Morre Theotonio Ferreira Azevedo, fundador da tradicional aparelhagem Cineral
Família confirmou a morte pelas redes sociais; criador da tradicional aparelhagem do Telégrafo deixa legado marcado pelo Baile da Saudade
O fundador da aparelhagem Cineral, Theotonio Ferreira Azevedo, morreu nesta segunda-feira (29), aos 71 anos. A informação foi confirmada pelo filho dele, o DJ Michel Azevedo, por meio de uma publicação nas redes sociais. Os familiares preferiram não divulgar a causa da morte.
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Theotonio deixa a esposa, com quem era casado havia 48 anos, e três filhos.
"Venho, infelizmente, informar a vocês que meu pai foi embora, viajou para a vida eterna. O patriarca da aparelhagem Cineral", escreveu Michel. "Eu amava meu pai, ele foi minha base em tudo. Se estou onde estou hoje, foi graças à ajuda e ao apoio dele. Estou sem chão, sem acreditar que perdi meu pai. Parece que é o fim de tudo", completou.
O velório teve início às 16h desta segunda-feira, na Igreja Assembleia de Deus, localizada na travessa 14 de Março, nº 270, entre as avenidas Djalma Dutra e José Pio, no bairro do Telégrafo, em Belém.
Mais de três décadas de história
Com mais de três décadas de atuação, a Cineral tornou-se uma das tradicionais aparelhagens do bairro do Telégrafo. Ao longo dos anos, ganhou reconhecimento por preservar o repertório do chamado "Baile da Saudade" e das músicas do "Passado", como são conhecidos os bregas marcantes.
Ao Grupo Liberal, Madson Alexandre, um dos filhos de Theotonio e responsável pelo gerenciamento da Cineral, contou que o pai chegou a atuar como DJ quando era mais jovem, antes de dedicar-se à administração e ao crescimento da estrutura de som.
Segundo ele, foi nesse período que nasceu a paixão de Theotonio pela música, transmitida ao filho Michel, que desde criança acompanhava o pai nos eventos e acabou seguindo a carreira de DJ.
O legado da Cineral
Para Madson, o principal legado deixado pelo pai foi a persistência em construir e consolidar a história da Cineral.
"Ele nunca desistiu. Sempre colocou na cabeça que queria ter uma aparelhagem e lutou muito para que o nome Cineral fosse conhecido por todos. Graças a Deus, ele conseguiu isso", afirmou.
Madson também destacou que a identidade da aparelhagem sempre esteve ligada ao repertório que marcou sua trajetória.
"Nossa aparelhagem sempre foi de 'Saudade'. Outras aparelhagens podiam tocar de tudo, mas a nossa tinha essa marca, e a gente carregou isso até o fim", disse.
A Cineral está sem realizar eventos há cerca de cinco anos. Apesar disso, segundo Madson, o legado permanece por meio do trabalho de Michel, que criou o "Baile do Amor", mantendo o repertório voltado às músicas marcantes.
"Ele sempre dizia que o nome Cineral nunca ia morrer. A aparelhagem poderia parar, mas esse nome continuaria vivo", relatou.
Ao recordar o pai, Madson também destacou características da personalidade de Theotonio.
"Dificilmente eu via ele bravo. Ele estava sempre dançando, brincando e alegrando quem estava por perto", lembrou.
'Totônio Mídia'
Quem também lamentou a morte de Theotonio foi o DJ Duda Carismático, que integrou o quadro de DJs da Cineral entre 2013 e 2014 e, posteriormente, retornou em 2019 como um dos DJs principais, permanecendo até 2024.
Segundo Duda, o fundador era conhecido entre amigos e integrantes da equipe como "Totônio Mídia" e era lembrado pelo jeito alegre e brincalhão.
O DJ recordou que, antes de a Cineral ganhar projeção, Theotonio percorria feiras de Belém distribuindo CDs para divulgar o trabalho da aparelhagem.
"Antes de a aparelhagem ter toda essa projeção, ele mesmo ia para as feiras distribuir os CDs para divulgar o trabalho", relembrou.
Para Duda, além da contribuição para o movimento das aparelhagens, Theotonio deixa um legado para a família.
"Foi um exemplo como pai, avô e esposo. Vai ser sempre uma fonte de inspiração para o Michel, que continua representando esse legado. É uma perda irreparável para a família Cineral", afirmou.
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