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CINE NEWS

Por Marco Antônio Moreira

Coluna assinada pelo presidente da Associação dos Críticos de Cinema do Pará (ACCPA), membro-fundador da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE) e membro da Academia Paraense de Ciências (APC). Doutorando em Artes pelo PPGARTES/UFPA; Mestre em Artes pela UFPA. Professor de Cinema em várias instituições de ensino, coordenador-geral do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC), crítico de cinema e pesquisador.

Belmondo imortal: relembre sua trajetória surpreendente no cinema

Marco Antonio Moreira

Jean-Paul Belmondo (1933-2021) foi um ator que demonstrou seu talento de modo surpreendente em diversos filmes, especialmente nas produções realizadas pelos cineastas da Nouvelle Vague nos anos 1960. Tinha uma intensa paixão por esportes como boxe e futebol e começou a carreira como ator em 1958. Depois de participar de alguns filmes sem repercussão na imprensa francesa, sua trajetória no cinema mudou a partir de seu encontro com o jovem diretor Jean-Luc Godard, que gostou da sua atuação em Un Drôle de Dimanche, de Marc Allégret. Godard o convidou para protagonizar o curta-metragem Charlotte e seu Namorado (1958). Depois, quando iniciou a produção de Acossado (1959), seu primeiro longa metragem, chamou novamente Belmondo. E foi no papel do personagem Michel Poiccard que ele conseguiu a consagração da crítica e do público.

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Acossado é um dos filmes mais importantes da história do cinema. E a dupla de protagonistas interpretados por Belmondo e Jean Seberg tornou-se referência de um cinema inovador que influencia novos cineastas até hoje. Após o sucesso do filme, Belmondo recebeu diversos convites para atuação em filmes na Europa, incluindo Duas Mulheres (1960), de Vittorio De Sica e com Sophia Loren no elenco. Em 1961, voltou a trabalhar com Godard em Uma Mulher é uma Mulher, com Ana Karina. Neste filme, Belmondo interpreta Alfred Lubitsch, personagem que teve seu nome criado em homenagem ao grande cineasta Ernest Lubitsch, que ficou famoso com suas comédias e musicais.

Em 1964, o destaque foi sua atuação em O Homem do Rio de Philippe de Broca, que teve grande sucesso internacional com filmagens em Paris, Rio de Janeiro, Petrópolis, Brasília e interior do Amazonas. No ano seguinte, Belmondo teve uma atuação brilhante ao trabalhar novamente para Jean-Luc Godard na obra-prima O Demônio das 11 Horas (Pierrot Le Feu). Grato pela ajuda de Godard na sua carreira, a grande estrela do cinema francês ajudou o diretor a viabilizar a produção do filme e foi indicado ao prêmio de melhor ator estrangeiro pela Academia Britânica de Cinema.

Com a carreira em ascensão, Belmondo conseguiu trabalhar para diversos diretores como Louis Malle (O Ladrão Aventureiro), Claude Chabrol (Quem Matou Leda?), Mauro Bolognini (La Viaccia), Jean-Pierre Melville (Léo Morin - O Padre e Técnica de um Delator), Rene Clement (Paris Está em Chamas); Henri Verneuil (Medo sobre a Cidade), François Truffaut (Sereia Sobre o Mississipi com Catherine Deneauve), Jacques Deray (Borsalino com Alain Delon) e Alain Resnais (Stavinsky).

Nos anos 1970 e 1980, tornou-se um ator de sucesso em filmes comerciais que tiveram boas bilheterias internacionais como O Magnífico (1973) de Philippe de Broca, O Profissional (1981) de Georges Lautner e O Marginal (1983) de Jaques Deray. Nos anos 1990, um de seus melhores filmes foi Os Miseráveis (1995), dirigido por Claude Lelouch (mesmo diretor de Um Homem, uma Mulher, Toda uma Vida e Retratos da Vida). Neste filme, ele interpreta o papel de um homem pobre e analfabeto chamado Henri Fortin, que é apresentado a Os Miseráveis, clássico do escritor Victor Hugo escrito em 1862, e percebe várias semelhanças entre sua vida e a vida d personagem do livro. O filme ganhou o Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira de 1995. Outro filme realizado neste período foi Les Cent et une nuits de Simon Cinéma de Agnès Vardá ao lado de grandes atores como Robert De Niro, Michel Piccoli, Marcelo Mastroianni e outros na produção realizada em homenagem aos 100 anos da criação do cinema pelos irmãos Lumière.

Em 2001, Belmondo teve um problema vascular cerebral. Se recuperou, mas realizou poucos filmes até seu falecimento, ocorrido esta semana. De certa maneira, o sucesso de Belmondo no cinema é a vitória de um ator levado à categoria de galã em filmes bem sucedidos comercialmente, mas que não tinha a beleza física exigida por muitos produtores. Sua versatilidade interpretando personagens diferentes foi tão intensa que ele conseguiu superar os padrões de produção de seu tempo.

Bébel, como era conhecido na França, tornou-se um ícone do cinema francês e certamente merece ser reconhecido em sua longa trajetória como ator em mais de 80 filmes para o cinema e televisão. Em 2016, ele merecidamente recebeu o Leão de Ouro no Festival de Veneza pela carreira brilhante. Para homenagear o agora imortal Belmondo, indico ao leitor seu livro de memórias, “Mil Vidas Valem Mais do que Uma (2018)”, que reúne diversas histórias de sua vida.

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