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CINE NEWS

Por Marco Antônio Moreira

Coluna assinada pelo presidente da Associação dos Críticos de Cinema do Pará (ACCPA), membro-fundador da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE) e membro da Academia Paraense de Ciências (APC). Doutorando em Artes pelo PPGARTES/UFPA; Mestre em Artes pela UFPA. Professor de Cinema em várias instituições de ensino, coordenador-geral do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC), crítico de cinema e pesquisador.

O Cinema Brasileiro em 2022

Marco Antonio Moreira

Esta semana foi lançada no circuito nacional de exibição a produção “Eduardo e Mônica” de René Sampaio. Baseado na canção composta por Renato Russo e gravada pelo grupo Legião Urbana, nos anos 1980, o filme é um dos primeiros grandes lançamentos do cinema brasileiro em 2022 com estreia em mais de 500 salas de exibição em nosso país. Espero que esta estreia cause interesse dos espectadores e ajude a incentivar a procura de novos filmes nacionais que serão lançados em breve.  

(Divulgação)

O público brasileiro teve momentos de maior e menor proximidade com o cinema nacional. O sucesso das chanchadas dos anos 1950, as comédias de Mazzaropi e os Trapalhões e as pornochanchadas nos anos 1970 são representativos do interesse popular pelo produto audiovisual brasileiro. Mas, em outras perspectivas, baseado em estatísticas sobre lançamentos e bilheterias nacionais, é perceptível o afastamento da maioria dos espectadores em relação ao cinema brasileiro em vários períodos. Como exemplo posso citar os filmes do movimento Cinema Novo e Marginal, nos anos 1960 e 1970, e nos anos 1990 no período posterior a extinção da EMBRAFILME (Empresa Brasileira de Filmes).

Com a retomada de produções do cinema nacional, a partir de 1995, e estreias de filmes importantes como “Carlota Joaquina” de Carla Camurati e “Central do Brasil” de Walter Salles Jr, houve expectativa que um novo cinema nacional fosse reconhecido de maneira mais frequente pelo público brasileiro. Entre sucessos e frustrações, apesar de todas as dificuldades, nosso cinema continuou e permaneceu relevante. Mas, nos últimos anos, as produções brasileiras têm menos espaço nos circuitos de exibição de filmes. É perceptível que as salas de cinema, em sua maioria, não priorizam o produto nacional. A alternativa de produtores de vários filmes, muitas vezes, está vinculada aos canais streaming, mas, inevitavelmente, é necessário estimular debates entre produtores, críticos de cinema, jornalistas e, certamente, o público, sobre este assunto que não envolve exclusivamente questões de mercado cinematográfico, mas temas vinculados à cultura brasileira que é mostrada no cinema nacional.  

Nos últimos anos, é impossível não se preocupar com uma prática de exibição que exclui os filmes nacionais. Independente do triste período pandêmico que vivemos é evidente que o cinema estrangeiro, efetivamente, ocupa alto percentual das salas exibidoras no Brasil. Em 2021, segundo o informativo Filme B (uma das melhores fontes de informação sobre o circuito de exibição brasileiro), o market share (grau de participação no mercado) de 1,4% dos filmes nacionais foi o pior desde que se tem registro de bilheterias no país com um público de 721 mil espectadores e renda de R$ 12,5 milhões com 127 filmes. Os destaques foram os lançamentos de Marighela de Wagner Moura (mais de 319 espectadores) e Turma da Mónica – Laços (mais de 60 mil espectadores). Muitas produções brasileiras foram lançadas para cumprir contrato, mas sem campanhas de marketing abrangentes, e, principalmente, sem ocupação de várias salas de cinema.

 Em 2022, apesar das questões de mercado cinematográfico e falta de incentivo ao audiovisual, é animador saber que diversos filmes brasileiros têm agenda confirmada nos circuitos exibidores nacionais. Alguns lançamentos programados para este ano devem ocupar a agenda cinematográfica de exibidores, críticos e público como “Medida Provisória” de Lázaro Ramos, “Fortaleza Hotel” de Armando Praça, “Tarsilinha” de Célia Catunda e Kiko Mistrorigo, “O Palestrante” de Marcelo Antunez, “Vovó Ninja” de Bruno Barreto, “Os Suburbanos” de Luciano Sabino e “Nas Ondas da Fé” de Felipe Joffily. Mas ainda é imprevisível se algumas produções exibidas em festivais e elogiadas pela crítica especializada terão salas de cinema disponíveis no Brasil como  “Mundo Novo”, “Os Primeiros Soldados” e “A Felicidade das Coisas”.

Analisar e estudar a história do cinema brasileiro gera entendimento de que a atual configuração de exibição de priorizar o cinema estrangeiro no circuito nacional de cinema não é uma situação nova, mas em outras décadas, foi possível equilibrar e diversificar os espaços de projeção de filmes (incluindo os cineclubes) graças a luta da classe audiovisual em debates sobre a importância do cinema para a cultura brasileira. Lembro-me que era constante encontrar, nos anos 1970 e 1980, vários filmes brasileiros em exibição em Belém, em diversas salas de cinema, durante uma semana. Dos filmes com os Trapalhões, produções como “Dona Flor e seus Maridos” de Bruno Barreto, “A Dama do Lotação” e “Os Sete Gatinhos” de Neville de Almeida, “Eu te Amo” de Arnaldo Jabor e documentários (como Os Anos JK e Jango), entre outras produções, foi estimulante testemunhar que nosso cinema, efetivamente, tinha seu lugar garantido no cenário de exibição.

Em 2022, evidentemente, os desafios do audiovisual são mais complexos, mas é necessário analisar a  trajetória do cinema brasileiro, desde suas primeiras produções, para efetivar sua importância em um mercado audiovisual que, em vários países, gera crescimento econômico e cultural e considera o trabalho daqueles que se dedicam constantemente a arte cinematográfica.  

Espero que 2022 seja um ano especial para o cinema brasileiro!

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