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Arte Pará traz novos olhares para a arte contemporânea em Belém

Selecionados para a mostra do Grupo Liberal, Nay Jinknss, Dias Júnior e Petchó Silveira vão revelar como a arte vive no dia a dia deles

Eduardo Rocha
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A fotógrafa e artista visual Nay Jinknss, 36 anos, cresceu em contato direto com a arte, e a arte, por sua vez, cresceu dentro dela. Como um momento especial de sua trajetória, Nay vai expor um trabalho artístico dela no Arte Pará 2026, a partir de 5 de novembro, em Belém, integrando o grupo de 25 artistas nessa mostra competitiva promovida pelo Grupo Liberal. Será a 42ª edição do Arte Pará e terá lugar no Museu do Estado do Pará (MEP).

Esse evento foi idealizado e concretizado por Romulo Maiorana (1922-1986), fundador do Grupo Liberal, ao lado de sua esposa, Déa Maiorana (1934-2026). O casal buscou organizar um espaço para valorizar e divulgar a arte produzida no Pará, na Amazônia, e, em 1982, surgiu a mostra sempre aguardada pelo público, a cada edição, com muita expectativa. O Arte Pará 2026 é coordenado pela Fundação Romulo Maiorana e recebe a curadoria da artista visual Keyla Sobral. Esse projeto é viabilizado por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). O evento conta com o patrocínio da Phebo e da Vale. A artista plástica Carmen Sousa será a grande homenageada no evento, com uma Sala dedicada à produção dela.

Porto Seguro

Formada em Artes e com 17 anos fotografando, Nay Jinknss nasceu em Ananindeua, atua como artista-pesquisadora e  transita em todas as linguagens artísticas. Ela gosta de pintura, desenho, de vídeo e tem um trabalho de documentação da Cidade de Belém, abrangendo o Complexo do Ver-o-Peso e outros pontos urbanos; festejos populares, como o Círio de Nazaré e a quadra junina, e outros projetos. Como exemplo da diversidade da produção de Nay, o trabalho dela a ser conhecido no Arte Pará 2026 não é uma fotografia, mas, sim, uma pintura. 

“Enfim, acho que dá para refletir bastante sobre o meu processo dentro da área de artes, porque vou tentando outras linguagens na mesma tentativa que é conseguir me expressar, falar. Quando a fotografia não dá conta, eu amplio com o vídeo. Quando não dá conta a fotografia e vídeo, eu vou fazendo colagens, vou intervindo”, diz Nay.

Sem pestanejar, ela destaca: “As artes pra mim são meu porto seguro, é onde eu me expresso, onde eu trabalho, onde eu produzo e parto pra pensar criticamente sobre as coisas”. E isso tem uma explicação clara. “Eu percebo que as artes sempre estiveram presentes dentro da minha família. Foi a minha família quem construiu esse meu olhar”. 

Um irmão dela atuou como DJ. e Nay teve uma prima que dançava em um grupo folclórico, e ela interagiu com muita gente que gostava e gosta de arte, como amigos, professores e por aí vai. “Belém é uma cidade muito cultural”, pontua. 

Mesmo com as dificuldades de sua família negra e pobre, a artista nunca deixou de se interessar pelas artes. “Cresci com música dentro de casa, cresci pintando, desenhando, cantando. Eu toco violão também. Então, sempre gostei de artes e fui entendendo que, por meio delas, eu conseguia me expressar”, reforça. Nay repassa o gosto pela arte às novas gerações da família.

Este será o primeiro Arte Pará do qual Nay Jinknss participará por meio de seleção via edital. Anteriormente, ela participou por duas vezes, a convite da curadoria, entre outros momentos relacionados ao evento. Ela saúda a participação de artistas conhecidos e emergentes na mostra de 2026. “Isso é muito importante para potencializar esse olhar”, completa. 

Empoderamento

Um outro nome no Arte Pará 2026 é Dias Júnior. Ele nasceu em Abaetetuba, no nordeste do Pará, tem 28 anos e é formado no curso de Bacharelado em Artes Visuais pela UFPA. É multiartista e atualmente estuda e trabalha em Belém. “Esta é minha segunda vez no Arte Pará e estou muito feliz de estar novamente participando junto de artistas que admiro”. 

“Dessa vez, tenho mais experiência e sinto que muita gente se sente representada com meus trabalhos, e eu posso trazer uma reflexão mais madura sobre minhas obras para essa edição e para um público que está começando a acompanhar nossa arte paraense”, acrescenta Dias.

Em cinco anos de carreira artística, Dias Júnior trabalha com temas relacionados ao seu dia a dia. “São temas ligados a minha visão dentro dos ambientes nos quais estou inserido, como nas periferias e interiores. Trago reflexões e debates com relação à classe trabalhadora, racialidade e também denuncio as desigualdades sociais. Mas também trago o empoderamento do nosso povo amazônico e suas singularidades”, ressalta.

Para Dias Júnior, o poder transformador da arte é latente. “A arte me surpreende de forma intrigante, pois às vezes uma simples imagem pode ter vários significados; cada pessoa vai ter uma visão diferente dependendo do tipo de linguagem. E nem sempre as pessoas interpretam aquilo que o artista pensou na obra, e é isso que faz ela ser uma linguagem tão única, pois ela tem o poder de mudar a percepção das pessoas”, assinala o artista.

Contagiante

Com uma produção que envolve pintura, escultura, instalação e objetos, o artista visual paraense Petchó Silveira, de 52 anos de idade, está no Arte Pará 2026. Petchó é uma pessoa que, sem dúvida, adora o que faz. 

“Arte para mim significa não só estética, significa também uma forma de me expressar e dialogar com o mundo. No meu trabalho, ela serve como forma de denunciar a violência contra as minorias”, destaca Petchó.

Ele afirma estar “muito feliz e entusiasmado em fazer parte do Arte Pará 2026”. “Espero que seja plural e com várias expressões artísticas, e que alcance um grande número de público. Como é minha primeira vez, estou muito ansioso para ver o resultado”.

 

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