Rodolfo Marques

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público.

Pará vê crescimento da Covid-19 e se mobiliza para enfrentá-la. Presidente continua atrapalhando

Rodolfo Marques

A semana se inicia com números cada vez mais preocupantes em relação ao novo Coronavírus no Pará. O Estado ultrapassou a barreira dos 100 casos confirmados e registra 4 óbitos até esta segunda-feira (6). A situação ainda não está com números tão altos como em outras unidades federativas, como São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Ceará e Amazonas, mas a velocidade com a qual os casos vêm sendo registrados nos últimos dias liga o “sinal de alerta” para o poder público e para a própria sociedade.

O governo do Pará foi um dos primeiros no país a adotar as medidas restritivas para a circulação de pessoas, com o fechamento do atendimento presencial em órgãos públicos e da suspensão das aulas nas escolas estaduais. O Estado também vem buscando investimentos na sua estrutura de saúde pública, com a montagem de hospitais de campanha, a aplicação de testes rápidos para a detecção da doença e a compra de equipamentos através de parcerias com outros países, como a China. Todo o processo de registro de casos e de encaminhamentos para tratamento está sob a coordenação da Secretaria Estadual da Saúde (Sespa), através de seu titular, Alberto Beltrame.

O governador Helder Barbalho (MDB-PA) adquiriu protagonismo político nas ações para combater a pandemia dentro dos limites estaduais. Há uma grande discussão a respeito do pacto federativo e as responsabilidades de cada estado. Os estados têm recursos limitados para fazer os testes, as notificações e mesmo para atender as pessoas contaminadas. Da mesma forma, é muito necessário ampliar os mecanismos para controlar a circulação de pessoas. O caminho mais acertado é impor o lockdown horizontal, com isolamento domiciliar, para evitar, ao máximo, que o vírus circule. Os países que mais cedo adotaram essa medida vêm apresentando danos menores às suas populações, embora sempre em números assustadores.

No âmbito federal, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) continua atrapalhando o processo. Em pesquisa divulgada recentemente pelo Datafolha, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, teve números de aprovação muito superiores aos do presidente, gerando grande incômodo no Planalto. Bolsonaro vem criticando abertamente o ministro, em suas falas públicas, ressaltando que tem a “caneta” para tomar as decisões que julgar necessárias. Mandetta continua pregando cautela e defendendo a manutenção do distanciamento social. Já circulam informações de que o ministro Mandetta seja demitido nos próximos dias, uma vez que as divergências entre ele e Bolsonaro são, praticamente, irreversíveis. O processo de “fritura” do ministro da Saúde continua em curso intenso.

Existe, claramente, um movimento da maior parte dos governadores brasileiros em continuar a cruzada contra a Covid-19, enquanto que o presidente Bolsonaro está mais preocupado com o seu mandato e com o seu futuro político, não tratando a pandemia com a seriedade devida. Mais do que nunca, é necessário afirmar que o Brasil precisa de governantes com lucidez e preparo para enfrentar a maior crise do país nos últimos 50 anos, com desdobramentos nos níveis político, econômico, social e de saúde pública.

Rodolfo Marques
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