Acessar
Alterar Senha
Cadastro Novo

CINE NEWS

Por Marco Antônio Moreira

Coluna assinada pelo presidente da Associação dos Críticos de Cinema do Pará (ACCPA), membro-fundador da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE) e membro da Academia Paraense de Ciências (APC). Doutorando em Artes pelo PPGARTES/UFPA; Mestre em Artes pela UFPA. Professor de Cinema em várias instituições de ensino, coordenador-geral do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC), crítico de cinema e pesquisador.

Homenagem a Eva Wilma

Marco Antonio Moreira

Eva Wilma foi uma atriz de intenso talento que gerava atenção especial do espectador ou telespectador sempre que interpretava em alguma cena. Sua sensibilidade artística de interpretação era evidente em novelas, teatro ou cinema. Ela sempre estava preparada para interpretar personagens de todos os gêneros. Conheci seu trabalho inicialmente pela TV e percebi que ela era uma atriz diferenciada capaz de fazer distintos papéis com rara versatilidade. O primeiro filme que assisti com Eva Wilma foi A Ilha (1963) dirigido por Walter Hugo Khouri (ótimo cineasta brasileiro que merece estudo e pesquisa). Este filme é um drama existencial inspirado no estilo cinematográfico do cineasta sueco Ingmar Bergman.

Posteriormente fiquei impressionado com sua atuação em São Paulo S/A de Luiz Sérgio Person, certamente um dos maiores filmes do cinema brasileiro que agradou a crítica especializada. Nos anos 1980, Eva Wilma teve presença iluminada na versão cinematográfica do livro de Marcelo Rubens Paiva, Feliz Ano Velho de Roberto Gervitz. Suas atuações extraordinárias em diversos filmes de sua longa carreira são exemplos de interpretação para todos que escolhem essa bela profissão.

É interessante lembrar que sua carreira no cinema teve episódio surpreende com o cineasta inglês Alfred Hitchcock. Em 1969, ela foi selecionada para um papel no filme Topázio (1969) e participou de três testes. Em uma entrevista, Eva Wilma contou que no último teste teve que falar diretamente com o diretor britânico e houve um pequeno desentendimento. "Essa parte foi inesquecível. Ele ficava sentado bem pertinho da câmera, me fazia perguntas e queria que eu improvisasse bem as respostas, que foi o mais difícil. Lembro-me que ele me disse: 'Você está querendo me irritar falando em uma língua que não é a minha, fala na sua língua, fala em português”. Ela não ficou com o papel, mas expressou desejo de ter feito este filmes com Hitchcock.

 O recente falecimento de Eva Wilma é uma triste notícia para a arte nacional e é preciso fazer homenagens ao seu trabalho. Ela participou de poucos filmes nos últimos anos, mas felizmente seu talento estava constantemente presente na televisão e teatros brasileiros Selecionei alguns filmes de sua carreira como meio de homenagear esta extraordinária atriz e espero que o leitor tenha curiosidade para conhecer estes trabalhos.

Obrigado, Eva Wilma!

Filmes:

A Ilha (1963) de Walter Hugo Khoury

Sinopse: Um milionário convida um grupo de amigos para um fim de semana numa ilha onde, dizia uma lenda, havia um tesouro. Mas uma tempestade leva o barco embora, e aquelas pessoas ficam isoladas do mundo. Logo elas começam a revelar sua verdadeira natureza.

 

São Paulo S/A (1965) de Luiz Sérgio Person

Sinopse: Um inspetor de qualidade de uma grande montadora paulista progride até se tornar sócio de uma fábrica de autopeças. Mas, apesar de ter uma vida profissional e afetiva estável, não suporta o ritmo da grande engrenagem.

 

Asa Branca: Um Sonho Brasileiro (1980) de Djalma Limongi Batista

Sinopse: A trajetória de um jogador de futebol de origem humilde, desde o começo de sua carreira, no interior de São Paulo, até o sucesso em uma Copa do Mundo. Ele deve de se adaptar a um novo universo, com dinheiro, mulheres e muitos interesses envolvidos.

 

Feliz Ano Velho (1987) de Roberto Gervitz

Sinopse: Mário, um jovem que perdeu o pai durante a ditadura militar, mergulha em um lago e acaba sofrendo um acidente e ficando tetraplégico. Preso em uma cadeira de rodas, o rapaz busca formas de sobrevivência e começa a escrever sobre o seu passado. Logo ele finaliza um livro, que se torna um sucesso nas livrarias.

 

Véias e Vinhos (2006) de João Batista de Andrade

Sinopse: Mateus (Leonardo Vieira), sua esposa Antônia (Simone Spoladore), seus três filhos e ainda Pedro (Leopoldo Pacheco), seu irmão, chegam a Goiânia e logo abrem um empreendimento próprio, o Armazém Brazil. Empolgado com o crescimento da cidade e a construção de Brasília, Mateus se interessa por política e acompanha sempre que pode os passos do presidente Juscelino Kubitschek. Em meio à festa de inauguração do armazém um capitão de polícia realiza a prisão de um fugitivo, chamado Flecha. Alguns dias após a prisão o capitão passa a frequentar o armazém e, com seu estilo provocador, torna-se indesejado por Mateus e seus fregueses. Sempre criticando o interesse político de Mateus, aos poucos as desavenças entre eles se acentuam.

 

Cidade Ameaçada (1960) de Roberto Farias

Sinopse: O bandido Promessinha é um dos criminosos mais perigosos e temidos de São Paulo. Seu bando choca a população na década de 60 com os seus crimes. Em um determinado momento, Promessinha tenta abandonar a vida bandida, pois além de se sentir culpado, também gostaria de constituir família com a sua amada e viver como qualquer outra pessoa.

 

A Guerra dos Vizinhos (2009) de Rubens Xavier

Sinopse: Um grupo de moradores contíguos entra em guerra num bairro de classe média da periferia paulistana, tendo de um lado do muro as irmãs Colerate e do outro a família Amoroso.

 

O Homem dos Papagaios (1953) de Armando Couto

Sinopse: Epaminondas, embora estudado, fracassou na vida e pena para sustentar sua mulher e filhos. Contratado por um velho amigo para ser o zelador da casa do milionário, ele aceita e se muda para lá com sua família. Entretanto, durante as férias do patrão, o coitado se finge de rico e é confundido com um homem da burguesia - o que vai gerar muita confusão.

 

Outros filmes: O Signo da Cidade (2007), Minha Mãe, Minha Filha (2018), Uma Pulga na Balança (1953), Angela (1953), O Menino Arco-Irís (1981)

Cine News
.

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS DE CINE NEWS