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CINE NEWS

Por Marco Antônio Moreira

Coluna assinada pelo presidente da Associação dos Críticos de Cinema do Pará (ACCPA), membro-fundador da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE) e membro da Academia Paraense de Ciências (APC). Doutorando em Artes pelo PPGARTES/UFPA; Mestre em Artes pela UFPA. Professor de Cinema em várias instituições de ensino, coordenador-geral do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC), crítico de cinema e pesquisador.

Tudo por Amor ao Cinema

Marco Antonio Moreira

A história do cineclubismo no Brasil tem diversos personagens importantes. Cinéfilos que atuaram para a existência e resistência dos cineclubes em diversas regiões do país. Estes cineclubes fizeram história, entre outras razões, pela insistência em uma programação diferenciada com filmes mais diversos em conceitos e estéticas. Em Belém, Pedro Veriano é um dos cineclubistas mais importantes da história dos cineclubes locais, por conta da partir da criação e atuação do cineclube da Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA). Em atividade desde 1967, mantém em evidência o conceito cineclubista em suas exibições cinematográficas de Belém. Entre tantos nomes que merecem reconhecimento e homenagem em qualquer pesquisa sobre cineclubismo brasileiro, também é inevitável citar a importância de Cosme Alves Netto (1937-1996).  

Cosme Alves Netto nasceu em Manaus e foi responsável por diversas ações sobre cinema, especialmente no Rio de janeiro onde estudou nos anos 1950 e se formou em Comunicação Social na PUC e Filosofia na UFRJ. Nos anos 1960, foi diretor do Grupo de Estudos Cinematográficos da União Metropolitana de Estudantes e, em agosto de 1964, assumiu a direção da Cinemateca do MAM. Com seu trabalho e dedicação à sétima arte, Cosme construiu uma intensa credibilidade entre pessoas vinculadas ao cinema como críticos, professores e cineastas, tornando-se referência para aqueles que procuravam apoio para a realização de ações relacionadas ao cinema. Sua luta pela conservação e recuperação de diversas obras nacionais foi exemplar em um período que poucos se preocupavam com a preservação do audiovisual nacional. 

Entre as diversas ações cinéfilas de Cosme Alves Netto, está sua colaboração com cineclubes de diversos estados do país, incluindo a programação do cineclube da Associação Paraense de Críticos de Cinema. Pedro Veriano e Luzia Miranda Álvares têm relatos sobre sua contribuição na programação cineclubista local por meio da cinemateca do MAM no Rio de Janeiro, que cedeu vários filmes para as sessões cineclubistas locais. Cosme Alves Netto participou ativamente no fortalecimento do circuito cineclubista brasileiro e constantemente é lembrado pela sua valorização do acervo de filmes brasileiros. Depois de tantas contribuições ao cinema, Cosme manteve sua cinefilia por meio da Cinemateca do MAM e faleceu em 1996.

Felizmente, para contribuir com o conhecimento e importância do trabalho de Alves Netto, foi realizado em 2014 o documentário Tudo por Amor ao 
Cinema, de Aurelio Michiles. O filme mostra diversos aspectos da vida pessoal e profissional de Cosme Alves Netto, especialmente em sua luta pela conservação e recuperação de diversas obras nacionais. Entrevistas com amigos e parceiros de Cosme surgem como modo de homenageá-lo e compartilhar suas histórias de vida, como por exemplo sua atividade como curador da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro por mais de duas décadas e quando foi preso e torturado durante a Ditadura Militar. 

Tudo por Amor ao Cinema é interessante por nos lembrar da necessidade de revelar histórias e episódios de luta de cinéfilos que fizeram diferença para várias gerações de cinemaníacos. Importante como registro histórico, o documentário de Michiles infelizmente não se aprofunda em alguns aspectos da vida profissional de Alves Netto, especialmente na sua participação no circuito cineclubista nacional. Mas nos traz ótimas informações sobre sua paixão pelo cinema. 

Conhecer a história de Cosme Alves Netto pode ser inspirador para novas gerações de cinéfilos e cinemaníacos atuarem na luta pela diversidade cinematográfica. Entendo que precisamos revelar e pesquisar histórias sobre cinéfilos que partiram para ações sobre e para o cinema. Personagens como Cosme Alves Netto, Pedro Veriano (Pará), Walter Silveira (Bahia), entre outros, incluindo famosos cineclubistas como o crítico francês André Bazin, não podem ser esquecidos, pois suas atitudes e ações contribuíram muito com a expansão da cinefilia. 

Em Belém, um dos trabalhos sobre este tema é o documentário Lanterna Mágica, que Vicente Cecim dirigiu sobre a cinefilia do mestre Pedro Veriano. Um belo trabalho que esta disponível no YouTube e que merece ser redescoberto pelo público. Afinal, as heranças cinematográficas de Pedro Veriano, Comes Alves Netto, Walter Silveira, André Bazin e muitos outros merecem serem admiradas e principalmente serem ponto de partida para novas ações cinéfilas.

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