Dia da Amazônia: artistas e criadoras paraenses transformam a identidade em moda, design e arte
Iniciativas lideradas por Paula Waleska, Dina Carmona, Marciele Albuquerque e Renata Segtowick mostram como saberes locais, biojoias, grafismos e ilustrações comunicam a riqueza e a ancestralidade do território para o mundo
Madeira, plantas e sementes são algumas das matérias-primas abundantes na Amazônia. No Dia da Amazônia, destacar os diversos movimentos artísticos existentes na maior floresta tropical e maior reserva de biodiversidade do mundo é uma das iniciativas lideradas por artistas paraenses.
O Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro, busca conscientizar a população sobre a importância de preservar a maior floresta tropical do mundo. Para muitos, no entanto, a celebração e a vivência da Amazônia acontecem todos os dias.
Paula Waleska, idealizadora da marca @paulawaleskgalerie, traduz o design amazônico em joias, ressignificando a madeira de reaproveitamento na produção de suas peças com processo produtivo livre de derivados de petróleo, mantendo o compromisso de gerar um impacto ambiental positivo.
“A PW Galerie atua no mercado da moda nortista e amazônica, trazendo atemporalidade com características orgânicas marcantes nas minhas peças. Acredito que meu olhar inquieto criativo, atinge mulheres e homens que acreditam que podemos ser o que quisermos ser, enquanto personalidade e isso reflete e se apresenta no vestir e nos adornos que nos compõe de forma geral”, conta a artista.
VEJA MAIS
Com um olhar atento ao cotidiano amazonida, Paula transforma a madeira de reaproveitamento e as fibras naturais em biojoias sustentáveis que retratam a identidade e a riqueza do estado.
“A natureza amazônica é uma tela a ser observada e esse olhar atento que atravessa o orgânico é que traz inspiração e movimento no ofício da manualidade. A minha arte mostra minhas criações e derivados que podem surgir da Amazônia e da energia ancestral para a materialização da arte contemporânea. Pra mim, arte é sentir e entender esse sentimento é o passo a transformar o que não se percebe mais”, analisa.
Quem faz questão de usar essas peças e dar visibilidade à Amazônia é a influenciadora Dina Carmona. Com mais de dez anos de trajetória na internet, ela tem como propósito transformar a moda sustentável em uma ferramenta de comunicação e afirmação da identidade amazônica.
“Quando eu falo da Amazônia, eu gosto de comunicar de um jeito muito verdadeiro. Na fala, eu tento mostrar o nosso jeito de viver, nossas expressões, nossos costumes, nossa culinária e, principalmente, as pessoas que fazem esse território acontecer. E na vestimenta isso também aparece muito. Eu uso moda autoral, acessórios amazônicos, sementes, cuia, cerâmica, trabalhos de artesãos e designers daqui porque acredito que roupa também comunica. Não é usar um elemento amazônico como fantasia, é mostrar que a Amazônia também produz moda, design, criatividade e tendência. Pra mim, comunicar a Amazônia é fazer com que ela seja vista com mais profundidade e pelo olhar de quem vive aqui”, diz a influenciadora.
Usando sempre peças autorais de artistas nortistas, Dina também não abre mão de usar elementos presentes nas florestas. “A gente não precisa fugir da fauna e da flora, porque elas são parte muito forte da Amazônia e são, sim, uma riqueza enorme. O problema é quando a comunicação para por aí. A Amazônia não é só floresta, rio e bicho. Ela também é feita por pessoas, saberes, cidades, empreendedores, artistas, cientistas, comunidades ribeirinhas, povos indígenas e uma economia que acontece todos os dias. Então, pra mim, o caminho é usar esses elementos naturais como porta de entrada, mas mostrar tudo o que existe em volta deles. A floresta é linda, mas ela não está vazia”, explica.
Essa comunicação dos amazonidas para o mundo é uma forma de falar sobre a floresta de forma consciente e com identidade. Afinal, a partir do olhar, é possível identificar elementos locais presentes na moda, na gastronomia e em diversas outras expressões desse território. Ao integrar o Big Brother Brasil 26, a paraense Marciele Albuquerque apresentou diversas tendências de moda, a sua identidade visual é construída a partir de elementos que valorizam a cultura regional e resgatam sua ancestralidade Munduruku. Como amazonida, ela faz da sua conexão com a terra uma ferramenta de sobrevivência e de comunicação para defender seus ideais.
“A Amazônia, para mim, é muito mais do que apenas um lugar. É onde estão minhas raízes, minha ancestralidade e uma parte muito importante de quem eu sou. É território de vida, de cultura, de conhecimento e de resistência. Falar da Amazônia é falar também dos povos que vivem e cuidam dela há gerações, não se pode desvencilhar esses pontos. Eu carrego esse lugar comigo e tenho muito orgulho de poder levar essa voz para outros espaços.”, diz a cunhã-poranga
Além disso, em parceria com artesãs do povo Munduruku, Marciele comanda a Vai de Cunhã, marca autoral de roupas e acessórios que celebra a fauna, a flora e os grafismos indígenas em suas criações.
Com quase 30 anos de carreira, a artista visual Renata Segtowick dedica sua trajetória à união entre design, publicidade e criação autoral, mantendo a Amazônia como eixo central de suas obras. Após assinar uma série de ilustrações inspiradas em espécies vegetais como a vitória-régia e o aguapé-açu para os festivais Amazônia Live, Rock in Rio e The Town, a artista retorna ao Rock in Rio para criar a estampa de uma clutch exclusiva, oferecida como brinde pela Vale.
“Levar a Amazônia para um festival como o Rock in Rio é uma oportunidade de mostrar que a floresta também é feita de arte, criatividade e pessoas. Espero que quem veja essa peça reconheça um pouco da beleza, da força e da identidade da região onde nasci”, afirma Renata Segtowick.
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA