Bole-Bole está na final do concurso de samba-enredo da Beija-Flor
Obra assinada por Vetinho conquista a quadra fluminense com narrativa sobre a encantaria e o legado de Zeneida; a decisão será no dia 10 de outubro
A Associação Carnavalesca Bole-Bole, do bairro do Guamá, em Belém, garantiu vaga na final do concurso de samba-enredo para o Carnaval 2027 da Beija-Flor de Nilópolis, realizada nesta quinta-feira (3). A obra representante da escola paraense disputou também com o Xodó da Nega, de Belém, e de outras quatro parcerias: Samba 01, Samba 02, Samba 13 e Samba 39.
Entre as seis composições apresentadas na semifinal, as obras finalistas destacam-se pelos refrões marcantes, que garantiram momentos de forte interação com o público. A grande decisão será realizada na próxima quinta-feira (10), quando a comunidade escolherá o samba-enredo oficial para “Zeneida: O sopro do pó de louro”, projeto assinado pelo carnavalesco João Vitor Araújo.
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Vencedora da etapa em Belém e semifinalista em Nilópolis, o samba assinado por Herivelto Martins e Silva, o Vetinho, fechou a noite com uma apresentação vigorosa e muito comemorada na quadra, de acordo com o site Carnavalesco. Mesmo em menor número na disputa em solo fluminense, a torcida paraense esbanjou animação e contou com o apoio de simpatizantes para fazer barulho durante o desfile.
Sob o comando do intérprete Wantuir no carro de som, a apresentação fluiu de forma segura e foi bem recebida pelo público. Musicalmente, a obra destaca-se pela melodia envolvente de construção progressiva, impulsionada por um refrão principal de forte apelo popular. O grande diferencial do samba está na narrativa em primeira pessoa, que coloca a própria Zeneida no papel de condutora de sua história. A escolha aproxima o ouvinte e encadeia sua trajetória com fluidez: da infância atravessada pela encantaria até a consagração do seu papel em defesa da natureza e da cultura. A poesia percorre a pajelança, a ancestralidade e a devoção amazônica, reunindo símbolos como a figura de Maria Mineira Naê Agotime, o avô pajé e a fé em Nossa Senhora de Nazaré.
O samba retrata uma personagem consciente de sua herança ancestral e guardiã de um legado vivo. O verso “plantei uma escola-floresta” sintetiza com precisão a transformação do saber em ação transformadora, enquanto as menções ao maracá e ao carimbó afirmam a autenticidade da cultura paraense. O ápice da composição se consolida no refrão principal: envolvente e de fácil assimilação, o trecho “Xerequê, Xerequê” cria uma forte assinatura sonora, coroando a narrativa sobre o equilíbrio do mundo e o legado de Zeneida. Com uma narrativa bem articulada e excelente comunicação com o público, a Bole-Bole defendeu uma obra de identidade marcante.
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