Rodolfo Marques

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público (Poder Judiciário do Pará)

Governo Federal buscar superar 'Lava Jato Gate' com avanços na votação da reforma da Previdência

Rodolfo Marques

A semana política no Brasil começou movimentada, com as reportagens bombásticas do site The Intercept, canal fundado e liderado pelo jornalista norte-americano Glenn Greenwald. Glenn se notabilizou no cenário internacional como jornalista investigativo, ganhando vários prêmios e estando diretamente ligado à divulgação, em 2013, pelo jornal britânico The Guardian, da existência de programas secretos de vigilância global por parte dos Estados Unidos, com a NSA (Agência de Segurança Norte-Americana), ao lado de Edward Snowden.

Desta vez, The Intercept produziu reportagens a respeito de conteúdos supostamente trocados por procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato, deflagrada a partir de 2014, com o então juiz e hoje Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Chamaram a atenção alguns diálogos, extraídos do aplicativo Telegram – não se sabe ainda por quem, como e se são verdadeiros –, que indicaram uma atuação efetiva de Sérgio Moro, embora então magistrado, na orientação de alguns passos a serem tomados pelos procuradores da Lava Jato.

Uma das grandes questões que se apresentaram é o principio da isenção do magistrado em qualquer processo jurídico. Tanto o Ministério Público Federal-PR quanto o próprio Sérgio Moro ressaltaram que não houve quaisquer imoralidades nos conteúdos divulgados – e reforçaram a premissa de que os diálogos foram captados e “vazados” de forma integralmente ilegal.

Sérgio Moro é, indiscutivelmente, dentro do governo Bolsonaro, o auxiliar mais conhecido e com maior popularidade, em especial pelo seu trabalho, nos últimos anos, como juiz federal no combate à corrupção. Todavia, será necessário que ele seja incisivo e proativo diante das novas revelações do site The Intercept. O próprio presidente Bolsonaro tergiversou por alguns dias a respeito do tema até hipotecar apoio irrestrito a seu importante auxiliar.

No contexto de o governo federal buscar a criação de uma agenda política positiva, na quinta-feira (13.06.2019), dentro do Parlamento, buscou-se o avanço da reforma da Previdência. O relator da reforma, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), apresentou o resultado de seus trabalhos na Comissão Especial, indicando novas regras para o auxílio-reclusão e para o salário-família, entre outras propostas. O governo, por meio do ministro da Economia, Paulo Guedes, continua com a meta de 1 trilhão de reais a serem economizados nos próximos 10 anos, a partir de uma possível aprovação da reforma.

Nos mesmos contexto e data, Jair Bolsonaro esteve em Belém-PA para participar de entrega de moradias para populações carentes, além de reforçar a sua ligação com a comunidade evangélica, que é muito forte no Estado do Pará. 

E o último episódio político dessa tumultuada semana foi a demissão do general Santos Cruz da Secretaria de Governo da Presidência da República. O agora ex-ministro dá lugar ao também general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira. Santos Cruz se desgastou especialmente com a chamada “ala olavista” do governo, que tem grande influência junto às escolhas do presidente, e com o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), o filho “02” do presidente.

É importante olhar com acuidade os novos desdobramentos das questões envolvendo o governo federal, sempre com a expectativa por melhorias e por um mais ágil andamento de agendas que melhorem a vida das pessoas. Por ora, passados mais de 150 dias da atual gestão, o Brasil claramente estagnou ou “andou para trás” na maioria dos quesitos avaliados – e isso precisa mudar.

Rodolfo Marques
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