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Clarice Senna transforma voz em instrumento e leva show gratuito a Belém nesta semana

Artista retorna à capital paraense após quase duas décadas e leva ao palco músicas como ‘O Grão Pará’ e ‘Ensolarada’

Amanda Martins

A voz como instrumento principal, a memória familiar e a sensibilidade sonora como forma de criação artística conduzem “Gingado”, show que a cantora e compositora paraense Clarice Senna apresenta gratuitamente em Belém nesta semana. Em duas apresentações, a artista levará ao palco canções de “Gingado Mixtape” e faixas do novo álbum “A Boca no Mundo”, que está prestes a ser lançado, além de prestar homenagem ao legado musical do pai, Chico Sena.

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O primeiro show ocorre nesta terça-feira (12), no Núcleo de Conexões Ná Figueredo, às 20h. Já a segunda apresentação será na sexta-feira (15), no Instituto de Ciências da Arte (ICA) da Universidade Federal do Pará (UFPA), ao lado do Teatro Waldemar Henrique, às 19h.

O espetáculo já passou por espaços culturais de São Paulo, como o Teatro do SESI, Casas de Cultura e o projeto Fluxo SP. Agora, Clarice retorna à capital paraense após quase duas décadas morando fora do estado.

Filha do compositor de “Flor do Grão Pará” e sobrinha da cantora Alba Mariah, Clarice cresceu cercada pela música. Ao longo da carreira, transformou também a própria experiência com a baixa visão na chamada “poética Def”, abordagem artística que une acessibilidade, sensorialidade e criação musical.

No palco, a artista interpreta “O Grão Pará”, música inédita do próximo álbum e inspirada na memória do pai. O repertório também reúne canções como “Saberes e Sabores”, “Amazônia na Cuia”, “Ensolarada” e a faixa-título “A Boca no Mundo”, que será lançada no dia 15 de maio nas plataformas.

Autodidata, Clarice se define como “compositora de boca”, utilizando a voz para construir melodias, vocalizações e arranjos. Segundo ela, a perda gradual da visão, iniciada aos 13 anos, fez do ouvido sua principal ferramenta de criação.

“Eu me defino como uma compositora de boca porque não toco instrumentos e construo tudo vocalizando. Uso a minha voz como instrumento principal, tanto na composição quanto nos arranjos. Nesse disco, a minha voz também entra como um instrumento dentro da própria construção musical”, explicou.

O novo disco foi produzido em parceria com o músico e produtor Dante Ozzetti, que divide com Clarice os arranjos e a produção musical do álbum.

Segundo a artista, o projeto reúne paisagens sonoras inspiradas em Belém e na Amazônia, construídas de forma cinematográfica e sensorial. “Eu trabalho muito com a composição das letras formando imagens mentais”, contou.

Clarice também afirmou que o álbum aborda temas ligados à Amazônia, ao deslocamento geográfico e à própria trajetória fora do Pará. Uma das faixas citadas por ela é “Mareo”, música que trata simbolicamente da experiência de sair da região amazônica para viver no Sudeste do país.

Ao falar sobre “O Grão Pará”, a cantora disse que a composição busca destacar o legado artístico deixado pelo pai. “Eu queria justamente mostrar que ele está vivo na música dele, nesse legado dele”, declarou.

A artista contou ainda que foi em Belém, enquanto cantava em bares e espaços culturais da cidade, que passou a conhecer melhor a trajetória de Chico Sena por meio das histórias contadas por amigos e frequentadores da cena musical paraense.

“Eu queria mostrar que ele continua vivo na música e no legado que deixou. Na canção, falo dele como uma semente que germinou não só o meu trabalho, mas também um movimento musical na cidade e um sentimento de pertencimento em quem ama a música paraense. Por isso digo que foi Belém que me apresentou meu pai”, afirmou Clarice Senna.

Clarice também comentou sobre o retorno à capital paraense após anos construindo carreira fora do estado. Segundo ela, havia uma expectativa sobre como seria recebida pelo público local. “Era estranho estar fazendo shows em lugares como o Teatro do SESI e saber que as pessoas na minha terra não sabiam quem eu era”, disse.

A cantora afirmou que a volta a Belém representa um momento de reconexão pessoal e artística. “Importa essa reconexão, ter a oportunidade de voltar a ser vista aqui”, completou.

O projeto é realizado com recursos da Lei Aldir Blanc, por meio do programa do Governo do Estado do Pará, da Secretaria da Cultura do Estado e da Política Nacional Aldir Blanc- PNAB, por meio do Governo Federal, através do Ministério da Cultura.

SERVIÇO:

Show “Gingado”, da cantora Clarisse Senna

  • Terça-feira, 12/05, 20h, no Núcleo de Conexões Ná Figueiredo (Av. Gentil Bittencourt, 449, bairro de Nazaré);
  • Sexta-feira, 15/05, 19h, no Instituto Ciências da Arte (ICA), da UFPA (Av. Presidente Vargas, Praça da República, ao lado do Teatro Waldemar Henrique);
  • Ambos com entrada franca.