Rodolfo Marques

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público.

Sob incertezas, pleito de 2020 se desenha com 'velhas' e 'novas' práticas de campanha eleitoral

Rodolfo Marques

As eleições municipais de 2020 trazem não apenas um cenário de atipicidade, mas também podem despertar uma ideia de criatividade com um uso diferente dos palanques eletrônicos, hoje divididos entre as mídias tradicionais (rádio e televisão) e as plataformas digitais (mídias sociais, sites, redes sociais, entre outros).

Em uma campanha tão curta e sob as orientações do distanciamento social (embora estas estejam sendo cada vez mais desconsideradas nos principais centros urbanos), as formas de conexão com o eleitor estão ligadas à busca de uma relação mais permanente ou a questões que estejam ligadas a uma escolha pragmática por aqueles que têm direito a voto.

As eleições municipais guardam a ideia das pautas locais, com agendas sobre mobilidade urbana, saneamento básico, saúde, educação e alimentação, entre outras. Dessa forma, questões que reverberem de um jeito mais geral nas unidades federativas na esfera federal tendem a ter menos impactos nas escolhas dos moradores das cidades. De qualquer maneira, apoios declarados do presidente da República e/ou do governador do Estado pode gerar algum tipo de efeito dentro da disputa eleitoral nos mais de 5 mil municípios do país.

A campanha eleitoral começou oficialmente em 27 de setembro e, a partir de 9 de outubro, candidatos a prefeito e a vereador passaram a buscar espaços diários nas emissoras de rádio e de televisão, nos programas ou nas inserções previstas nas grades de exibição das emissoras. Fazer-se conhecido (o chamado “brand awareness”) e/ou a lembrança sobre um passado tardio ou remoto (“recall”) são componentes essenciais dessa propaganda eleitoral, para estimular o votante à escolha ou experimentação – o “trial”.

O argumento da “novidade” também volta à tona dentro da estratégia de comunicação em algumas candidaturas. Lembre-se, aliás, que o discurso “antipolítica” deu muito certo no pleito de 2020. Observa-se já, também, a retomada de um caminho antigo de forçar o confronto com os candidatos mais bem colocados nas pesquisas, através de acusações (verdadeiras ou não) nas mais diversas temáticas. A eleição também deve ser pautada com a realização de poucos debates públicos através dos canais de mídia, por motivos diversos como a agenda dos candidatos, os formatos previstos e as normas para que se evitem aglomerações.

Dessa forma, para nós que buscamos aprofundar o entendimento das categorias políticas, da própria ciência em si e do comportamento eleitoral, o pleito de 2020 tende a apresentar a uma série de episódios típicos e características peculiares, até mesmo na definição dos perfis dos vitoriosos e da rearrumação das forças políticas no contexto das cidades.

Rodolfo Marques
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