Curadora Rosely Nakagawa ministra palestra gratuita sobre fotografia em Belém
Evento discute as transformações tecnológicas e a popularização da imagem digital; as vagas para a programação gratuita são limitadas
A curadora e pesquisadora Rosely Nakagawa ministra em Belém a palestra “O Barroco e o Trabalho na Fotografia Contemporânea”. A programação ocorre neste sábado (27), das 10h às 11h, no Centro Cultural Banco da Amazônia. As inscrições são gratuitas, têm vagas limitadas e podem ser realizadas pela internet, por meio do perfil @expotrabalhadores.
Com mais de 40 anos de carreira, Rosely Nakagawa possui uma trajetória estruturada na produção de exposições, livros, acervos e projetos voltados à consolidação da fotografia no Brasil. Fundadora da Galeria Fotoptica, a pesquisadora acumula passagens por importantes instituições culturais do país e, atualmente, dirige o Centro Cultural do Cariri, localizado no Ceará.
A ligação de Rosely Nakagawa com Belém começou em 1985, quando visitou a capital paraense pela primeira vez a convite do fotógrafo Luiz Braga, para participar da Semana de Fotografia promovida pela Funarte. Desde esse período, ela manteve o vínculo com a cidade e acompanhou o desenvolvimento dos profissionais locais que projetaram a fotografia paraense nos cenários nacional e internacional.
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“Cheguei em Belém pela primeira vez em 1985 a convite do Luiz Braga para a Semana de Fotografia da Funarte. Nunca mais deixei de voltar”, recorda. Anos depois, ao lado de Mariano Klautau e com a colaboração de Rose Silveira, participou da organização do livro “Panorama da Fotografia Paraense”, reunindo autores da geração 80/90, entre eles Luiz Braga, Miguel Chikaoka, Guy Veloso, Paula Sampaio, Alberto Bitar, Dirceu Maués e Mariano Klautau Filho.
Na apresentação, Rosely Nakagawa propõe uma análise sobre a influência do barroco na fotografia contemporânea sob uma perspectiva histórica. De acordo com a pesquisadora, o debate expande os conceitos de estética e dramaticidade comumente associados às imagens do gênero.
“Quando menciono o Barroco, não me refiro apenas à estética, mas à forma como esse movimento artístico foi constituído. O Barroco brasileiro foi sustentado pela exploração da força do trabalho escravo, tanto de africanos quanto de indígenas. A riqueza gerada pela cana-de-açúcar e pela mineração financiou igrejas e obras de arte, enquanto artesãos e artistas escravizados e libertos foram os responsáveis diretos pela execução e criação artística desse período. É sobre isso”, afirma.
Rosely Nakagawa analisa as transformações no cenário da fotografia ao longo das últimas décadas, apontando os impactos do avanço tecnológico e da popularização dos formatos digitais de imagem.
“As maiores mudanças vieram com a fotografia digital e com as transformações sociais que ela trouxe. Hoje, essa fotografia feita na ponta do dedo, muitas vezes sem passar pelo cérebro, perdeu o sentido”, observa.
A expectativa da curadora é reunir pessoas interessadas em pensar a fotografia para além da técnica e da estética. “Gostaria de reunir um público interessado em discutir o papel da fotografia no comportamento social”, resume.
Agende-se
Data: sábado, 27
Horas: 10h às 11h
Local: Centro Cultural Banco da Amazônia – Av. Presidente Vargas, 800, Campina – Belém
Inscrições gratuitas pelo perfil @expotrabalhadores
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