Rodolfo Marques

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público.

Mundo aguarda ansioso o resultado das eleições americanas, que evidenciam um país bem dividido

Rodolfo Marques

Este dia 03 de novembro de 2020 traz um evento de caráter local, mas com repercussões, indiscutivelmente, em todo o mundo: as eleições presidenciais norte-americanas, que definem os chefes de Estado e de Governo no país ianque no período de 20 de janeiro de 2021 a 19 de janeiro de 2025. Registram-se não só os contextos da globalização e da interdependência geopolítica dos países, mas também as implicações gerais de dois modelos diferentes de condução administrativa para a nação mais poderosa do mundo ocidental.

Disputam o pleito, de maneira efetiva, o atual presidente Donald Trump (partido Republicano) e o ex-vice-presidente no período 2009-2016, Joe Biden (partido Democrata). Historicamente, a figura do presidente norte-americano é colocada em um patamar muito alto, não só por seus compatriotas, mas por parte da comunidade internacional. Por outro lado, nos últimos anos – e neste pleito específico, percebe-se um país dividido ao extremo, com atos de intolerância e com muitas divergências.

Trump, de 74 anos, defende os princípios conservadores, uma certa desconsideração às minorias e uma prevalência dos valores de supremacia norte-americana. Com bons resultados econômicos, Trump emergiu como favorito no início de 2020, mas sua atuação desastrosa diante do enfrentamento da pandemia de Covid-19 no país acabou abalando seu governo e gerando perda de parte do apoio da população norte-americana. Trump também usou – e usa – fortemente as mídias e as redes sociais, mantendo relação conflituosa com a imprensa e explorando o recurso das Fake News como ferramenta de comunicação política.

Já Joe Biden, com 77 anos, tem um perfil mais moderado e foi o escolhido pelo Partido Democrata para contrapor o atual presidente. Biden acabou prevalecendo sobre outros postulantes à indicação do partido, como Elizabeth Warren e Bernie Sanders. Com uma postura moldada mais no debate político, sem maiores rompantes discursivos, Biden procurou mostrar uma linha diversa de Donald Trump. Em seu voto no estado natal (Pensilvânia), Biden ressaltou alguns pontos, como devolver a decência e a honra à Casa Branca, devolver dignidade à classe média do ponto de vista econômico e a unificação do país, dividido por Trump, segundo o candidato democrata.

Mais de 150 milhões de norte-americanos devem votar – com a ressalva de que o voto, nos Estados Unidos, não é obrigatório. No contexto do distanciamento social causado pelo novo coronavírus, houve a oportunidade da votação antecipada – pelos Correios e por outros métodos – e quase 100 milhões de eleitores optaram por tal caminho.

No modelo eleitoral dos Estados Unidos – tão peculiar quanto anacrônico –, vale a votação a partir do chamado Colégio Eleitoral, representado pelo conjunto das 50 unidades federativas do país. São 538 cadeiras – ou delegados – definidos a partir do tamanho do eleitorado de cada Estado norte-americano. A candidatura que amealhar, pelo menos, 270 desse total de delegados é declarada vencedora no pleito. Vale o maior número de votos em cada estado – e o partido vencedor leva todas as cadeiras, com exceção e Maine e Nebraska, que dividem seus votos. A reunião desses delegados acontece em 14 de dezembro de 2020 – a partir das contabilidades geradas nos Estados. Não há um órgão unificador das contagens de votos, que ainda ocorrem de forma manual. A Califórnia é o estado mais populoso, com o total de 55 votos eleitorais. O Texas, por exemplo, tem 38 votos no Colégio Eleitoral. Há estados pequenos que tem apenas três votos eleitorais, como Alasca, Montana, Dakota do Norte, Vermont, Wyoming e Delaware – além do distrito de Columbia.

Por fim, o posicionamento do governo brasileiro é essencial nesse processo. O presidente Jair Bolsonaro, desde o início de sua gestão, em janeiro de 2019, hipotecou apoio integral a Donald Trump e decretou um alinhamento ideológico automático ao país ianque. Passados dois anos dessa “parceria”, o Brasil ainda não usufruiu efetivamente desse apoio, visto que não foram geradas vantagens ou benefícios ao país, como indicações do a organismos internacionais, mais facilidades de acesso aos cidadãos brasileiros ao território americano ou parcerias comerciais mais benéficas para o Brasil.

Independentemente do resultado do pleito na América do Norte, resta saber como será o posicionamento do governo brasileiro a partir de 2021 – se de alinhamento automático ou se com uma posição mais neutra, como historicamente se comportou a diplomacia brasileira. Pensar de maneira racional o contexto das relações bilaterais é o principal neste contexto.

O mundo inteiro aguarda de forma ansiosa os resultados finais que serão divulgados nos próximos dias, em um país partido e que tem reflexos em todos os espaços do globo terrestre.

Rodolfo Marques
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