Rodolfo Marques

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público (Poder Judiciário do Pará)

Mais do mesmo: Bolsonaro usa arena global para falar para convertidos

Rodolfo Marques

O discurso do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), na abertura da Assembleia Geral da ONU, nessa terça-feira (24.09.2019), em Nova York, apresentou falas e conceitos já bem conhecidos do grande público. 

Em pouco mais de 30 minutos de exposição oral, o presidente brasileiro falou de maneira aguerrida e enérgica, repetindo temas como os ataques à Cuba, à Venezuela e às ONGs (Organizações não-governamentais); a ênfase de que ele “salvou o Brasil” do socialismo e da esquerda política; a crítica à mídia nacional e internacional; a evocação da defesa da soberania nacional; e a premissa de que a Amazônia não vem sofrendo com incêndios florestais. 

Dessa forma, Bolsonaro confirma a guinada ideológica conduzida – e esperada -  do seu governo, com um discurso ultraconservador, religioso, ufanista e em nome da família tradicional, mostrando uma nova postura diplomática, com o alinhamento praticamente exclusivo e incondicional aos Estados Unidos de Donald Trump. 

Ressalte-se, nesse contexto político-histórico, o fato de que haverá eleições nos Estados Unidos em novembro de 2020 e que o presidente ianque, principal líder do Partido Republicano, enfrentará nos próximos meses um processo de impeachment pelo Congresso norte-americano. Bolsonaro tem o aval de Trump, mas o próprio futuro político deste está ameaçado. 

Para os apoiadores de Bolsonaro, o discurso na ONU foi permeado de virtudes e de posicionamentos positivos e assertivos. Para os críticos, todavia, foi mais um momento de “apequenamento” do chefe do executivo do próprio Brasil no contexto das relações internacionais. Na exposição, no geral, para além dos ataques reiterados a quem pensa diferente do presidente e do seu núcleo político, não se ouviu de Bolsonaro uma agenda política propositiva – ou mesmo uma vontade de conciliação entre os interesses nacionais e as perspectivas mundiais. 

O presidente da República continua focando no atrito com seus inimigos ideológicos – alguns deles, “imaginários” – e desconectado das questões mais palpáveis do país que preside e da agenda global. É um “artigo” em falta ao presidente Jair Bolsonaro a capacidade de gestão e de comunicação com toda a sociedade brasileira, além de um “verniz litúrgico” inerente ao cargo que ocupa. 

Bolsonaro precisa ser “lembrado” de que precisa governar para o conjunto da população brasileira, embora tenha sido eleito pela maioria – quase 58 milhões de eleitores –, chegando ao poder de forma legítima, pelas vias democráticas. 

O Brasil continua tendo pressa – na geração de empregas, na melhoria econômica, em programas sociais efetivos e na recuperação do bem-estar na Amazônia, por exemplo –, esperando decisões concretas e soluções plausíveis. Contudo, por ora, Bolsonaro continua trabalhando, apenas, para boa parte de seu próprio eleitorado – os cidadãos “convertidos” ao seu discurso.

Rodolfo Marques
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