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CARNAVAL 2027

Beija-Flor classifica Xodó da Nega e Bole-Bole para semifinal do samba-enredo em homenagem à Zeneida

Sete escolas participaram da etapa em Belém; as duas classificadas vão defender seus sambas em Nilópolis, na disputa que definirá o samba do Carnaval 2027.

Amanda Martins

16 de agosto de 2026 às 10:03

A Aldeia Amazônica recebeu, na noite de sábado (15), a Etapa Belém do Festival de Samba-Enredo da Beija-Flor de Nilópolis para o Carnaval 2027. Sete escolas de samba paraenses participaram da disputa, mas apenas duas foram classificadas para a semifinal: Xodó da Nega e Bole-Bole.

As duas representantes do Pará agora seguem para Nilópolis, no Rio de Janeiro, onde vão defender seus sambas na semifinal, marcada para 3 de setembro. Elas se juntarão a outras três obras representantes do Rio de Janeiro na fase que definirá, em 10 de setembro, qual samba será levado pela Beija-Flor à Marquês de Sapucaí.

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A disputa integra a escolha do samba-enredo que vai embalar o desfile da agremiação, que homenageará a pajé marajoara, escritora e ambientalista paraense Zeneida Lima com o enredo “Zeneida: O Sopro do Pó de Louro”. A programação contou com a presença da comitiva liderada pelo presidente Almir Reis, além de artistas, equipe de pesquisa, profissionais do Carnaval e integrantes da diretoria.

Disputa

As sete escolas da Liga das Escolas de Samba de Belém subiram ao palco para quatro passadas. A primeira foi sem bateria e as três seguintes tiveram acompanhamento dos ritmistas. A escolha foi feita por um júri da Beija-Flor, sob direção de Celso Marino, com integrantes da equipe de criação da escola, o carnavalesco e representante da ala musical. Foram avaliados a letra do samba, a animação e a torcida de cada escola na pista.

A ordem começou pela Acadêmicos da Pedreira, seguida por Bole-Bole, Mocidade Olariense, Xodó da Nega, Embaixada Império Pedreirense, Matinha e Boêmios da Vila Famosa. O encerramento foi um show da própria Beija-Flor.

A disputa foi acompanhada por Selminha Sorriso e Claudinho, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, pelo presidente Almir Reis, pelo vice-presidente Thiago David, pelo mestre Rodney e pelos intérpretes Nino e Jéssica. Zeneida acompanhou as apresentações do camarote.

Antes do festival, houve apresentações de carimbó e uma homenagem a Nossa Senhora de Nazaré. O presidente da ESA, Fernando da Guga, entregou simbolicamente o palco à Padroeira dos Paraenses e surpreendeu Almir e Thiago com uma réplica da imagem da santa. Alba Mariah cantou “Círios”, enquanto integrantes carregavam uma corda em referência às peregrinações do Círio de outubro.

Cultura paraense

Almir Reis afirmou que a passagem por Belém permitiu à escola conhecer manifestações da cultura paraense.

“Essa cultura é muito linda. A Beija-Flor veio para cá com o objetivo de levar isso de um modo bem maior”, declarou.

“Tenho certeza que nós vamos fazer algo representativo lá no Rio no Carnaval do próximo ano”, afirmou o presidente.

Sobre a escolha do samba, Almir explicou: “Nós mesmos, da diretoria, praticamente não votamos. Quem dá essa palavra final aos votos é o nosso povo, a nossa comunidade”.

Thiago David falou sobre o contato da equipe com o estado. “A gente está aprendendo muito sobre essa cultura com pouco tempo. Sem dúvida alguma, a gente aprende sobre a riqueza, da mesma maneira que o carnaval tem essa riqueza, essa raiz, essa origem. Acho que o Pará tem muito a se explorar”, disse.

Segundo o vice-presidente, referências paraenses podem aparecer no desfile. “A gente está tentando levar tudo daqui também, um pouco para lá. E até na musicalidade. A gente está apaixonado, encantado pelo carimbó”, contou.

Memória

A relação da agremiação carioca com Zeneida passa também pelo Carnaval de 1998, quando a escola apresentou um enredo inspirado na obra da pajé e conquistou o título. Selminha Sorriso e Claudinho eram o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. Selminha recebeu naquele ano o Estandarte de Ouro de melhor porta-bandeira.

Quase três décadas depois, ela acompanhou novamente uma etapa ligada à história da pajé marajoara.

“Sinceramente, eu estou muito feliz de estar aqui. Esse momento é arte pura”, afirmou.

Zeneida acompanhou a disputa e falou sobre a continuidade de seu trabalho.

“Eu quero muito, muito valorizar minhas crianças para, quando eu me for daqui, aparecerem outras Zeneidas para tocar o meu trabalho, levar o meu trabalho em frente”, disse.

Sobre a homenagem, afirmou: “Tudo que eu fiz e que eu faço é olhar de um jeito pela natureza. Porque só a natureza pode fazer essas coisas. Então eu tenho certeza que a natureza está comigo”.

Lembrança especial

O Grupo Liberal, ao lado de Zeneida Lima, entregou uma lembrança a integrantes da escola carioca. O presente foi uma réplica de Nossa Senhora de Nazaré que reúne símbolos da fé paraense, como uma corda do Círio de Nazaré, além de um crucifixo vindo diretamente de Fátima, em Portugal.

Segundo a produtora executiva, Meg Martins, a lembrança foi entregue como forma de proteção e para desejar sorte à escola na disputa pelo samba-enredo do Carnaval 2027.

“É o presente mais importante que qualquer pessoa que vier ao Pará pode receber, que é a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, a grande protetora de todos nós”, disse.

“Como nós sabemos que toda a comunidade da Beija-Flor é apaixonada por Nossa Senhora, eles não poderiam vir aqui e deixar de receber esse presente”, acrescentou.