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Exclusivo: Gilberto Gil fala da música do Pará, de Fafá de Belém e do repertório de ‘Tempo-Rei’

O show com duas horas e meia de duração e 31 músicas será apresentado em Belém no dia 21 de março de 2026

Abílio Dantas*

Quis o tempo, o rei, que após quase 60 anos de carreira, Gilberto Gil encerrasse sua turnê de despedida com um show em Belém, marcado para o dia 21 de março do próximo ano, findando um período de 15 anos sem shows na capital paraense. A apresentação será a última parada de uma jornada que passou por momentos delicados, como o falecimento da cantora Preta Gil, no dia 20 de julho deste ano, e que ainda receberá convidados nas cidades por onde passará. No próximo dia 6, a turnê será retomada com o show de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

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Por telefone, em entrevista exclusiva ao Grupo Liberal, entre outros temas, Gilberto Gil falou da música feita no Pará, do que tem acompanhado ao longo das décadas, e da formação do repertório da turnê Tempo-Rei.

Sobre Belém, Fafá é o primeiro nome que vem ao pensamento do compositor baiano. “Nós temos o surgimento emblemático da figura da Fafá de Belém que representou um momento em que a música local, a música do Pará, especialmente a música de Belém, emergiu para o plano nacional”, reflete Gil.

Segundo ele, que durante a década de 70 do século passado foi presença constante em locais como Theatro da Paz e o Ginásio da Escola de Educação Física, a chegada de Fafá de Belém aos holofotes da grande mídia daquele momento fez com que aumentasse a curiosidade do público de música pelo Pará. “Ela se tornou uma intérprete muito querida, muito ampla. Trazendo ao público as músicas dos Barata (do poeta e compositor Ruy Barata e de seu filho, o músico e compositor Paulo André Barata)”, destaca.

Com o passar dos anos, e as mudanças ocorridas no cenário musical amazônico, Gil afirma que permaneceu atento. “Depois foi se afirmando a presença mais forte da presença indígena, do carimbó. Isso hoje já se insere mais explicitamente no campo das músicas da Amazônia com os ingredientes da música eletrônica, do funk, do tecnobrega. Tudo isso mostra uma representatividade muito grande. A questão da música caribenha depois é muito importante Tudo isso já emergiu e hoje já tem um campo de manifestação consolidado”, afirma.

“Tempo-Rei”

As reflexões de Gil sobre música, quando o assunto é o repertório da turnê Tempo-Rei, são mais objetivas do que costuma ser o pensamento poético do artista. Qual foi o critério utilizado na seleção das músicas? Gil responde: canções que fizeram sucesso.

“Canções que estabeleceram uma presença junto ao público por várias razões, por vários motivos. A canção ‘Palco’. A canção ‘Toda menina baiana’ A canção ‘Andar com fé’. Por terem feito sucesso, marcaram fortemente a relação entre mim e o público. O sucesso é um sinal de que a canção chegou, que se estabeleceu, que foi absorvida, que foi apreciada pelo público. Eu mesmo tenho muitas canções que não foram grandes sucessos e que são preciosas para mim e que me interessam muito, por muitas razões, mas que não tinha condição de colocar todas elas em um show desse tipo. Um show que já é longo. Duas horas e meia. E, então, o primeiro critério mais prevalente foi esse: de canções que ganharam um espaço amplo no afeto popular, na receptividade do público”, explica.

A turnê Tempo-Rei tem a direção artística de Rafael Dragaud e direção musical de Bem Gil e José Gil. A banda do espetáculo é composta por Bem Gil (guitarra/baixo), José Gil (bateria), João Gil (guitarra/baixo), Nara Gil (voz), Mariá Pinkusfeld (voz), Diogo Gomes (sopro), Thiago Oliveira (sopro), Marlon Sette (sopro), Danilo Andrade (teclado), Leonardo Reis (percussão), Gustavo Di Dalva (percussão), Mestrinho (sanfona) e um quarteto de cordas.

(*Coordenador do Núcleo de Cultura do Grupo Liberal)