi (União-BA) para relatar a matéria. Azi foi o relator na CCJ e agradou ao governo e à oposição. O grupo também ressaltou os desafios de um deputado de primeiro mandato comandar pauta tão complexa.
DICAS. A ICC Brasil lançou ontem, em São Paulo, o Guia para Empresas sobre Gestão de Riscos Associados a Organizações Criminosas. O documento orienta companhias e profissionais a fortalecer mecanismos de governança e proteger a integridade de suas operações.
ATENÇÃO. Entre os sinais de alerta que podem ajudar as empresas a identificar a infiltração de organizações criminosas no setor privado, segundo a ICC, estão a mudança frequente de sócios, solicitações de pagamentos em contas de terceiros e preços incompatíveis com o mercado.
PRONTO, FALEI!
Chico Alencar Deputado federal (PSOL-RJ)
"A história do Brasil é uma história de golpismo permanente com espasmos de democracia. Ninguém disse que teve golpe, mas tentativa claro que houve."
CLICK
Eduardo Paes Pré-candidato ao governo do RJ
O ex-prefeito do Rio, aliado de Lula, se encontrou com o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG), que declarou apoio à sua candidatura no Estado.
(Roseann Kennedy, com Eduardo Barretto, Letícia Fernandes e Victor Ohana)
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA