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Artistas paraenses recebem dose de esperança com a vacina contra a Covid-19

Dona Onete, Mestre Pinduca, Mestre Laurentino e Clara Pinto são alguns deles que se sentem um pouco mais tranquilos

Bruna Lima

A semente da esperança começa a nascer para artistas paraenses que desejam retomar as atividades com a aplicação da vacina contra a Covid-19. Dona Onete, Mestre Pinduca, Mestre Laurentino e Clara Pinto são alguns deles que se sentem um pouco mais tranquilos, embora saibam que a pandemia ainda não acabou e que a luta pelos cuidados continuam.

Com as dificuldades que eles e todo o setor cultural vem enfrentando, receber a vacina já acende a luz de otimismo e de dias melhores. O Mestre Pinduca, 83, já recebeu as duas doses da vacina contra a Covi-19, ele disse que se sente confiante e otimista com dias melhores.

"Estou confiante, imune, mas não duvido da situação problemática que ainda vivemos. Por isso, continuo usando máscara e tomando todos os cuidados", destaca o rei do carimbó. O artista pontua que não entende porque existem algumas pessoas que sentem receio em tomar a vacina, pois é preciso acreditar na ciência. "Tomar vacina não é algo que começou hoje, sempre tomamos e sempre deu certo, é importante se vacinar", deu o recado.

Pinduca afirma que a doença existe e ninguém pode duvidar. E mesmo com a semente da esperança, ele diz que tem consciência que a retomada da vida normal ainda está distante. "Não é porque tomei a vacina que eu acho que tudo acabou, sei que não, ainda falta muito. Só vai acabar quando todos se vacinarem", avalia.

O artista disse que perdeu antigos e bons amigos, além de familiares. Diante desse cenário de perdas, ele espera que a vacinação acelere e chegue a todas as pessoas.

Para permanecer com os trabalhos, o rei do carimbó vem se reinventando e aprendendo diante do atual cenário. A banda de dez músicos precisa ser reduzida a dois, quando se apresenta por meio de live. "Não é fácil ter que reduzir a banda dessa forma, mas não temos outra opção. O setor cultural foi muito prejudicado. Eu tento ajudar meus músicos da maneira que posso", completa.

Quem também vem se reinventando para permanecer com os trabalhos é a bailarina Clara Pinto, que no último final de semana recebeu a primeira dose da vacina. A bailarina diz que sente esperança de dias melhores, mas não esconde o nervosismo e receio que a medida não seja totalmente eficaz.

"O que mais torço é que a vacina nos traga benefício e que possamos continuar a vida trabalhando pela arte e pela cultura, foi um momento ímpar, foi emocionante, mas não vou deixar de dizer que também senti nervosismo, pois não sabemos ainda a eficácia, pois é tudo muito novo para todos", pontua Clara Pinto.

Há um ano que a bailarina vem passando por um processo de transformação para executar seus trabalhos, pois precisou aprender novas ferramentas para permanecer na ativa. "Não foi nada fácil, mas graças a Deus foi possível trabalhar e enfrentar as dificuldades", completou.

Dona Onete é mais uma das artistas que recebeu a primeira dose da vacina e já espera ansiosa para receber a segunda dose, no próximo dia 23. Ela disse que a expectativa era grande para esse momento, pois o sentimento de insegurança e medo da doença são persistentes.

"Eu fico acompanhando direto os veículos de comunicação para saber a chegada das vacinas, fiquei com muita expectativa. Como eu tenho 81 anos, fiquei esperando por esse dia. Meu braço sempre esteve aqui preparado para receber a vacina", disse. Ela chegou a parabenizar o governador do Pará e o prefeito de Belém pelo trabalho. 'Esses dois são bons", completou.

A rainha do carimbó chamegado diz que espera que todos os seus amigos e artistas recebam a vacina o quanto antes. Diante de todas as dificuldades, a cantora e compositora diz que tem orgulho de ser do Pará, pois se trata de um povo solidário, que ajuda a todos.

"Estou louca para poder voltar abrir a porta da minha casa para receber as pessoas, para oferecer um café, pois nós aqui no Pará somos assim, gostamos de ter pessoas por perto", analisa. Ela espera que quando esse cenário passar, as pessoas estejam mais humildes e passem a olhar mais para o próximo.

"Tudo isso que estamos passando serve para percebermos que devemos olhar mais para o outro, mas uma coisa eu tenho orgulho de dizer, o nosso povo é diferente, é solidário", sustenta a artista.

Para passar o tempo, Dona Onete vem compondo músicas e voltando com a prática de crochê, já que com a rotina agitada já não tinha mais tempo para essa prática. A artista também vem acompanhando a novela "A Força do Querer", que traz a temática do Pará. Inclusive, comentou que no episódio da última segunda-feira (8) foi citada pelo personagem do Zeca, interpretado por Marco Pigossi.

"Eu fico aqui assistindo televisão e ontem o Zeca falou no meu nome", completou com risos. Outra que também fez referência à artista foi Daniela Mercury durante o show dentro da casa mais vigiada do Brasil, o BBB. "É muito bom ser lembrada", destaca a rainha do chamegado.

O Mestre Laurentino de 95 anos também já está vacinado com as duas doses e pronto para gravar um novo clipe. O baixista MG Calibre, que vem fazendo um trabalho de acompanhamento do mestre, disse que há alguns anos ele vem perdendo a memória.

"Com as dificuldades dele, comecei a fazer um trabalho diário de tocar com ele as músicas antigas e percebi que ele lembrava, ele tem dificuldade de lembrar das mais recentes. Mas com esse exercício quase que diário ele melhorou muito", explicou Calibre.

Com a pandemia, o mestre precisou ficar isolado e foi dado uma pausa com os encontros, mas com a chegada da vacina Calibre disse que se sente mais confiante e seguro para voltar com o contato do mestre. 

"Ele tem muita fé. Por ele, nem tomaria a vacina, mas eu e a família dele sabemos da importância e da segurança. Estamos em um processo de gravação de um clipe e está previsto que seja em abril", destaca o baixista, que comemora a força e persistência do mestre. 

Palavras-chave

Cultura
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