Saiba quem foi Heliana Barriga, escritora paraense que morreu nesta segunda-feira (2)
Autora de mais de 60 livros, Heliana dedicou mais de quatro décadas à literatura infantil, à música e à valorização da cultura amazônica
A escritora, poeta e contadora de histórias Heliana Barriga morreu nesta segunda-feira (2). Natural de Castanhal, no nordeste do Pará, ela era reconhecida como uma das principais vozes da literatura infantil amazônica. A causa da morte, segundo familiares, foi infarto.
Conhecida como uma “ecopoeta do cotidiano”, Heliana construiu uma carreira multifacetada, reunindo literatura, música, cordel e espetáculos voltados ao público infantil. Ao longo de mais de 40 anos de atuação, publicou cerca de 60 livros e gravou dez álbuns musicais, tornando-se referência cultural no Pará.
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Livros infantis que encantam gerações
Entre as obras mais conhecidas da autora estão “A Abelha Abelhuda” e “Perereca Sapeca”, títulos que conquistaram leitores pela leveza, musicalidade e humor. Suas histórias exploram o universo lúdico, misturando palavras, sons e imagens inspiradas na natureza amazônica, em animais, rios e brincadeiras populares.
Embora voltada principalmente para crianças, a obra de Heliana ultrapassou faixas etárias, alcançando também jovens e adultos. Seus textos convidavam o leitor a mergulhar em narrativas sensíveis, que estimulam a imaginação e o afeto, sempre com identidade regional.
Muito além da literatura
Heliana Barriga era uma artista pluritalentosa. Além de escritora, atuou como cordelista, compositora, sanfoneira e apresentadora de espetáculos infantis, levando cultura e leitura a escolas, feiras e eventos pelo Pará e por outros estados.
Na música, lançou trabalhos como “Mala sem Fundo”, “Letícia Coça-coça”, “A Filha do Jabuti”, “Se Eu Fosse Eu Brincava” e “Circo Furreca sem Mala”, muitos deles voltados ao público infantil e com forte ligação com a oralidade e as tradições populares.
Homenagem na Feira do Livro
Em 2023, Heliana Barriga foi a autora homenageada da 26ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, realizada em Belém. A homenagem reconheceu sua contribuição à formação de leitores e ao fortalecimento da literatura produzida na Amazônia.
O reconhecimento institucional também veio com o título de “Embaixadora das Infâncias de Belém da Nossa Gente”, concedido pela Secretaria Municipal de Educação (Semec), destacando sua influência no despertar literário de crianças da capital paraense.
Mais recentemente, Heliana foi reconhecida como Mestra da Cultura pelo PNAB 2025, título concedido a artistas e produtores culturais que mantêm vivos os saberes, práticas e expressões da cultura popular brasileira.
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