Belém recebe workshop e aula pública sobre a Academia do Peixe Frito
Movimento literário, encabeçado pelo poeta paraense Bruno de Menezes, é tema de programação neste sábado (15) e no domingo (16), por iniciativa da Casa da Cultura de Canaã dos Carajás.
Quem gosta de literatura não pode ficar de fora da programação que a Casa da Cultura de Canaã de Carajás promoverá neste sábado (15) e no domingo (16) em Belém, enfocando um dos principais momentos da literatura paraense/amazônica. No caso, a icônica Academia do Peixe Frito, encabeçada pelo poeta paraense Bruno de Menezes (1893-1963) e inserida no modernismo da Amazônia. Esse será o tema central do evento, a ser trabalhado em um workshop, um documentário e uma aula pública em ruas da cidade.
Foi no começo do século XX que Belém tornou-se cenário de uma revolução literária, quando um grupo de escritores, músicos, jornalistas e intelectuais decidiu olhar para a Amazônia a partir de suas próprias vivências. Eles fizeram ruas, mercados, trabalhadores e paisagens da cidade terem vida própria. Trata-se da Academia do Peixe Frito, movimento que ajudou a consolidar uma literatura crítica, urbana e profundamente amazônica. E, agora, após mais de um século, esse movimento poderá ser acessado por meio da programação gratuita da Casa da Cultura de Canaã dos Carajás.
A programação integra as comemorações do Dia do Patrimônio Cultural, celebrado no dia 17 de agosto, por meio do projeto Academia do Peixe Frito - Poéticas de um Modernismo Amazônico, desenvolvido dentro do programa Palavra Viva, iniciativa da Casa da Cultura de Canaã dos Carajás dedicada à formação de leitores, ao incentivo à leitura e à escrita e à valorização da literatura como instrumento de expressão, memória e transformação social.
A Casa, como filial do Instituto Cultural Vale no Pará, transfere-se temporariamente do sudeste paraense para a cidade de Belém. Isso como parte da proposta de atender ao território como um todo. Desse modo, desembarca na capital, para dialogar com artistas, historiadores e pesquisadores que refletem sobre os bens culturais da região.
Então, neste sábado (15), o escritor e professor Felipe Cruz conduz o Workshop de Gêneros Literários – Academia do Peixe Frito: Poéticas de um Modernismo Amazônico. Ele apresentará o contexto histórico do movimento, seus principais autores e sua contribuição para a construção de uma literatura amazônica crítica, urbana e popular. Além da exposição dialogada, a atividade inclui leitura de textos representativos e exercícios de escrita criativa, incentivando os participantes a reconhecer a literatura como ferramenta de expressão social, identidade e resistência cultural.
“A Academia do Peixe Frito foi um grupo de artistas, escritores, jornalistas que se reuniam de maneira bem informal em bares e botecos da cidade para discutir arte, trocar ideias sobre obras, entre outras coisas relacionadas às artes em geral”, destaca o professor Felipe Cruz.
Como explica esse educador, os membros dessa Academia se reuniam entre os anos 1920 e 1950. “E participavam desse grupo nomes muito famosos até hoje, como o Bruno de Menezes, que é o autor do ‘Batuque’, o Dalcídio Jurandir, que é o autor do Ciclo do Extremo Norte, dos livros que, entre outros, têm o ‘Belém do Grão-Pará’, por exemplo. Mas também tinha muitos jornalistas, muitos artistas plásticos e músicos”.
“Acho que conhecer nossa história influencia o modo como nos situamos em nosso contexto — e a Amazônia é uma região de escritas tão diversas e instigantes que o contato com essas escritas só tem a ampliar a perspectiva que temos sobre esse espaço", ressalta.
Na abertura do workshop, o documentário “Geração Peixe Frito” (2019), dirigido pelos professores Paulo Nunes, da Universidade da Amazônia (Unama), e Vânia Torres, da Universidade Federal do Pará (UFPA). A coprodução institucional também foi feita em parceria com a Universidade Estadual do Pará (UEPA). A exibição contará com participação on-line do professor Paulo Nunes, um dos coordenadores dos projetos Narramazônia: narrativas contemporâneas da Amazônia paraense e do projeto Academia do Peixe Frito.
Aula na rua
No domingo (16), o historiador e comunicador Michel Pinho conduz uma aula pública que transforma o centro histórico de Belém em sala de aula. O percurso parte do Palácio Lauro Sodré, atual Museu Histórico do Estado do Pará, e segue até o Complexo dos Mercedários, relacionando a trajetória da Academia do Peixe Frito às transformações urbanas da cidade.
“O percurso termina no Ver-o-Peso, cenário fundamental para as vivências que inspiraram poemas, romances e outras obras produzidas pelos integrantes da Academia do Peixe Frito”, como ressalta Michel Pinho. A atividade propõe uma reflexão sobre as conexões entre história, literatura e identidade cultural, destacando a contribuição de seus integrantes para a produção cultural amazônica.
"A própria discussão em torno da Academia do Peixe Frito revela um lugar específico na construção da identidade paraense. Não é só a percepção que a literatura assume nesse período, mas também os temas que passam a fazer parte dela, como a religiosidade, a latinidade e as transformações sociais e populares, muito bem retratadas pelos literatos da época", diz Pinho. A diretora da Casa da Cultura de Canaã dos Carajás, Gabriela Sobral, destaca que promover o acesso ao patrimônio cultural é uma forma de manter viva a memória e fortalecer os vínculos da sociedade com sua própria história.
Ela pondera que o workshop e a aula pública são ações que “ ampliam o acesso ao conhecimento, valorizam um dos mais importantes movimentos intelectuais da Amazônia paraense e contribuem para que esse legado continue inspirando novas gerações".
Serviço
Workshop de Gêneros Literários – Academia do Peixe Frito: Poéticas de um Modernismo Amazônico
Exibição Documentário Geração Peixe Frito, participação on-line Prof. Paulo Nunes.
Data: 15 de agosto de 2026
Horário: 8h às 10h30
Local: Fórum Landi – Rua Siqueira Mendes, 60, Cidade Velha – Belém (PA)
Como participar: inscrições gratuitas pelo formulário:
https://forms.cloud.microsoft/r/4f5YRaVsgP
Aula Pública – Academia do Peixe Frito
Data: 16 de agosto de 2026
Horário: 8h
Local: Saída do Palácio Lauro Sodré (Museu Histórico do Estado do Pará) | Encerramento no Complexo dos Mercedários
Entrada: Livre e gratuita
Informações: (94) 99220-3451
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA