Instituto Regatão abre inscrições para o Programa Atiçamento Cultural no Baixo Amazonas
Com ciclos de formação em dança, gestão e acessibilidade, a iniciativa busca fortalecer organizações de base e promover a sustentabilidade de projetos culturais em Alter do Chão e região.
As inscrições para o Programa de Atiçamento Cultural já estão abertas nas plataformas do Instituto Regatão Amazônia. Ao longo deste ano, o Programa realizará sete ciclos de formação nas áreas de dança, gestão cultural e acessibilidade, com cerca de 51 atividades entre encontros, oficinas e mentorias. A proposta é fortalecer os fazeres artísticos e a organização institucional no território, promovendo autonomia e sustentabilidade para iniciativas culturais amazônidas.
O Programa de Atiçamento Cultural também prevê 65 eventos e exibições, incluindo as 40 edições da Quinta, cinema itinerante e fóruns, além da distribuição de 10 prêmios para iniciativas locais. Complementam as ações quatro frentes de pesquisa voltadas ao mapeamento e à salvaguarda cultural.
O Programa nasce como resposta aos modelos históricos de desenvolvimento impostos à Amazônia, marcados pela exploração de recursos naturais e exclusão das populações locais das decisões sobre seus próprios territórios. Para o Instituto, a sustentabilidade da floresta está diretamente ligada à força das organizações que vivem e defendem o território.
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Inspirado na figura histórica do regatão, um comerciante fluvial que conectava comunidades por meio dos rios, o Programa Atiçamento transforma a lógica da circulação de mercadorias em circulação de capacidades. Se antes o regatão levava bens materiais, o Instituto Regatão leva formação institucional, ferramentas de gestão, comunicação estratégica, regularização jurídica e apoio à mobilização de recursos. A proposta é fortalecer as organizações de base para que elas possam acessar políticas públicas e gerir seus territórios com autonomia.
O reconhecimento como Pontão de Cultura e o lançamento do Programa Atiçamento consolidam o Regatão como uma organização que atua na interseção entre cultura, território, comunicação, justiça socioambiental e autonomia comunitária. “A cultura viva se faz em rede. Assim como no rio, ninguém navega sozinho”, pontua Marlena Soares, Presidenta do Regatão, destacando o caráter coletivo do reconhecimento.
O Instituto Regatão Amazônia foi reconhecido pelo Ministério da Cultura como Pontão de Cultura e passa a integrar a Rede Cultura Viva. O reconhecimento valoriza uma trajetória construída desde 2023, marcada pela atuação em territórios ribeirinhos e pela articulação de redes culturais amazônidas, e impulsiona o lançamento do Programa de Atiçamento Cultural, que abre inscrições nesta segunda-feira (19). Ao longo de 2026, a iniciativa realizará uma série de ações culturais e formativas para impulsionar a vocação criativa de Alter do Chão e da região do Baixo Amazonas.
“O nosso Regatão é reconhecido como o primeiro Pontão de Cultura de Alter do Chão e isso é uma responsabilidade que nos enche de esperança e orgulho do que traçamos até aqui. Essa é uma vitória dos povos da Amazônia, desde a Amazônia e para a Amazônia. O nosso sentido é fortalecer as nossas culturas para que o território permaneça vivo; por isso, o nosso compromisso é atiçar a autonomia”, afirma a ribeirinha Marlena.
Com o título de Pontão de Cultura, o Regatão fortalece seu papel estratégico na conexão, formação e fortalecimento de coletivos, grupos culturais e organizações comunitárias, ampliando o acesso à cultura, à comunicação e à organização institucional nos territórios amazônicos. Como parte dessa nova fase, o Instituto Regatão anuncia o lançamento do Programa Atiçamento, uma metodologia inédita de fortalecimento institucional voltada a organizações da sociedade civil amazônidas, coletivos culturais, associações comunitárias, ribeirinhas, indígenas e quilombolas.
“O termo 'atiçar', que significa avivar o fogo, expressa a essência do programa: despertar e fortalecer as capacidades territoriais já existentes, promovendo autonomia, sustentabilidade e protagonismo local”, explica Marlena.
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