Após 13 anos, Cordão do Peixe-Boi retorna às ruas em cortejo do Arraial do Pavulagem
O tradicional brinquedo simbólico da Amazônia voltou a desfilar reunindo famílias, artistas e comunidades em um cortejo marcado pela valorização cultural, educação ambiental e conexão ancestral
Na manhã deste domingo (30), após mais de uma década longe das ruas, o Cordão do Peixe-Boi voltou. O Arraial do Pavulagem saiu pelas ruas realizando um grande cortejo por Belém, reunindo brincantes, famílias, músicos, crianças e admiradores da cultura popular amazônica.
O retorno do Cordão do Peixe-Boi é inspirado no animal símbolo afetivo da Amazônia e guardião dos rios. O brinquedo reforça o compromisso do Instituto Arraial do Pavulagem com a educação ambiental, a cidadania, a inclusão social e a valorização da cultura amazônica.
“A gente está trazendo o nosso Cordão do Peixe-Boi novamente para as ruas de Belém, religando um momento lá atrás de vida, há treze anos aproximadamente, quando ainda nem se falava de meio ambiente. A gente tem essa preocupação de cuidar das pessoas e do lugar onde vive. Acho que muitas das coisas que implementamos ao longo dos nossos outros cortejos — o cuidado ambiental, o plantio de árvores, a educação ambiental com as crianças, a sustentabilidade e a coleta de resíduos sólidos — foram plantadas lá atrás com o Peixe-Boi e trouxemos para os nossos cortejos”, disse Júnior Soares, músico e cofundador do Arraial do Pavulagem.
A concentração ocorreu na Escadinha da Estação das Docas e, em seguida, foi iniciada a “Alvorada”, com a apresentação da Roda Cantada, seguida por uma contação de histórias da Lenda do Peixe-Boi e pela apresentação das crianças do grupo “Arraial Desde Gitinho”, formado por participantes das comunidades que estiveram nas atividades preparatórias e vivências culturais e pedagógicas do Cordão.
Depois ocorreu um cortejo fluvial simbólico, levando o brinquedo do Peixe-Boi Encantado, acompanhado pelos personagens Pirarucu, Bicho d’Água, Candiru, ibiçorocs e outros. A travessia destaca o simbolismo da passagem da água para a terra, reforçando a ligação ancestral de Belém com seus rios e ilustrando o ato do cortejo que seguirá pelas ruas da cidade. A embarcação levou brincantes, artistas, colaboradores do Arraial do Pavulagem, representantes de comunidades parceiras, grupos regionais e personagens.
Enquanto o barco navegava, o público em terra acompanhava música regional ao vivo e a presença dos três Peixes-Boizinhos confeccionados nas oficinas, que estavam na concentração.
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Quando o barco atracou na Escadinha da Estação das Docas, iniciou-se o cortejo pela Boulevard Castilhos França, Ver-o-Peso, até a Praça Dom Pedro II, onde o Arraial do Pavulagem realizou um show com convidados especiais e repertório de sucessos.
“Hoje, o objetivo é fazer com que esse brinquedo volte para as ruas de Belém nesse momento tão emblemático que a gente vive, de cuidado com o planeta e de reflexão sobre as ações que fazemos aqui, no lugar onde vivemos, para preservar e cuidar dele, para que as nossas gerações futuras possam desfrutar desses momentos que vivemos. Acho que é a emoção que nos traz agora ao ver esse religar em prol da nossa natureza e da nossa região. Então, o Peixe-Boi volta para as ruas com muitas crianças, que com certeza levarão no coração essa construção que foi feita aqui. Elas vão nos ajudar, com certeza, a melhorar esse lugar onde vivemos”, pontua Júnior Soares.
Para o cortejo, o Batalhão da Estrela reuniu estandartes, arcos coloridos, crianças, pernaltinhas, grupos de dança, animação e diferentes alas de pernalteiros, com figurinos como Floresta, Rios Voadores e outros.
O grande Peixe-Boi foi acompanhado por ibiçorocs, pirarucu, candiru e pequenos peixes-boizinhos confeccionados durante oficinas com crianças das comunidades parceiras. Os chapéus, adereços e figurinos também são diferentes dos arrastões juninos.
O projeto “Arrastão do Pavulagem, Cultura da Amazônia na COP30 e além” tem patrocínio máster da Petrobras, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com realização do Instituto Arraial do Pavulagem, Ministério da Cultura e Governo Federal, Governo do Brasil, Do Lado do Povo Brasileiro, e apoio do Governo do Estado do Pará, Prefeitura de Belém, Point do Açaí, Sesc PA, Ferryboat Amazonas e Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis Concaves. O projeto, que contempla o Arrastão do Círio, o Cordão do Peixe-Boi e o Cordão do Galo, foi selecionado entre os 140 projetos da Chamada Petrobras Cultural Novos Eixos em 2024, dentre mais de 8 mil inscritos.
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