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Carimbó ocupa a Feira do Açaí para celebrar 12 anos de patrimônio; confira as atrações

Programação gratuita neste domingo (13) reúne mestres, grupos e artistas, com roda a partir das 18h30 e ato pela retomada da salvaguarda

Amanda Martins
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Doze anos depois de ser reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, o carimbó ocupa a Feira do Açaí, em Belém, para celebrar a data com música, dança e articulação pela valorização da manifestação. Neste domingo (13), a partir das 17h, o espaço recebe uma programação gratuita e aberta ao público, com feira e economia criativa, videomapping, exibição de clipes, homenagens, roda de conversa e, a partir das 18h30, uma roda de carimbó com mestres, grupos e artistas de diferentes gerações.

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A programação é realizada anualmente desde 2014, como uma forma de marcar a data do reconhecimento nacional. Segundo o organizador Daniel Leão, o encontro também se tornou um espaço para debates.  “Também queremos discutir a falta de políticas públicas”, afirma.

Encontro

A programação deste ano reúne mestres e mestras, grupos com mais de três décadas de trajetória e representantes de uma geração mais recente do carimbó. Para produtor cultural e percussionista, a reunião também mostra a dimensão que o movimento alcançou ao longo dos anos, mesmo diante da falta de políticas de salvaguarda.

“O movimento em si cresceu muito, de forma orgânica e natural. Todas as comunidades do Estado estão sem apoio ou políticas públicas de salvaguarda, e isso impacta muito o fazer, de forma negativa. Mestres e mestras continuam morrendo abandonados, sem o mínimo de apoio”, explica.

image O organizador do evento, Daniel Leão (Divulgação)

A escolha da Feira do Açaí também está ligada à relação do espaço com a manifestação. O local recebe tradicionalmente rodas de carimbó aos domingos e, por isso, foi escolhido para marcar mais um aniversário do reconhecimento como patrimônio nacional.

Os shows da roda começam às 18h30, com Mestre Edson. Na sequência, participam Mestre Juvenal, Mestre Luis Pontes, Mestre Luiz Gonzaga, Carimbó Volta ao Mundo, Yuri Moreno, Mestre Cuité Marambaia, Grupo Amazônia, Encanto do Tambor e Carimbó Galo Duro.

Salvaguarda

Além da celebração, o evento terá um ato de mobilização pela retomada das ações de salvaguarda do carimbó. Uma carta aberta será encaminhada ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e o público poderá assinar o documento, que terá as assinaturas anexadas ao pedido.

image Mestre Edson (Divulgação)

A mobilização também integra a trajetória de Priscila Cobra, que há duas décadas atua na organização da Comunidade do Carimbó “Pau & Corda” do Pará, principalmente no distrito de Icoaraci, onde mora. Ela também já foi delegada do Comitê Gestor do Plano da Salvaguarda do Carimbó paraense, eleita pelo III Congresso Estadual de Carimbó, e há dez anos atua como cantora, instrumentista e compositora de carimbó autoral.

Para a artista, a celebração também é uma oportunidade de destacar as pessoas que mantêm a manifestação presente no cotidiano das comunidades. “Uma ação que tem por principal objetivo valorizar a comunidade do carimbó, suas mestras e mestres, grupos, territórios. As pessoas comuns que fazem do carimbó sua prática cotidiana de salvaguarda do nosso patrimônio”, afirma.

Ela destaca que o reconhecimento nacional, em 2014, foi resultado de uma mobilização construída ao longo de gerações. “O carimbó se tornou patrimônio pela atuação determinada, incansável e secular de nosso povo dos rios, igarapés, do campo e da cidade. A titulação da manifestação como patrimônio jamais existiria sem a vivência cotidiana realizada com amor por cada carimbozeira e carimbozeiro”, diz.

Homenagem

A programação também será dedicada à memória do Mestre Alan Chaves, que morreu na última quarta-feira (9). Neste ano, ele havia recebido o título de Mestre de Cultura, concedido pela Fundação Cultural do Pará (FCP), e estava entre os artistas previstos para participar da celebração.

Segundo Daniel Leão, a homenagem terá a exibição de um vídeo no início da programação, além de uma música de Alan interpretada durante o evento e depoimentos de amigos. “Além disso, iremos dedicar toda a programação em memória do nosso amigo”, diz emocionado. 

A programação também terá espaço para a economia criativa, com feira, além de videomapping e exibição de clipes. A roda de conversa completa as atividades previstas antes das apresentações musicais. 

SERVIÇO

  • Data: 13 de setembro de 2026 (domingo)
  • Horário: A partir das 17h
  • Local: Feira do Açaí — Rua Marquês de Pombal, Belém
  • Entrada: Gratuita e aberta ao público

 

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