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RODOLFO MARQUES

RODOLFO MARQUES

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público.

Lula abre vantagem e oposição busca saída para crise de Flávio Bolsonaro

Rodolfo Marques

A divulgação das pesquisas BTG/Nexus e Futura/Apex nos últimos dias consolidou uma tendência que já vinha sendo observada desde maio: o crescimento da vantagem eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na pesquisa BTG/Nexus, Lula aparece com 42% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro, abrindo uma diferença de nove pontos. No segundo turno, a mesma pesquisa registra 49% para Lula e 43% para o senador. Já o levantamento Futura/Apex aponta um cenário semelhante, com Lula alcançando 48,1% contra 42,9% do adversário. Os números indicam uma mudança importante em relação aos levantamentos de março e abril, quando ambos apareciam em situação de empate técnico.

Parte relevante desse movimento pode ser explicada pela capacidade do governo federal de recolocar temas econômicos e sociais no centro do debate público. A entrada em vigor da Lei nº 15.270, em janeiro de 2026, garantindo a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com renda mensal de até R$ 5 mil, começa a produzir repercussão positiva entre segmentos da classe média e dos assalariados. A medida ampliou a renda disponível de milhões de brasileiros e reforçou a percepção de que o governo tem priorizado políticas voltadas à melhoria das condições econômicas das famílias. Soma-se a isso a manutenção e ampliação de programas sociais, a continuidade da leve queda das taxas de juros e a percepção de melhora gradual de indicadores econômicos. Em um contexto eleitoral, medidas com impacto direto na renda tendem a produzir efeitos concretos na avaliação dos governos e na disposição dos eleitores em apoiar a continuidade administrativa.

Outro fator que contribui para o desempenho de Lula é uma nova comunicação política do governo. Após um período de dificuldades para apresentar resultados e disputar narrativas nas redes sociais, o Palácio do Planalto passou a concentrar esforços na divulgação de entregas concretas e de propostas de forte apelo popular. Nesse contexto, ganhou destaque o apoio ao debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1, pauta que dialoga diretamente com trabalhadores urbanos e jovens. Ainda que a proposta enfrente obstáculos legislativos, ela ajudou a reposicionar o governo em uma agenda associada à melhoria das condições de vida e de trabalho.

Do lado da oposição, Flávio Bolsonaro passou a enfrentar uma sucessão de desgastes que dificultaram sua consolidação como principal alternativa ao governo. A repercussão da alcunha “Tariflávio”, associada às controvérsias envolvendo a política comercial dos Estados Unidos em relação ao Brasil, fortaleceu a narrativa de que o senador teria adotado uma postura excessivamente alinhada ao governo de Donald Trump. Para uma parcela do eleitorado, especialmente em setores produtivos atingidos por ameaças tarifárias, essa associação acabou produzindo custos políticos e alimentando questionamentos sobre a defesa dos interesses nacionais.

Além disso, episódios envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro ampliaram o desgaste da candidatura. Reportagens divulgadas nas últimas semanas colocaram Flávio Bolsonaro no centro de questionamentos relacionados a pedidos de apoio financeiro para iniciativas vinculadas ao bolsonarismo – como o filme “Dark Horse”, gerando repercussão negativa e contribuindo para a perda de apoio registrada em pesquisas posteriores. A forte conexão entre Bolsonaro e Vorcaro tende a seguir prejudicando a campanha do senador carioca à presidência da República. Paralelamente, as articulações conduzidas por Eduardo Bolsonaro no cenário internacional passaram a ser exploradas pelos adversários como exemplos de uma estratégia política que, em vez de ampliar alianças, acabou gerando novos focos de desgaste e controvérsia.

Ainda faltam meses para a eleição e o histórico recente da política brasileira recomenda cautela diante de qualquer projeção definitiva. No entanto, as pesquisas divulgadas nesta semana sugerem que Lula conseguiu transformar a agenda governamental em ativo eleitoral, enquanto Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades para impedir que temas negativos dominem sua imagem pública. 

O desafio do presidente será manter a associação entre políticas públicas e melhoria das condições de vida da população. Já o senador precisará reconstruir sua narrativa e demonstrar autonomia política suficiente para convencer eleitores além do núcleo mais fiel do bolsonarismo. A disputa permanece aberta, mas o momento atual indica que o governo encontrou uma rota de crescimento eleitoral, enquanto a oposição busca uma estratégia capaz de interromper essa trajetória.

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