II Festival de Cinema Negro Zélia Amador de Deus inicia na quarta, 25

A programação 100% on-line e gratuita vai ter mostra competitiva de produções audiovisuais de artistas negros da Amazônia.

Enize Vidigal

O II Festival de Cinema Negro Zélia Amador de Deus começa nesta quarta-feira, 25, com debates, premiação e exibição de curta-metragens, videoclipes e produções de web que discutem o racismo e valorizam o cinema realizado por afro-brasileiros, especialmente da Amazônia. O evento será 100% on-line e gratuito. O festival acontece até o próximo dia 10 de dezembro com transmissão pela plataforma www.todesplay.com.br e também pelo Instagram e Facebook do Cine Diáspora.

Nesta edição, 21 projetos amazônicos foram selecionados para concorrer ao prêmio Zélia Amador de Deus nas categorias Clipe da Região Amazônica; Projeto para Web da Região Amazônica; e Curta-Metragem da Região Amazônica. Na categoria Curta-Metragem Nacional, 27 filmes estão na disputa. O nome do festival homenageia a professora emérita da Universidade Federal do Pará (UFPA), ativista e atriz Zélia Amador de Deus.

Esta edição tem como homenageada a diretora de cinema, atriz e professora Rosilene Cordeiro. Outra novidade é a sessão especial com ferramentas de acessibilidade para pessoas surdas, com a exibição das obras “Blackout”, de Rossandra Leone (RJ), e “Seremos Ouvidas”, de Larissa Nepomuceno (PR), ambas dirigidas por cineastas negras, que serão interpretadas na Linguagem Brasileira de Sinais (Libras).

“O II Festival Zélia Amador de Deus é uma construção coletiva de amigos artistas, cineastas e produtores culturais negros, que sentem em suas vidas a importância do cinema como instrumento de mudança de mentalidades, incentivando práticas antirracistas e de valorização da produção artística afrodiáspórica e africana”, explica a curadora e produtora Fernanda Vera Cruz.

A live de abertura do evento acontecerá nas redes sociais, a partir das 19 horas, com a exibição do filme “Princesa do Meu Lugar”, de Pablo Monteiro, de São Luís, do Maranhão.

Maurício Moraes é um dos novos diretores do cinema paraense que concorre no festival com o curta “Minguante”, um filme sobre histórias vividas pelo personagem Jean, no bar Zodíaco, que aborda a solidão de um gay nas noites de Belém. “É um filme de um diretor negro com atores negros”, descreve. Lançada no final de 2019, a produção circulou pelo Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul, do Centro Afro Carioca, do Rio de Janeiro, e Maual- Mostra Audiovisual Universitária da América Latina, da Universidade Federal do Mato Grosso, em Cuiabá, e outros festivais. “A recepção do filme está sendo muito legal, conseguiu passar em muitos festivais do Brasil e internacionais”, comemora.

Dentre os dez curtas da Amazônia em disputa, estão também os paraenses “Sobre Aquilo que Fica”, de Thais Sombra; “Mametu Muagile Rainha de Angola”, de Elizabeth Leite Pantoja; “Que Liberdade é Essa?”, de Sol Oliver; e “Traçados”, de Rudyeri Ribeiro, que são todos de Belém.

As rappers Anna Suav e Bruna BG assinam a direção do videoclipe da música de Bruna, “Pesadelos”, de 2019, que também concorre no festival. “Pesadelos é um trabalho muito especial pra gente. A gente se sente muito feliz de estar em um festival que leva o nome da Zélia, que é uma referência”, celebra Anna. O clipe apresenta uma mulher negra, moradora da periferia de Belém, que testemunha como a violência e as drogas cercam as crianças e jovens de jovens do lugar. “A música da Bruna BG foi aclamada pelo público, virou um clássico do rapp paraense. O clipe era muito esperado e teve uma repercussão ótima”, conta Anna.

Também concorrem na categoria Clipes da Amazônia as produções paraenses “Eu sou Tambor” e “Retomada Ancestral”, ambos de Vanessa Mendonça, de Belém.

Já a performer, dançarina e instrutora de dança Samily Maria, de Belém, assina a direção do projeto para a web “Turva Preamar Marejante”. Com um vídeo feito com o celular, ela registrou o cotidiano na casa em que reside na orla de Icoaraci. “Minha casa é o meu laboratório, meu espaço de cura e de ensaio”, descreve. Sobre o vídeo, ela conta que foi concebido dentro do processo de autoconhecimento, de afirmação da identidade como mulher negra, amazônida e mãe com registros poéticos.

“Muitas vezes os espaços de produção são negados a essas pessoas (negras). A casa fomenta meu fazer artístico e meu processo criativo, alinhado com valores ancestrais africanos”, conta. “É uma honra estar participando do festival que tem encorajado os fazedores de arte da região, sobretudo negros, periféricos e que enfrentam dificuldades de acesso a melhores equipamentos de produção”.

Outros filmes de web paraenses que disputam são: “AfricAmazônia”, de Amérika Bonifácio; e “Teia de Aranha”, de Emily Cassandra Bonifácio, ambas de Belém; e “Medo de Travesty”, de Attews Shamaxy, de Ananindeua.

O festival é realizado pela produtora Cine Diáspora com o apoio do Prêmio Preamar de Cultura e Arte da Secretaria de Estado de Cultura do Pará (Secult).

Cinema
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