RODOLFO MARQUES

RODOLFO MARQUES

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público.

Eleições 2022: o pleito da 'guerra digital'?

Rodolfo Marques

Entre os vários temas que permeiam as eleições de 2022, o uso das plataformas digitais emerge como um dos principais. Twitter, Telegram, TikTok e Kwai se destacam nos processos de planejamento e da execução da comunicação política, em especial no caso das campanhas presidenciais.

Com a utilização cada vez mais intensa da Internet, que se consolidou como uma das principais fontes de informação e da interação, e com o fato de a rede não ter uma regulamentação muito clara e assertiva no âmbito eleitoral, a velocidade de produção e disseminação de conteúdos eleva a disputa por votos a um outro patamar – não necessariamente positivo.

O Twitter, enquanto microblog, e o Telegram, com as grandes comunidades e a circulação de conteúdos, fortalecem os discursos de campanha – com pouca ou nenhuma regulação. E o TikTok e o Kwai possibilitam, com o viés do entretenimento e da agilidade dos vídeos curtos, trazem a atenção dos usuários. As ações de comunicação nessas plataformas geram, muitas vezes, o controle da pauta pública.

O uso de bots (robôs) para impulsionar candidaturas no Twitter também atingiu altos índices tanto na campanha de Lula (PT) quanto de Jair Bolsonaro (PL). Tal estratégia amplia o engajamento, também com a utilização das hastags (#). Esse recurso mobiliza grandes volumes de compartilhamentos rapidamente.

Nessa “guerra digital”, que parece muita evidente, uma das principais ações é a veiculação de Fake News – notícias falsas espalhadas com os objetivos de confundir e de desinformar. Nesse contexto, são utilizadas falas fora de contexto, vídeos recontagens, fotomontagens, memes, prints e, de uma maneira mais frequente, a chamada DeepFake. Esta é uma tecnologia que faz uso da inteligência artificial para a criação de vídeos falsos – mas com traços de realidade –, com pessoas desenvolvendo ações que nunca foram feitas por elas anteriormente, na “vida real”.

A Internet também é um terreno propício para a transmissão de informações de maneira mais fácil e simplificada. Também ganha espaço, nas plataformas digitais, as discussões de pautas de costumes, com a questão do aborto, o uso de armas, demandas religiosas e o patriotismo. Nesse recorte, Jair Bolsonaro mantém essa agenda de discussão desde antes das eleições de 2018, tendo uma certa vantagem nesse quesito.

Nas batalhas virtuais, aliás, o deputado federal reeleito André Janones (AVANTE-MG) e o vereador pela cidade do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), ocupam papeis destacados nas respectivas campanhas presidenciais.

Dessa forma, em um pleito tão polarizado, com disputas acirradas por todos os votos disponíveis, a guerra digital acaba sendo, também, uma guerra suja, com a Deep Web – a internet profunda – trazendo, cada vez mais para a superfície, discursos de ódio, violência e intolerância.

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